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Briga de perde e perde

A eleição em Vitória mostra uma necessidade de reflexão dos partidos que se colocam como esquerda. A crise nacional, com o avanço do conservadorismo, tem colocado os partidos em patamares diferentes. O PT está visivelmente em queda livre. Se Iriny Lopes alcançou a casa dos 30%, mesmo sem o apoio do então prefeito João Coser na disputa de 2012, Perly Cipriano ficou bem distante deste patamar.

O partido ficou sem representação na Câmara de Vitória, assim como o partido aliado PCdoB, de Namy Chequer. Mas a pergunta que deve ser levada para dentro dos dois partidos é se esse retrospecto tem relação com os acontecimentos de nível nacional ou se são mais relacionados com os problemas que os próprios partidos encontraram em seu caminho em nível estadual.

O PT vem sofrendo desgaste no Espírito Santo desde que algumas de sua lideranças se uniram à política de unanimidade do governador Paulo Hartung (PMDB), desde sua primeira passagem pelo Palácio Anchieta, em 2002, e o partido ganhou a presidência da Assembleia. A política de grupo de Hartung sufocou o partido e o afastou de suas bandeiras políticas, fazendo com que o PT minguasse no Estado. O PCdoB seguiu o mesmo caminho, só que no campo municipal, ao se aliar ao grupo do prefeito Luciano Rezende (PPS).

Se o PT está em queda, o Psol está em ascensão. O partido conseguiu um bom desempenho, mas ainda precisa se consolidar. Em 2012, o então psolista Gustavo De Biase disputou a prefeitura em Vitória e alcançou 7.664, o equivalente a 4,7% dos votos. Este ano, André Moreira obteve 5.668 votos, ou seja, 3,05%.

Há que se considerar as diferenças dos pleitos, naquele ano, De Biase pode participar de debates, teve condição de se apresentar aos eleitores. A questão é que o projeto de 2012 não era uma construção tão sólida de partido quanto deste ano. A chapa de André Moreira e Brice Bragato representou o ideal do partido e a mobilização interna foi forte. Tanto que incomodou. O Psol pode não ter conseguido uma quantidade de votos que o colocasse de vez na política institucional, mas promete.

Mas, tanto PT quanto Psol precisam resolver um problema que pode ajudar tanto na recuperação de um, quanto na consolidação do outro. O PT precisa entender que não é mais dono da esquerda, muito pelo contrário. O Psol deve entender que não se constrói um projeto político sozinho. É muito bonito dizer que o partido fala com os setores sociais e tudo mais, mas um pouquinho de pragmatismo não faria mal a ninguém.

Fragmentos:

1 – A primeira sessão da Assembleia após a eleição municipal foi para que os deputados estaduais festejassem os resultados próprios e dos aliados que saíram vitoriosos do pleito desse domingo (2). Os derrotados nem apareceram.

2 – Ou melhor, um deles foi: o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) nem parecia ter levado um revez em Cachoeiro, com a derrota de Jathir Moreira (SD); em Itapemirim com Norma Ayub (DEM); e em Marataízes, com Toninho Bitencourt (PSDB). Estava bem animado. Talvez a vitória, ainda que apertada de Edson Magalhães (PSD) em Guarapari, tenha aplacado a tristeza do demista.

3 – Quem estava cheio de sorrisos na Casa era o deputado federal Max Filho (PSDB), que foi para o segundo turno da eleição em Vila Velha, mas não sem antes dar uma passadinha no Legislativo para cumprimentar os ex-colegas de plenário.

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