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D. Dívida, nossa patroa

Deve ter sido particularmente “disgusting” para a presidenta Dilma aparecer sorridente, toda vestida de preto, ao lado do presidente americano Barack Obama, um ano depois do cancelamento de sua viagem a Washington por causa do escândalo da espionagem ianque no Brasil, particularmente no Palácio do Planalto e na Petrobras.
 
Que os americanos têm espiões em todo mundo, todo mundo sabe. Que eles possuem interesse explícito no petróleo brasileiro, ninguém ignora. Também estamos cientes de que os interesses diplomáticos obrigam os políticos e os empresários a engolir sapos pelo mundo afora, mas o que cabe perguntar é o que o Brasil ganhou/perdeu com a viagem de Dilma aos EUA.  
 
Dilma está dilapidando o patrimônio político amealhado para o PT por seu padrinho político, o ex-presidente Lula.  O governo federal vive um apagão político mais intenso do que o vivido por Lula em 2005, quando começou o escândalo do Mensalão. É um tempo perigoso.  
 
O cientista político Antonio Carlos de Medeiros, num artigo contundentemente corajoso, afirmou que o Brasil está no limiar de uma crise de Estado. A causa é essa combinação perversa de abulia presidencial com o apetite gerencial dos líderes parlamentares, tudo temperado pelo “laissez faire” do Judiciário e a irresponsabilidade da mídia, que joga todas suas fichas num golpe que antecipe o fim do mandato do governo. Dilma virou a encarnação de Geny, personagem da canção de Chico Buarque. “Joga bosta na Geny”.
 
Por que Dilma se comporta como se estivesse acuada? Por que não joga bosta em quem merece? Estará esperando uma hora mais propícia para se defender do cerco que lhe movem os incomodados com o modo petista de governar – seja isso lá o que for, bem ou mal.     
 
Se colocarmos numa peneira as mulheres mais corajosas e salientes do Brasil de agora, entre Irinys, Roses, Rosários, Idelis, Kátias e Erundinas, Dilma provavelmente desapareceria na poeira.
 
Enquanto isso, uma das que ficariam na parte de cima da tela seria Maria Lucia Fattorelli, a economista que vem lutando para implantar a auditoria cidadã da dívida. Ela ajudou o Equador a conseguir um abatimento de 70% em sua dívida externa. A Grécia buscou esse mesmo caminho mas enfrenta grandes dificuldades porque faz parte da Europa, sede de alguns dos maiores impérios financeiros (Alemanha, England, França, Suiça, Países Baixos), que vivem naturalmente como vampiros das economias endividadas.
 
E não é de hoje, o Brasil é devedor dos Rostschild desde 1824, quando mal havia se libertado da Coroa portuguesa. Devemos também para alemães, japoneses, americanos e chineses. Não seria este o momento certo de colocar a boca no trombone e iniciar a auditoria da dívida que sufoca a economia brasileira?
 
A senhora Fattorelli  esteve nesta última quarta-feira (1 de julho)  na Comissão de Fiscalização Participativa do Congresso Nacional e deu um banho de conhecimento sobre o endividamento do Brasil. Após sua exposição, transmitida pela TV Câmara, até um idiota seria capaz de concluir que aí, na Dívida, está o x da questão.
 
O Brasil é “governado” pela Dívida gerida por dealers de 12 bancos que se revezam na vigilância dos juros pagos pelo Tesouro Nacional. 
 
No momento, revelou Fattorelli, o Banco Central do Brasil está pagando mais do que os 13,25% que ele próprio BC fixou para os juros pagos aos credores da dívida brasileira.
 
Enquanto isso, a presidenta do Brasil passeia em Washington com o sorridente chefe dos abutres e vampiros. 
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
“Algo está fora de ordem”
 
Letra de canção dos Titãs

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