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Jararacas no serpentário

A manifesta vontade do ex-presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) em fazer oposição ao governador Paulo Hartung (PMDB) é a novidade política do Estado. Não só pela sua conhecida petulância, ardis, e inventivas de Ferraço, mas, sobretudo,  por ser um ser político de alta periculosidade na matéria.
 
Dispondo novamente de um campo vasto para exercitá-los: Assembleia Legislativa. Onde, por cinco anos, as colocou em prática como o seu presidente. Ferração – apelido que melhor identifica esse personagem -, que, da noite para o dia, vira pesadelo do governador Paulo Hartung, depois de o ter servido nas mais extravagantes matérias legislativas. 
 
Foi a jornada que Ferração navegou, como uma espécie de vice-rei do Espírito Santo. Não quer dizer que vá agora desmanchá-lo. Pois naquele  momento ele era  parceiro-cúmplice de PH.  Só que agora colocou a armadura para combater o antigo parceiro. Hartung pode levar vantagem nesse embate porque a Assembleia segue submissa aos seus interesses. Isso pode ajudar a neutralizar os ataques de Ferraço.
 
De oposição mesmo até agora havia somente um deputado: Sérgio Majeski (PSDB). A propósito, essa semana, se alguém ainda tinha dúvida, o tucano formalizou que é oposição. 
 
Majeski critica o governo quando tem de criticar, sem contudo mexer nas feridas políticas do governador, uma arte que Ferração, certamente, sabe fazer com maestria. 
 
Isso não diminui, porém, o desempenho do Majeski. Ele mexe, com total conhecimento de causa, em áreas básicas do governo, como, por exemplo, a educação. Não deixando de  fazer enormes estragos na imagem do governo. Todos lembram do desgaste que significou o Escola Viva para o governo.
 
Ferração, ao contrário, chega para dar conta do espaço que Majeski não ocupa. Não deixando de fazê-lo por negligência política, mas por entender a política à luz do dia. Um novo  modelo num covil onde se fala por símbolos. Uma matéria em que o Ferração é pós-doutor. Nesse palco da Assembleia, com Ferraço com essa disposição, transitará a discussão do processo eleitoral de 2018. 
 
É verdade que o governador reforçou o seu lado com a adesão do deputado Marcelo Santos (PMDB), que até outro dia era um leal aliado do ex-governador Renato Casagrande (PSB). É ele hoje quem comanda todo o sistema Legislativo a partir da primeira vice-presidência da Casa. Marcelo é condutor, inclusive, da eleição do deputado Erick Musso (PMDB) à presidência da Assembleia.
 
Mas Ferração se move para um caminho que vai muito além das possibilidades de Marcelo de impedi-lo. Ele vai para cima do governador para desgastá-lo em desfavor de um projeto de poder que pretende alcançar, daqui a pouco,  em 2018. Vão encontrá-lo unido ao filho, o senador Ricardo Ferraço (PSDB). Numa posição estratégica em que o filho, com a sua decisão de disputar a reeleição ao Senado, fechou o caminho do governador na sua pretensão de candidatar-se ao Senado. 
 
Se fosse hoje o desfecho das composições para 2018, não teria dúvida em achar que os Ferraço estão mais para Renato Casagrande (PSB) do que para outro campo. 
 
A amargura política de Ferração indica essa condição. Mas política se faz na agregação de interesses. 
 
De qualquer maneira, convido o leitor para acompanhar, doravante, o espetáculo cênico desse ator político chamado Theodorico Ferraço ou, simplesmente, Ferração. 

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