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O universo conspira

Até 3 de fevereiro, o governo Paulo Hartung (PMDB) ia muito bem. O governador vendia uma imagem de excelência em seu governo. Havia emplacado sua supersecretária Ana Paula Vescovi no Tesouro Nacional, vinha sendo festejado pela mídia nacional como o governador que conseguiu enfrentar e vencer a crise. A fama lhe permitiu fazer planos para fora do Estado em 2018. Mas, em 3 de fevereiro, quando se licenciou para fazer uma cirurgia na bexiga, a vida de Hartung virou de cabeça para baixo.
 
Veio a crise da Polícia Militar, o surgimento de um grupo de opositores na Assembleia e a cereja do bolo: a delação de Benedicto Júnior, sobre doação de recursos via “caixa 2” da Odebrecht, que teria sido distribuídos a aliados. Tudo isso minou a imagem do governador. Ele deu uma mergulhada, esperou a poeira baixar e começava a criar condições para se reerguer politicamente, fazendo visitas ao interior e anunciado o início da bonança.
 
Depois de criar a narrativa da crise causada pelo “desgoverno de seu antecessor”, o governador vinha construindo outra, de que a crise estava passando e que começaria a abrir o cofre. Mas, pelo jeito, com a mesma intensidade que o universo conspira a favor, ele também conspira contra, e a maré de azar de Hartung insiste em não acabar
 
Na semana passada, quando se licenciou, o governador foi visto embarcando para Paris. Isso já causou um grande mal-estar, porque ele deixou de comparecer à Assembleia para prestar contas. No mesmo dia, a Folha de S. Paulo publicava uma matéria sobre o envio dos processos contra os governadores delatados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
 
Esta semana, porém, a situação do governador se complica ainda mais. Nessa segunda, as redes sociais circulavam uma procuração do governador Paulo Hartung ao advogado Willer Tomaz, preso na última quinta-feira, depois da delação do dono da JBS, Joesley Batista pela Polícia Federal. Tomaz foi contratado em abril para defender Hartung no processo da Odebrecht, em Brasília.
 
Para piorar a situação do governador, ele é fotografado em frente a uma loja de roupas de bebê, em Paris. E a foto começa a circular nas redes sociais como rastilho de pólvora. Não há nada de errado em o governador tirar uns dias para descansar, ainda mais depois dessa avalanche de acontecimentos. Mas a omissão sobre seu destino e os desdobramentos da viagem, isso sim, trazem muitos problemas políticos para Hartung.
 
Neste caso, vale mais o conselho bíblico: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm”.
 
Fragmentos:
 
1 – Nesta quinta-feira (26), a Frente Parlamentar da Juventude, presidida pelo deputado Sérgio Majeski (PSDB), promove uma audiência pública, em São Mateus, no norte do Estado. O objetivo é debater a política educacional do Estado. O evento terá início às 19 horas, no auditório do Sindicerv.
 
2 – A ideia é debater a exclusão dos jovens na política educacional do governo Paulo Hartung. Este é um problema que afeta direta e indiretamente toda a sociedade. Números apresentados pelo deputado apontam que mais de 60 mil jovens estão fora da escola no Estado.
 
3 – O debate acontece em São Mateus, um dos municípios em que houve ocupação de escolas por causa da implantação do programa Escola Viva. Os alunos alegam que boa parte deles não pode permanecer o dia todo na escola como determina o programa.

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