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Senta que o leão é manso

Nos preparativos do palco para 2018, Paulo Hartung (PMDB) não incluiu entre seus supostos adversários Luciano Rezende (PPS). Um erro que pode custar caro. O governador tinha convicção, assim como boa parte da classe política, que o prefeito de Vitória entraria na lista de postulantes ao governo apenas em 2022. Ledo engano. Luciano veio da coxia e surgiu no palco como um raio, de forma inesperada. Mais impressionante, apareceu como um intruso e roubou a cena. 
 
A confirmação de que Luciano é uma realidade para 2018 se tornou óbvia na jogada envolvendo a Cesan. O prefeito, ou mais provavelmente seu fiel escudeiro e supersecretário, Fabrício Gandini (PPS), planejou muito bem a estratégia. Ameaçar tirar a concessão dos serviços de água e esgoto das mãos da companhia do governo foi um golpe agudo nos planos de PH, que trabalhava duro para negociar a Cesan, em breve, e fazer caixa. 
 
Luciano ameaçou a jóia mais valiosa da coroa. O movimento político lançou um desafio ao governador, que caiu no jogo do prefeito como um patinho. Moral da história, Luciano entrou na arena e mostrou a todos que o leão é manso. 
 
Com Rose de Freitas (PMDB) transitando de maneira eloquente pelo interior, na tentativa (se saberia mais tarde, frustrada) de promover a campanha do prefeito Gilson Daniel (PV) ao comando da Amunes, as atenções de PH estavam totalmente voltadas para os movimentos da senadora, por considerá-la, até então, a ameaça mais real para 2018. 
 
A propósito, Rose se deu mal no episódio da Amunes. Percebendo que Hartung estava com a guarda baixa, a senadora entrou de cabeça na disputa e rachou o poder municipal. Os prefeitos que, pressionados, acabaram fechando com o candidato de PH, o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PMDB), automaticamente romperam com Rose. Junto com o rompimento foi todo o investimento que a senadora fez nesses prefeitos.
 
Antes de entrar na disputa e rachar com a prefeitada, Rose mantinha larga influência sobre os município. Agora perdeu esse território político e, se quiser reconquistá-lo, terá que remar tudo de novo, e com a maré jogando contra. Rose foi com muita sede ao pote. Jogou todas as fichas em Gilson, fazendo uma aposta de alto risco. Errou a escolher uma figura nada confiável.
 
Além da senadora, PH ainda acompanha de soslaio os movimentos do ex-governador Renato Casagrande (PSB), talvez mais pelo fato de ter sido seu último rival do que necessariamente pela ameaça que representa hoje. Os fatos confirmam a tese de PH. 
 
Imaginem a angústia de Casagrande quando o deputado federal Paulo Foletto (PSB) sai em defesa de sua candidatura ao governo. Chega a ser melancólico. Em pensar que Foletto faz esse movimento de “cabo-eleitoral” de uma candidatura, hoje, improvável, interessado simplesmente em pegar carona no lombo do ex-governador, na busca desesperada da reeleição à Câmara dos Deputados. 
 
Foletto quer assegurar a prioridade da vaga, temendo que amanhã Renato, sem saída, seja obrigado a disputar um assento na Câmara dos Deputados para não continuar em pé (e esquecido) na planície. 
 
Voltando ao “intruso” Luciano que subiu ao palco, esse é um fato que desafia Renato. O ex-governador ainda não sabe como reagir à atitude do prefeito de “furar a fila” de 2018. 
 
O que assusta mais Renato e PH é que o prefeito de Vitória faz um movimento independente. Reafirma sua posição antagônica ao Palácio Anchieta e ao mesmo tempo mantém uma boa distância de Renato Casagrande. Esse distanciamento, aliás, ficou notório durante a crise na segurança pública. Naquela emblemática marcha pela paz, Luciano guardou, literalmente, uma distância de mais de mil metros do ex-governador. 
 
Na recente movimentação em torno da disputa da Amunes, enquanto as principais lideranças municipais se embolavam no grupo puxado por Rose ou se debandavam para o lado do governador, Luciano preferiu ficar incólume a turbulência política gerada pela disputa. Fez questão de mostrar, mais uma vez, que não pertence a grupos políticos. Luciano quer transmitir a opinião pública que é capaz de trilhar seu caminho ao Palácio Anchieta de maneira independente.
 
Ao invadir o palco e roubar a cena, Luciano acalmou a plateia, a exemplo do animador de circo, para avisar: “senta que o leão é manso”.

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