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Na quarta-feira percebi que seis dias de trabalho não foram uma boa opção.

Na segunda-feira deparei com um fato que, por incrível que pareça, nunca me ocorreu. Quando penso que já vi e ouvi tudo sobre todos, algo que nunca despertou suspeitas de repente me surpreende: quem inventou ou estipulou o calendário que hoje usamos, aqueles quadradinhos numerados de 1 a 30/31 que comandam nossos dias e governam nossas vidas? É lógico que dias e anos obedeçam aos caprichos do deus Sol, enquanto a suave  deusa Lua determina meses e semanas… mas quando, como e onde?

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Na terça-feira, descubro que em um mundo que fala mil línguas e adora mil deuses, as normas que governam nossos dias não seriam facilmente estabelecidas. A Revolução Francesa tentou criar a semana de cinco dias e a Revolução Bolchevique queria a semana de dez dias. Outras opções não prevaleceram, e a semana de sete dias se impôs, não apenas respeitando as fases da lua, mas também seguindo o conceito bíblico: Deus descansou no sétimo dia!

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Na quarta-feira percebi que seis dias de trabalho não foram uma boa opção. Melhor viveríamos com um dia apenas. Nos outros seis, missa, praia, almoço em família, academia, badalação com amigos, centro comunitário de fofocas, futebol e cineminha. Ou  tudo ao mesmo tempo e a qualquer hora. Trabalharíamos mais motivados e a sociedade não se desintegraria. Ninguém me ouviu, e os inevitáveis ajustes se tornaram o pomo da discórdia: o Natal e o Ano Novo, por exemplo, deveriam cair sempre no domingo.

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Quinta-feira era o dia de  tirar teias de aranha. Os aniversários deveriam respeitar os dias do nascimento: se eu nasci no sábado, todos os anos meu aniversário deveria cair em um sábado. A folhinha mensal seria sempre igual, sem a intromissão do sol e da lua nos assuntos humanos. Ou seja, complicou geral, e não faltaram espertalhões criando fórmulas mágicas para garantir que nunca chovesse aos domingos… Afinal, foi o dia em que Deus descansou.

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Numa luminosa sexta-feira, o bom senso prevaleceu: as grandes civilizações adotaram a semana de sete dias baseada nos movimentos do sol, da lua e dos cinco planetas então conhecidos. Essa rígida divisão do tempo determinava também o dia a dia dos humanos no trabalho e no aconchego do lar. Agenda da dona de casa americana daqueles idos: Remendar as roupas na segunda-feira; passar as roupas na terça; inspecionar a despensa na sexta; lavar o chão no sábado. 

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 Sábado, pé de quiabo. Quando criança eu dizia quiábado, pra não criar rima de pé-quebrado. Os eventos públicos também obedeciam ao ritmo dos astros: eleições nas segundas e terças; festas e casamentos na quinta; execuções na sexta-feira. Com o advento das fábricas, os pagamentos eram feitos na sexta-feira. Muitos operários se embriagavam e faltavam ao serviço no sábado, vizinho do domingo — assim nasceu a semana de cinco dias  e o advento do Weekend: compras e bailes no sábado, missa, futebol e cinema no domingo. 

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Domingo, pé de cachimbo. Sem relógios, como eles contavam o tempo?  Se já é complicado lidarmos com idiomas e religiões distintas e antagônicas, imagina se cada país tivesse um calendário diferente – Se tem sol, leve o parasol; se trovejar, cubra o espelho com lençol. Se tem vento, não use fermento; se tem lua, vá pra rua. 

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