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Voltando para o jogo?

Embora tão distantes, o governador Paulo Hartung (PMDB) e seu antecessor, Renato Casagrande (PSB), vivem um momento bem parecido. Ambos estão tentando retornar a um espaço do qual estavam evitando, por entenderem o risco que ele representa para ambos. A tentativa de retornar ao debate acontece depois que outras lideranças, como o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), e o da Serra, Audifax Barcelos (Rede), se colocaram como pretendentes ao cargo, diante do vácuo deixado pelos protagonistas.  
 
Durante toda a semana, observou-se uma movimentação do presidente estadual do PSB, o deputado federal Paulo Foletto, para tentar recuperar o espaço de Casagrande, dizendo que ele é candidato do PSB ao governo. Mas, desde que deixou o governo, o socialista tem evitado bater martelo sobre sua pretensão para 2018.
 
Na eleição de 2016, houve uma confluência de partidos em torno do que parecia ser um projeto de Casagrande, unindo PP, PPS, PV, Rede e o PSB. Mas hoje não se observa. E foi justamente por Casagrande não ter se colocado, seus aliados ocuparam esse espaço. Primeiro, Audifax Barcelos, como uma alternativa ao governo para sustentar o palanque presidencial do partido. Uma movimentação que não chegou a empolgar o mercado político. Mas o movimento de Luciano Rezende é bem mais consistente e exigiu uma reação, o problema é que essa reação é tardia.
 
Na mesma linha e com as mesmas preocupações vem o governador Paulo Hartung, que desde a posse afirmou que não disputaria a reeleição, que passaria o cargo para seu vice, César Colnago (PSDB), e agora vem dizer que “não descarta nenhuma possibilidade”. E faz isso em declarações ao jornal Metro, que tem uma grande penetração na Grande Vitória. Quer que a notícia seja destacada mesmo, que se dissemine na população.
 
Sem o espaço que construiu fora do Estado, Hartung entende que pode fracassar no projeto nacional, que não tem um nome para a sucessão que tenha uma eleição sem disputa, como sempre gostou, e o pior, vê um desafeto político, Luciano Rezende, ganhar força diante de sua incapacidade de articular uma estratégia que o desidrate.
 
Enquanto Hartung focava suas energias na tentativa de paralisar os movimentos da senadora Rose de Freitas, Rezende construiu um caminho alternativo e consegue projetar uma imagem muito maior do que esperava o Palácio Anchieta.
 
Daí a necessidade de ambos tentarem retornar ao protagonismo e assumir a polarização para uma revanche ao Palácio. Mas o que sobra disso? Casagrande tem hoje condições de disputar o governo? Muita gente acredita que o tamanho do ex-governador hoje o levaria no máximo à Câmara dos Deputados. E o governador Paulo Hartung, com todo esse acúmulo de desgaste, não seria o caso de apenas terminar o mandato e se aposentar?

Fragmentos:

1 – O grupo da senadora Rose de Freitas (PMDB) continua tentando fortalecer seu nome com outras lideranças políticas, tentando agregar força no interior. Nesta sexta-feira (7) ela seu grupo estiveram em São Mateus, norte do Estado, com a presença do senador Helder Barbalho, para discutir a seca no Espírito Santo.

2 – “Eu penso que uma hora vou assinar uma ficha num partido compatível com minhas ideias”, disse o governador Paulo Hartung na entrevista ao jornal Metro. Resta saber se esse partido existe, afinal, ele já passou por MDB, PMDB, PPS, PSB, PSDB e PMDB outra vez. O governador se diz social-democrata, mas uma social-democracia muito particular.

3 – A entrevista segue o roteiro que Hartung vem usando em suas falas. O problema de saúde, a crise, a austeridade, obras federais no Estado, que ele relaciona como se fossem realizações de seu governo.

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