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Análise: Polissia

 

O mundo atual se mostra mais complexo e qualquer ação cotidiana pode carregar uma tensão não intencional que afete ao próximo. Dessa forma a democracia atual tende a tornar os cidadãos mais frágeis uma vez que promete mais proteção a todos. Assim se cria uma sociedade da desconfiança, onde qualquer um e passível do engano. Dessa forma vimos nossas atitudes modificarem ultimamente. O politicamente correto mostra um caminho a seguir.
 
A divisão de proteção a menores da polícia francesa a cada dia tem que tomar decisões que interferem diretamente na vida familiar de seus cidadãos. Amparando  crianças e jovens de violência e exploração de qualquer forma. Melissa (Maïwenn) é uma fotografa encarregada de registrar o dia a dia e as ações dos membros dessa unidade policial, com ela percebemos, que o assunto é mais complexo que uma simples fotografia.
 
 
Através de um tema tabu e aparentemente simples (quem poderia estar em contra a proteção de menores indefesos?) a diretora e também atriz Maïwenn consegue ampliar a temática e criar uma discussão entre minorias (que é sempre abusada por um machismo ocidental).  A mudança de paradigmas das gerações mais novas, tão sem apego à dignidade (ou ao menos com outra denominação de), cujas fronteiras do particular e do privado muitas vezes se confundem,  a inconsistência infantil que sofre de um “pseudo-amadurecimento” precoce, a ingenuidade, ou mesmo a certeza de impunidade marcam boa parte da trama.
 
Por mais que a mobilidade da câmera aproxime à estética de séries policiais de tv muito em moda desde os anos 80, ganha-se em redução da dramaticidade criando uma imagem mais espontânea, e aventureira, que se embrenha junto com os policiais em ações emocionantes. 
 
O cotidiano de cada membro tenta equiparar a uma profissão qualquer (onde pessoas leem o jornal, traem os esposos, brigam, matam pessoas, coisas habituais). Cria então uma ligação do modo como o trabalho influencia na vida particular, mesmo quando muitas vezes se leva o trabalho pra casa (e pra cama em alguns casos).
 
As músicas infantis sobram, não encontrando um paralelo em ações dramáticas, mas a forma de lidar com o crime muitas vezes já carrega tensão demais. Baseado em casos verídicos da Brigada para a Proteção de Menores de Paris foi o vencedor do festival de Cannes em 2011.

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