Um dia após a apresentação do pedido de CPI de seus atos pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa José Carlos Gratz, o Poder Judiciário começa a se movimentar para julgar as ações que se arrastam há quase oito anos. Nessa quinta-feira (16), o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) firmou uma parceria com a Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), unidade da Polícia Civil, para realizar as perícias nos documentos relacionados aos processos envolvendo a chamada Era Gratz.
De acordo com informações do TJES, a previsão é de que o trabalho de verificação da autenticidade da assinatura de Gratz em atos e cheques – denunciados pelo Ministério Público – seja concluído em até 90 dias. Ao todo, o ex-deputado responde a 74 ações em tramitação na 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual de Vitória, por supostas fraudes no pagamento de subvenções sociais pelo Legislativo capixaba.
Em entrevista concedida ao portal do tribunal, o chefe da SPTC, delegado Guilherme Daré de Lima, afirmou que uma força-tarefa de peritos será reunida para dar maior celeridade aos processos. “Os laudos poderão subsidiar as informações aos juízes para que eles possam concluir os processos e dar uma resposta à sociedade”, avaliou.
Na última terça-feira (15), o ex-deputado apresentou um requerimento de CPI na Assembleia Legislativa para apurar o sumiço de atos e documentos contábeis relacionados à sua gestão, entre os anos de 1999 e 2002. Gratz alega que os documentos saíram dos anais da Casa e nunca mais retornaram ao arquivo da Assembleia, fato que impedia o cumprimento das determinações judicial de perícia sobre o material.
Procurado pela reportagem, o ex-deputado declarou que confia nos trabalhos da Polícia Civil e espera pela absolvição nos processos. “Esses documentos que desaparecem da Assembleia deveriam estar, no mínimo, sob a guarda do Ministério Público. A própria lei diz que o ônus da prova cabe a quem acusa”, cravou.

