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“O julgamento confirmou o que os amigos falaram”, diz tio de Breno

Vilson, do Sofá da Hebe, é condenado a 29 anos e 9 meses após júri

Leonardo Sá

A condenação de Vilson Luiz Ballan a 29 anos e 9 meses de prisão pela morte de Breno Rezende de Carvalho, de 25 anos, foi recebida pela família como a confirmação, no Tribunal do Júri, da versão apresentada desde o início pelos amigos que estavam com o jovem na noite do crime. Para o tio da vítima, Max Célio de Carvalho, o julgamento foi intenso, mas serviu para esclarecer as diferentes versões que chegaram a ser apresentadas durante o processo.

“Pra gente, ficou constatado realmente o que os amigos falaram. Tanto com a reafirmação dos depoimentos deles, mas também com o depoimento das testemunhas que a defesa levou. Não teve contradição, foi praticamente contada a mesma história, com palavras distintas”, afirmou. O empresário, dono do bar Sofá da Hebe, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Vitória por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A sentença também determinou o pagamento de R$ 500 mil de indenização aos familiares.

Breno foi morto com uma facada na madrugada de 15 de março de 2025, após uma discussão envolvendo uma cerveja de R$ 16 que, segundo a investigação, já havia sido paga pelo grupo. Um garçom informou ao empresário que a bebida estava quitada, mas, conforme a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Ballan permaneceu alterado e teria ameaçado o grupo. Os amigos deixaram o Sofá da Hebe e seguiram para um bar vizinho, mas o empresário os acompanhou armado com uma faca. Breno foi surpreendido durante o momento de descontração e atingido. Ele ainda tentou reagir, mas morreu no local.

Durante o interrogatório no plenário, Ballan afirmou não se lembrar dos detalhes do crime devido ao consumo de álcool e medicamentos controlados. Também pediu desculpas à família e disse lamentar o ocorrido. Para Max, porém, a alegação de amnésia não convenceu. O tio classificou a estratégia como “muito teatral” e afirmou que a manifestação do réu foi dolorosa para os familiares.

“Pra gente que é família, escutar uma coisa dessa é muito ruim, porque demonstra que não há arrependimento”, disse. A própria sentença apontou que a alegação de perda de memória não configuraria confissão espontânea capaz de reduzir a pena, considerando que a dinâmica do crime já estava comprovada por imagens, provas e testemunhos.

Além da confirmação da dinâmica do crime, o julgamento mostrou à família a dimensão dos vínculos que Breno mantinha com os amigos. Todos que testemunharam o assassinato sofreram consequências psicológicas e passaram a fazer terapia, relata Max. “Breno já era muito querido na família, mas a gente não tinha noção de como ele se entregava pras amizades dele”, conta, ao descrever como o sobrinho era referência de sustentação emocional para algumas pessoas próximas. “O Breno conseguia, com muito pouco, aglomerar em torno dele pessoas muito especiais. Pra alguns amigos, principalmente duas amigas, ele era sustentação psicológica. (…) Então, a gente percebe que, para a turma de amigos, é o mesmo luto que o nosso”, relata.

Breno havia se formado na área de Tecnologia da Informação e começava a construir a própria empresa. Com ajuda do tio, que também trabalhava no setor, montou o negócio e já havia conquistado o primeiro contrato. Ele também tinha planos de montar uma loja. Segundo Max, era um momento de avanço profissional e de maior autonomia financeira.

“Ele estava se encontrando, naquela fase de iniciar a colheita”, afirma. Breno também começava a sair mais com os amigos e experimentar uma vida social que, segundo o tio, era relativamente recente. Foi nesse contexto que estava na Rua da Lama na madrugada em que foi morto. O caso provocou forte repercussão no Espírito Santo e gerou protestos na Rua da Lama após a missa de sétimo dia da vítima. Amigos e familiares realizaram um ato em frente ao Sofá da Hebe pedindo justiça e cobrando punição para o empresário.

Leonardo Sá

Sobre os R$ 500 mil de indenização fixados na sentença, Max afirma que a família ainda discute a destinação do valor. Uma preocupação especial é com a avó materna de Breno, que, segundo ele, já havia enfrentado outras perdas familiares e tinha no neto uma importante fonte de sustentação. “Ele tem uma vó materna, perdeu o marido, perdeu a filha, e ele era a sustentação dela. Então, perdeu ele também”, afirma.

A defesa de Ballan anunciou que irá recorrer da condenação. O advogado Rodrigo Santos Nascimento afirmou que considera que o consumo de álcool e medicamentos controlados influenciou a capacidade de compreensão do réu no momento do crime e disse acreditar haver margem para reformar a sentença em grau de recurso.

A possibilidade de recurso, contudo, já era esperada pela família. Para Max, o julgamento representa uma etapa importante, mas não encerra os efeitos da morte de Breno sobre quem convivia com o sobrinho. O tio destaca aquilo que considera mais importante preservar após o fim do julgamento: a personalidade do jovem, marcada pela timidez, pelo carinho e pela capacidade de criar vínculos. “Eu acho que a característica que fica, que você vê nas fotos aí, era aquele sorriso. Ele era um menino de poucas palavras. Ele tinha uma timidez característica dele. Então, quando ele se expressava, era com muito carinho. Então, isso faz muita falta pra gente”. descreve.

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