A reivindicação é por um defeso de três meses, como em todo o restante do país e, de preferência, em um único período. Atualmente, o Espírito Santo tem dois períodos: de 15 de novembro a 15 de janeiro e de primeiro de março a 31 de abril, totalizando quatro meses.
Antes dessa definição, o Estado acompanhava o defeso do Sul e Sudeste, que é de um trimestre, próximo ao outono, entre primeiro de março a 31 de março. No Norte e Nordeste, a partir da Bahia, são dois períodos de 45 dias, um na entrada do verão e outro na entrada para o inverno, somando também três meses.
“Estamos há quatro anos brigando. Está em Brasília, no meio ambiente. Queremos três meses, como no resto do Brasil”, afirma Álvaro Martins da Silva, o Alvinho, presidente da Colônia de Pescadores Z-5, de Vitória.
O período mais indicado, informa o presidente da Z-5, seria o que tem sido proposto pelos pesquisadores dos órgãos ambientais e universidades, de 15 de dezembro a 15 de março, de modo a proteger o camarão em sua fase mais vulnerável, quando ele desova bem próximo à praia. Nos demais períodos, esclarece o pescador, a desova acontece mais afastado, o que o torna uma presa menos fácil.
“Mas se não der pra ser esse período, pode ser o mesmo do Sul e Sudeste. Queremos é três meses”, reforça.
A reiteração do pedido dos pescadores artesanais capixabas promete ser levada para Brasília nos próximos dias pelo líder da maioria na Câmara dos Deputados, Lelo Coimbra (PMDB). “Precisamos melhorar a competitividade da produção de camarão em Vitória e demais municípios que contam com essa importante atividade econômica”, argumenta o parlamentar.
Lama
Outra pauta importante estagnada é com a Samarco/Vale-BHP. Segundo Alvinho, 80% dos barcos de camarão de Vitória pescam na Foz e no Rio Doce, mas nenhum deles foi cadastrado nos programas de auxílio emergencial e indenização da Fundação Renova.
O processo foi impetrado ainda em 2015, com os demais pescadores da bacia hidrográfica, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de Colatina. “Mas a Samarco falou na nossa cara que não vai cadastrar a gente”, revolta-se o pescador.
Hoje, devido à contaminação do mar pela lama de rejeitos da mineradora, os barcos pequenos e grandes só podem pescar a uma profundidade superior a 20 metros, o que configura uma distância medida de três milhas da costa. Mas o camarão, explica o líder dos pescadores, se movimenta em várias profundidades, por isso, o animal pescado a 20 metros passou pelas profundidades menores e se contaminou. “Está tudo contaminado”, alerta.

