Gestão de Weverson Meireles ainda não respondeu à pauta, mas sinalizou negociações
Após a repercussão de uma carta de reivindicações entregue ao executivo no início deste mês, os servidores da Serra foram recebidos nessa quinta-feira (23) por Iranilson Casado, secretário-chefe do Gabinete do prefeito Weverson Meireles (PDT), a pretexto de ouvir as principais reivindicações da categoria. No entanto, saíram do encontro ainda sem respostas concretas à pauta e com uma nova data para prosseguir a discussão, no próximo dia 12. O documento reúne críticas à política de pessoal da gestão municipal, elenca demandas consideradas urgentes, e pedia uma reunião com o prefeito até o dia 10 de abril.

“Nós fomos para esse momento entendendo que teria respostas sobre a nossa carta, alguma proposta para dialogar, mas não. Ele deu alguns retornos, mas não respostas”, relata Carla de Oliveira Maria, integrante do fórum articulado pelo movimento, que reúne entidades sindicais e trabalhadores de diferentes setores.
O encontro também contou com a participação dos vereadores Thiago Peixoto (Psol) e Henrique Lima (Podemos), e apesar da falta de contrapropostas, a gestão garantiu que vai apresentar posicionamentos mais objetivos, destaca Carla. Os servidores consideram que houve, ao menos, uma sinalização inicial de abertura para negociação.
“Não é algo pontual, temos demandas de curto, médio e longo prazo”, observa a representante do fórum. A leitura do movimento é de que o tema ganhou dimensão política, o que contribuiu para forçar uma resposta do Executivo, que até então não havia cumprido com a promessa de campanha de dialogar com os servidores.
Entre os principais pontos de pauta, estão a reposição de parte das perdas salariais, por meio de reajuste de 10%, com efeito retroativo a 1º de janeiro de 2026; equiparação do menor salário base praticado no município (R$ 1,5 mil) ao salário mínimo nacional, ficado em R$ 1,6 mil; e ausência de um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) estruturado.
Além disso, cobram a revogação da Lei nº 4602, de 23 de janeiro de 2017, apelidada de “Pacotão da Maldade de Audifax” – em referência ao ex-prefeito Audifax Barcelos (PP) -, por reduzir ganhos e remover benefícios dos trabalhadores. A norma, apontam, estabeleceu medidas de contenção de gastos com prejuízos aos servidores, ao alterar gratificações, quinquênios e adicionais de insalubridade; retirar a folga de aniversário; e impor limites rígidos às despesas com pessoal, o que impactou direitos históricos do funcionalismo municipal.
Sobre o reajuste, Carla afirma que a gestão indicou que há possibilidade de concessão, mas ainda avalia o percentual. Já em relação à equiparação ao salário mínimo, a Secretaria de Planejamento (CGPlan) estaria realizando estudos técnicos, com indicativo de que a medida pode ser viabilizada. No caso da revogação do pacote de medidas, a resposta foi mais cautelosa, com a alegação de necessidade de análise jurídica, especialmente quanto à possível incidência de legislações federais.
O Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos, por sua vez, foi apontado como um tema mais complexo. Segundo Carla, a gestão destacou dificuldades relacionadas ao impacto financeiro e à necessidade de revisão de distorções históricas. “Hoje existem leis específicas que garantem gratificações para algumas secretarias. Quem gritou mais alto conseguiu alguma coisa, e o restante ficou para trás”, destaca a representante dos servidores, defendendo que plano de cargos corrigiria a situação, garantindo equidade e valorização do funcionalismo.
Para a próxima reunião, do dia 12 de maio, a expectativa é de avanços concretos, especialmente em relação ao reajuste salarial e à equiparação ao salário mínimo. No caso do PCCV, os servidores esperam ao menos a definição de um cronograma para início das discussões. “Os servidores alertaram a gestão que, a depender das respostas, o movimento vai elevar o tom. Vamos buscar os meios necessários para garantir nossos direitos”, enfatizou Carla.
‘Grande retrocesso’
Os servidores também descreveram na carta um “grande retrocesso” em seus direitos, ao analisar que mudanças legais e a ausência de recomposição salarial vêm retirando garantias tanto de quem já está no serviço público quanto de quem pretende ingressar. Apontam que essas medidas afetam diretamente a vida dos trabalhadores e comprometem a estrutura do próprio serviço público municipal. Em um dos trechos, afirmam que esse cenário “precariza o estabelecimento de vínculos” e reduz o interesse pelo trabalho no setor público, dificultando a permanência de profissionais e o engajamento nas políticas públicas.
A carta detalha que, entre 2019 e fevereiro de 2026, a inflação oficial ultrapassa 42%, enquanto os reajustes concedidos pela prefeitura ficaram muito abaixo desse patamar. Os servidores classificam a situação como uma “desvalorização salarial crônica”, com perda real de poder de compra ao longo dos últimos anos.
Os trabalhadores também listam uma série de medidas que consideram agravantes da situação, como o aumento da alíquota previdenciária para 14% e alterações no estatuto do servidor. Outro ponto de crítica é a desigualdade entre carreiras. Enquanto os servidores efetivos acumulam perdas, o documento destaca que cargos comissionados receberam aumentos expressivos ao longo dos anos. Também é citado o reajuste de 92% concedido aos vereadores em 2023, apontado como um contraste direto com a realidade enfrentada pela base do funcionalismo.
Para sustentar a viabilidade das propostas, a carta aponta que o município está abaixo do limite legal de gastos com pessoal, o que abriria espaço para reajustes sem comprometer o equilíbrio fiscal. O documento ainda cita a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que autoriza revisões salariais e reestruturações de carreira, desde que haja previsão orçamentária.

