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Pedra da Cebola: Protetor contabiliza 28 aves e 9 saruês mortos na gestão Pazolini/Samorini

Novos gansos mortos reacendem denúncias de abandono do parque

Redes sociais

Dois gansos encontrados mortos atolados na lama de uma das lagoas do Parque Pedra da Cebola elevaram para 37 o número de aves e saruês mortos contabilizados pelo protetor animal Fernando Furtado de Melo durante a gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Cris Samorini (PP). O novo episódio foi registrado poucos meses após o voluntário denunciar o que chamou de “Natal de horror” no parque e reacendeu acusações de abandono da fauna, falta de manutenção das lagoas e descaso da administração municipal. Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Vitória não respondeu aos questionamentos encaminhados sobre o caso até o fechamento desta edição.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais depois que Fernando publicou um vídeo alertando para a situação das lagoas. Segundo ele, uma delas havia se transformado praticamente em um lamaçal, onde encontrou um ganso morto na sexta-feira (17). No domingo (19), outro animal foi encontrado nas mesmas condições, afirmou. “Cheguei e vi uma lama horrível e um ganso atolado morto. No domingo, outro ganso atolado morto. Cheguei em casa completamente surtado por causa de tanto descaso”, relatou.

Segundo Fernando, o vídeo ultrapassou 150 mil visualizações e foi somente depois da repercussão que a prefeitura enviou caminhões-pipa para abastecer uma das lagoas. “Pensei: ou assisto ao jogo ou faço um vídeo dizendo que vai morrer bicho. Resolvi publicar. No dia seguinte foram seis caminhões-pipa encher aquela lagoa”, comentou. Embora reconheça a ação emergencial, o protetor avalia que o problema é recorrente e é ocasionado pela falta de manutenção permanente do sistema hídrico do parque. “Não existe estrutura de bombeamento. Eles só colocam água quando a lagoa praticamente seca”, destaca.

No fim de dezembro do ano passado, Fernando denunciou o desaparecimento e a morte de diversos animais no parque, quando registrou a morte de nove saruês e 26 aves mortas. Os dois gansos encontrados mortos nesta semana elevam para 37 o número de aves e saruês mortos, mas a contagem não inclui gatos desaparecidos ou mortos ao longo dos últimos anos. Segundo ele, dezenas de gatos abandonados deixaram de ser localizados após mudanças na gestão do parque. Como não foi possível confirmar individualmente todos os desaparecimentos, os felinos não integram o levantamento apresentado pelo protetor.

Além dos episódios recentes, Fernando afirma que diversos problemas permanecem sem solução. Entre eles estão a ausência de câmeras de monitoramento, o abandono de gatos e falhas estruturais em áreas do parque. Segundo ele, uma área anteriormente interditada foi reaberta sem que fossem instaladas proteções em um desnível de aproximadamente 30 metros. O protetor avalia que existe risco grande de queda, principalmente de crianças que correm pelo local.

Outra preocupação envolve um terreno vizinho ao estacionamento do parque, alvo de mobilização de moradores e defensores da causa animal desde o ano passado. Na petição, o grupo critica a proposta de construção de um centro de convivência e de espaços para associações comunitárias no terreno, localizado na Rua Vicente de Oliveira, na Mata da Praia, em Vitória. Eles afirmam que a área, embora pertença ao município, foi incorporada ao parque na gestão anterior e, desde então, passou a receber manutenção regular, com limpeza e conservação da vegetação.

“A gente não tem garantia nenhuma de que, depois da eleição, não chegue um trator lá para começar uma obra”, alerta Fernando. Ele também critica a falta de retorno a um requerimento de informações apresentado há dois meses pelo vereador Jocelino (PT) sobre o destino do terreno.

Leonardo Sá

‘Prioridade permanente’

Na segunda-feira, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente publicou um vídeo nas redes sociais em que afirma que a conservação da Pedra da Cebola é uma “prioridade permanente” da Prefeitura de Vitória. Na gravação, o secretário afirma que equipes trabalham diariamente na limpeza, manutenção das áreas verdes e acompanhamento dos animais que vivem no parque. Também cita investimentos em novos equipamentos públicos, como parque inclusivo, mirante e fazendinha, e diz que todas as ocorrências envolvendo a fauna recebem acompanhamento das equipes responsáveis.

Apesar da manifestação pública, a Prefeitura de Vitória não respondeu aos questionamentos enviados pelo Século Diário sobre as mortes dos gansos, a frequência de abastecimento das lagoas, a existência de monitoramento da fauna, os protocolos adotados para evitar novas mortes e as denúncias apresentadas pelo protetor. Até o fechamento desta reportagem, a administração municipal também não havia informado se realizou perícia para identificar a causa da morte dos dois gansos nem esclarecido por quanto tempo a lagoa permaneceu em condições consideradas críticas pelos voluntários.

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