Na disputa do segundo turno, em que as estratégias são fundamentais para tentar superar o opositor, o papel dos candidatos a vice na chapa dos prefeitáveis ganha destaque no jogo político. Na primeira fase da disputa, dois vices se saíram bem e ajudaram seus candidatos a chegar na frente: Rafael Favatto (PRB), candidato a vice de Rodney Miranda (DEM), em Vila Velha, e Waguinho Ito (PR), candidato a vice de Luciano Rezende (PPS), em Vitória.
O ex-deputado estadual Rafael Favatto foi importante para a campanha de Rodney justamente por conta do traquejo político. Médico, ele tem um público cativo no município, sobretudo na região de Paul e São Torquato. Embora tenha sofrido alguns desgastes na região, ainda mantém um capital político considerável, até porque ampliou sua base para o restante do município.
No palanque de Neucimar Fraga (PR), o vice Fábio D’Avila (PSB) tem um peso político importante. Ele é presidente do PSB canela-verde e é o elo da campanha do prefeito à reeleição com o governo do Estado, do também socialista Renato Casagrande. Reverter esse peso político em votos vai depender da estratégia adotada pelo republicano.
Em Vitória, o candidato Luciano Rezende (PPS) tem como vice o radialista e evangélico Waguinho Ito (PR). Isso fez com que o candidato do PPS conseguisse captar votos do público evangélico, mesmo sendo ligado à Igreja Católica. Outro fator favorável ao palanque é que, como radialista, ele consegue uma penetração em várias camadas do eleitorado, ouvintes de seu programa de rádio, o que populariza a candidatura.
No palanque de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), o vice é o ex-secretário de Educação do Estado e ex-presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), Haroldo Rocha (PMDB). O vice de Luiz Paulo tem um perfil técnico e pouco traquejo político, o que dificulta uma aproximação com o eleitor. O grupo tenta destacar sua capacidade técnica, mostrando a qualificação dos quadros no palanque. Resta saber se isso rende votos.
No município de Cariacica, o papel dos vices não chega a superar a popularidade dos dois candidatos a prefeito. Juninho (PPS) tem como vice o capitão PM Bruno Polez (PRB), com forte inserção entre os militares e reforça o palanque do candidato do PPS nesta questão da segurança, o que pode ajudar na disputa.
Já o vice de Marcelo Santos, Niltinho Basílio, do PSDB, vive sua primeira experiência eleitoral. Ele tenta mostrar que a experiência como procurador do município pode ajudar na construção de políticas públicas de excelência, já que conhece de perto as necessidades dos moradores.
Se o cargo é de expectativa, na disputa eleitoral os vices podem se destacar ajudando seus candidatos a prefeito, ou simplesmente assumirem já nessa etapa um papel coadjuvante. Isso pode ser decisivo em disputas equilibradas, como será o segundo turno nesses três municípios.

