
Ex-governador confirma liderança e volta ao Senado, enquanto deputado do Republicanos consolida crescimento e conquista a segunda vaga
Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos) foram eleitos neste domingo (4) para representar o Espírito Santo no Senado Federal a partir de 2027. Casagrande terminou na primeira colocação, com uma vantagem de aproximadamente 10 mil votos sobre Evair, em uma disputa marcada pela proximidade entre os dois candidatos. O ex-governador teve 24,71% dos votos válidos, aproximadamente 995.361 votos. Evair obteve 24,39%, 982.978 votos. Em terceiro ficou Maguinha Malta (PL), com 760.008 votos (18,89%). Em seguida, aparecem Fabiano Contarato (PT), 520.692 votos (12,94%); Sérgio Meneguelli (PSD) com 301.477 (7,49%); Marcos Do Val (Avante), 167.847 (4,17%); Rose de Freitas (MDB), 164.338 votos (4,08%); Callegari (DC), 50.144 votos (1,24%); Professor Fabian (Psol), 42.887 votos (1,06%); Leonardo Monjardim (Novo), 25.505 votos (0,63%); e Rodney Miranda (PRTB), 15.698 votos (0,39%).
O resultado confirma a liderança que o ex-governador apresentou durante boa parte da campanha, mas também revela uma diferença muito menor do que aquela indicada por alguns levantamentos eleitorais. Na pesquisa Quaest divulgada na véspera da votação, Casagrande tinha 31% dos votos válidos, contra 18% de Evair; já a AtlasIntel, realizada até 2 de outubro, mostrava 24,3% para o socialista e 21,7% para o republicano.
A eleição representa o retorno de Casagrande ao Senado depois de 16 anos. Ele exerceu mandato na Casa entre 2007 e 2010, quando deixou o cargo para assumir o Governo do Espírito Santo, e posteriormente construiu uma trajetória que incluiu três mandatos à frente do Executivo estadual.
A campanha foi estruturada principalmente em torno da experiência administrativa e da capacidade de articulação política. Ex-governador, ex-senador, ex-deputado federal, ex-vice-governador e ex-deputado estadual, Casagrande apresentou a experiência acumulada como principal credencial para o retorno a Brasília.
Desde os primeiros levantamentos, o nome dele apareceu na liderança da corrida. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 30 de setembro, por exemplo, Casagrande tinha 28%, enquanto Evair aparecia com 12%, empatado com Fabiano Contarato e Maguinha Malta.
A campanha, porém, não terminou com a larga vantagem sugerida por parte das pesquisas. A votação mostrou que Evair conseguiu reduzir significativamente a distância e transformou a eleição pela segunda vaga em uma disputa também pela primeira colocação.
Evair transforma crescimento em vitória
Evair de Melo chega ao Senado depois de três mandatos como deputado federal e de uma trajetória política fortemente vinculada ao interior capixaba, à agricultura e ao setor produtivo.
A campanha foi marcada pelo esforço de ampliar uma base originalmente ligada ao agronegócio e às regiões do interior. O deputado também procurou construir uma rede de apoios que ultrapassasse os limites mais estreitos da aliança partidária.
A movimentação foi perceptível nas pesquisas. Se no início da corrida Evair aparecia distante dos primeiros colocados, na reta final passou a disputar diretamente as duas vagas. Na AtlasIntel, divulgada em 3 de outubro, ele já registrava 21,7%, apenas 2,6 pontos atrás de Casagrande.
Na Quaest, divulgada na véspera da votação, Evair alcançou 18% dos votos válidos, empatado com Maguinha Malta e atrás apenas de Casagrande.
A campanha mostrou, portanto, uma curva ascendente. O resultado nas urnas confirma que esse crescimento foi suficiente não apenas para garantir a eleição, mas para colocar Evair muito próximo do primeiro colocado.
O aspecto mais relevante do resultado é a distância entre os dois eleitos. Casagrande termina à frente por cerca de 10 mil votos, uma diferença pequena diante de um eleitorado de quase 3 milhões de pessoas no Estado.
A fotografia final também contrasta com alguns levantamentos divulgados antes da votação. A Quaest indicava uma vantagem de 13 pontos percentuais para Casagrande sobre Evair, enquanto a AtlasIntel apontava uma diferença de apenas 2,6 pontos.
A segunda pesquisa acabou se aproximando mais do desenho encontrado nas urnas. O resultado mostra, ainda, a velocidade com que Evair avançou durante a campanha e a capacidade de transformar uma posição inicialmente secundária em uma votação praticamente empatada com a do ex-governador.
A eleição para o Senado tem uma particularidade decisiva: cada eleitor escolhe dois candidatos. Isso faz com que a capacidade de conquistar o chamado segundo voto tenha peso importante na formação do resultado.
Duas campanhas, dois perfis
Casagrande construiu a candidatura a partir de uma trajetória política extensa e de forte presença institucional. A experiência como governador por três mandatos foi o principal elemento utilizado para apresentar a candidatura ao Senado como uma continuidade da atuação em defesa dos interesses do Estado.
Evair seguiu caminho diferente. A força eleitoral que apresentou foi construída principalmente na Câmara dos Deputados e nas relações estabelecidas com municípios, produtores rurais e setores ligados à economia do interior.
A diferença entre os dois perfis também marcou o discurso eleitoral. Casagrande buscou se apresentar como um nome de ampla capacidade de diálogo e articulação institucional, enquanto Evair enfatizou a defesa do setor produtivo, do agronegócio e das demandas dos municípios.
O resultado coloca no Senado dois políticos que chegam à Casa Alta com experiências diferentes. Casagrande retorna a um espaço que já conhece; Evair inicia uma nova etapa na carreira parlamentar.
A eleição também modifica o desenho político da representação do Espírito Santo no Senado. Casagrande ocupará uma das duas vagas em disputa, enquanto Evair assumirá a outra, em uma bancada que continuará tendo Magno Malta (PL), cujo mandato vai até 2030.
A composição reunirá, portanto, três trajetórias e posicionamentos políticos distintos. Casagrande representa o PSB e uma tradição de centro-esquerda, Evair chega pelo Republicanos, identificado com o campo conservador, e Magno Malta permanece como uma das principais referências da extrema direita capixaba.
Para Casagrande, a eleição significa o retorno ao Congresso depois de mais de uma década concentrado na política estadual. Para Evair, representa a consolidação de uma trajetória iniciada na política ligada ao interior e ampliada durante três mandatos na Câmara.
A diferença de aproximadamente 10 mil votos dá ao resultado uma característica particular: Casagrande confirma a liderança construída durante a campanha, mas Evair chega praticamente junto.
A partir de 2027, os dois terão oito anos de mandato para transformar o capital eleitoral em atuação parlamentar. A disputa apertada deixa como primeira marca da nova bancada uma constatação: embora tenham percorrido caminhos políticos diferentes, Casagrande e Evair chegam ao Senado separados por apenas alguns milhares de votos.

