Embora muito frutífera para as lideranças dos dois partidos, a aliança de PT e PDT para a disputa de 2018 vai depender muito do cenário nacional e das modificações esperadas para nas regras eleitorais do próximo ano. Com projetos de disputa à Presidência da República, os dois partidos devem ingerir como nunca nas movimentações regionais para dar sustentação aos palanques de seus presidenciáveis.
Segundo a coluna Plenário, do jornal A Tribuna, desta quarta-feira (26), os presidentes do PT, João Coser, e do PDT, Sérgio Vidigal, já iniciaram as conversas para o processo eleitoral de 2018. Na disputa passada a união das duas siglas na proporcional garantiu três, dos dez deputados federais que compõem a bancada capixaba, além de cinco cadeiras na Assembleia Legislativa.
Uma coligação com Vidigal e Coser disputando puxaria uma coligação muito exitosa, com capacidade de eleger dois ou três parlamentares em 2018. Vidigal foi o mais bem votado de 2014 e Coser tem um eleitorado cativo em Vitória.
Na majoritária, o PDT apoiou a campanha de Paulo Hartung (PMDB) e o PT, embora tivesse candidato, recebeu apoio indireto do peemedebista na campanha ao senado de João Coser. O partido fez parte da base palaciana até o mês passado, quando foi cumprida uma resolução do congresso estadual do PT, realizado em maio, definindo a entrega dos cargos e a saída da base.
Nacionalmente, o PT tem como meta a retomada do governo, seja com uma candidatura do ex-presidente Lula ou um “plano B”, encabeçado pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. O PDT aposta suas fichas no palanque do ex-ministro Ciro Gomes, hoje rompido com Lula. Há nos dois partidos quem ainda alimente a possibilidade de uma aliança, mas a imprevisibilidade das ações do presidenciável pedetista adia qualquer decisão.
Caso aconteça uma união nacional, um dos dois partidos pode ter de oferecer um candidato majoritário para sustentar o palanque presidencial no Estado. No PDT, o nome do próprio Vidigal oferece a melhor alternativa. No PT, os movimentos em torno do ex-prefeito de Cariacica e deputado federal Helder Salomão são indicações mais palpáveis. Um palanque que também seria forte para os dois partidos. Helder tem respaldo nos movimentos sociais, da Igreja Católica e a imagem ilibada. Embora o PT não tenha um desempenho muito forte no Estado, o deputado federal tem condições de superar o selo PT, erguendo uma candidatura bem diferente da de Roberto Carlos em 2014.
Já as alianças dessas legendas com Hartung ou Casagrande dependeriam de muitas variáveis. A primeira sobre a real intenção das duas lideranças em repetir a sangrenta disputa de 2014. Nos meios políticos chegou-se a comentar, e muito, uma tentativa de aproximação entre Hartung e Casagrande que teria sido articulada pelo próprio Vidigal, mas que não teria sido profícua.
Tanto o PMDB de Hartung quanto o PSB de Casagrande estão distantes do projeto nacional do PT e PDT, mas também há caminhos a serem abertos. Se Hartung sair do PMDB, João Coser terá a condição de realinhar o partido com ele, a menos que o governador se filie ao PSDB ou DEM, o que inviabilizaria uma aliança oficial. Em relação a Casagrande, uma das correntes socialistas defende a reaproximação com o PT, mas outras três correntes levam o partido para outro lado, o que também impediria ligações locais.
Vidigal tem relações mais próximas com Hartung do que com Casagrande, embora o ex-governador já tenha sido secretário de Meio Ambiente da Serra, em uma das gestões do pedetista. Mas a ligação de Vidigal ao senador Ricardo Ferraço (PSDB) e ao secretário de Ciência e Tecnologia, Vandinho Leite (PSDB), facilitem mais o trânsito com o peemedebista.
Essas variáveis são válidas apenas se prevalecer o sistema político atual. Mas independentemente das mudanças, a necessidade de eleger deputados federais, de olho no fundo partidário, hoje é premente para todas as siglas e deve ser prioridade nas negociações para o processo eleitoral.

