Para o cientista político e professor de Sociologia Vítor de Angelo, a entrevista coletiva concedida pela cúpula do Estado na manhã desta quarta-feira (8) não trouxe novidades do ponto de vista da negociação com o movimento para o retorno dos policiais militares às ruas.
Mas, do ponto de vista político, mostrou o duro discurso do governador licenciado Paulo Hartung (PMDB), tanto em relação ao movimento da PM quanto às acusações veladas a um grupo de atores políticos que teriam atrapalhado o processo de negociação.
O professor analisou o teror da coletiva do governo do Estado.
Negociação
“A entrevista coletiva de lideranças do governo estadual, nesta quarta, não trouxe elementos novos. O discurso da intransigência, legitimado pelo discurso mais amplo do ajuste fiscal e da crise econômica, foram reproduzidos mais uma vez. Manteve-se a opção pela falta de diálogo com a categoria até que os policiais militares voltem às ruas e a desqualificação do movimento”.
Chantagem
“O governador Paulo Hartung fez um duro discurso, deixando transparecer até mesmo certo descontrole da situação, chamando os policiais de 'chantagistas' que exigem “resgate pela liberdade do povo capixaba'. De novidade, apenas a incorporação de novos elementos ao discurso oficial, na medida em que o próprio desenrolar da conjuntura traz novos fatos”.
Oposição
“Destaco a crítica aberta, porém, evasiva, à atuação de uma oposição política no sentido de tentar atrapalhar as “negociações” entre o governo e familiares dos policiais. Sem citar nomes, o secretário André Garcia, o governador em exercício e o governador licenciado acusaram a senadora Rose de Freitas e alguns deputados estaduais de tentarem fazer uso político da crise.

