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Envergonhado’ com decisão do Senado que devolveu mandato a Aécio, Ricardo Ferraço se licencia do cargo

Ricardo Ferraço (PSDB) vai se licenciar do mandato de Senador. Em missão oficial a Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), o senador afirmou estar “envergonhado” com a decisão do Senado, que nessa terça-feira (18) votou pelo retorno do senador Aécio Neves às atividades parlamentares. Em seu lugar assume o primeiro suplente, o empresário Sérgio Rogério de Castro (PDT), que é CEO da Fibrasa e pai do atual presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Léo de Castro.
 
Segundo o blog da coluna Radar, da Revista Veja, o senador capixaba, embora seja correligionário e afilhado político de Aécio, faltou à sessão de ontem (17) e nunca escondeu ser favorável ao afastamento do colega. Ricardo Ferraço se disse indignado com o resultado da votação que devolveu o mandato a Aécio. “Vou me licenciar do mandato. Estou com vergonha de ser político”, disse o senador à coluna Radar. 
 
O senador afirmou ainda que seus correligionários reproduziram o comportamento que apedrejavam até outro dia. “O PSDB fez exatamente aquilo que o PT fazia e nós condenávamos. Estou fora”, concluiu. Na verdade o “fora” se refere à licença.
 
O comportamento de Ricardo Ferraço tem sido visto de forma controversa nessa história. Para as lideranças do PSDB nacional, não havia justificativa para o senador reagir com agressividade desproporcional ao caso Aécio. Algumas lideranças tucanos lembraram que foi Aécio quem abonou a ficha de filiação do capixaba ao PSDB. Mas para os observadores, o movimento de Ricardo Ferraço é de pura sobrevivência política. 
 
O senador tem sofrido desgastes na reta final de seu mandato. Primeiro com a denúncia da Odebrecht. As delações acusam o senador de ter recebido recursos de caixa dois para a campanha de 2010. O inquérito aberto contra Ferraço resultou num processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, como relator da reforma trabalhista, o senador desagradou uma parte considerável do eleitorado. Em busca de recuperação de sua imagem para a disputa à reeleição, o posicionamento em relação ao colega de partido seria uma tentativa de mostrar ao eleitor seu compromisso com a ética.
 
A movimentação, porém, pode ser um jogo arriscado, que pode garantir sua reconciliação com o eleitor ou causar mais desgaste. Isso porque, a viagem a Abu Dhabi em um momento tão importante pode não ser bem interpretada. Ferraço criou uma expectativa muito grande ao votar pelo adiamento para essa terça-feira do julgamento de Aécio. Por isso, a situação é arriscada.
 
A ausência no dia de uma votação desta importância causou estranheza dentro do PSDB e no mercado político, já que Ricardo não esteve no centro da polêmica do caso Aécio, criticando a permanência do colega na Casa. “[A decisão do senado] foi a gota d'água. Mas já vinha amadurecendo há algumas semanas. Quero passar mais tempo com os capixabas e mais longe de Brasília”, disse o senador na nota, justificando sua licença.
 
Em nota, o senador afirmou que não vai deixar o cargo em definitivo. “Vou me licenciar por um período no mandato, conforme previsão legal. Vou me licenciar durante este período até 15 de dezembro. Como determina a lei, este período não é remunerado. Em meu lugar, estará atuando o meu suplente Sérgio Rogério de Castro”, disse.
 
Viagem
 
O tamanho da indignação do senador não corresponde a importância da viagem. Escolher entre participar da votação que decidiria o futuro de Aécio e participar de uma reunião de empresários foi uma escolha exclusiva de Ricardo Ferraço. Ele foi a Abu Dhabi para participar do 1º Encontro Empresarial Brasil-Emirados Árabes Unidos. No encontro, a indústria brasileira apresentou projetos privados em setores como alimentos e bebidas, construção civil, aeronáutica, metalurgia, petróleo e gás, agroindústria, têxtil e tecnologia da informação e comunicação, além das concessões no próximo ano em portos, aeroportos, rodovias e obras em saneamento. Ele já está retornando ao País. 
 
Suplente
 
O suplemente de Ricardo é o empresário Sérgio de Castro. Natural de Muriaé (MG), Castro está radicado no Estado há mais de 40 anos. Aos 77 anos, ele preside a Fibrasa, uma das primeiras empresas a se instalar no CIVIT, na Serra. Engenheiro mecânico de carreira, presidiu a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) de 1989 a 1992. 
 
Recentemente, ele ganhou visibilidade política, por ter atuado como intermediário junto aos empresários capixabas em busca de um entendimento para evitar o fracasso da concessão da BR 101. Afinal, a Eco101 tem sociedade com grandes empresários locais, todos do círculo de relacionamento de Castro.

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