Para quem prometeu fazer palanque para o presidenciável Aécio Neves (PSDB) no Estado, a participação do governador eleito Paulo Hartung (PMDB) na campanha do tucano pode ser considerada pra lá de discreta. Hartung, como tem sido praxe nas três últimas eleições, prefere manter distância dos palanques presidenciais, sobretudo dos candidatos do PT.
De olho nas pesquisas eleitorais, Hartung se movimento de acordo com os números. Se Aécio cai, ele se afasta ainda mais do tucano. Se bem que essa movimentação é sempre para dentro, nos bastidores. As pesquisas eleitorais (Ibope e DataFolha) publicadas no meio da semana confirmavam o favoritismo de Dilma sobre Aécio nesta reta final da disputa. Os dados preocuparam Hartung e lhe provaram, mais uma vez, que a discrição é a melhor estratégia diante de um cenário tão indefinido. As pesquisas desta sábado (25) dos mesmos institutos, apuraram uma sensível reação de Aécio, mas Dilma, segundo a pesquisa Ibooe, ainda tem seis pontos de vantagem. No DataFolha a diferença é menor, quatro pontos.
A escapada de Dilma nas pesquisas do meio da semana, fez o governador eleito movimentar seu “cavalo” (uma das peças mais estratégicas do xadrez). O “cavalo” de Hartung, também conhecido como João Coser, foi incumbido de abrir uma atalho para o governador eleito até Brasília, já considerando a possibilidade de Dilma ser confirmada a mandachuva do Planalto pelos próximos quatro anos.
O presidente regional do PT já estaria conversando com a cúpula petista para apaziguar os ânimos entre Dilma e Hartung. O peemedebista, além de fazer opção aberta pelo palanque tucano, nos momentos de empolgação, chegou a fazer críticas mais diretas ao governo da presidente. Não se pode dizer que Hartung é um cabo eleitoral de carterinha de Aécio, longe disso. Mas Dilma se certificou novamente, como já acontecera com Lula em 2002 e 2006, e com ela mesma em 2010, que não pode confiar no peemedebista capixaba.
Se a aproximação com o PT é delicada, no caso de vitória de Aécio a missão de Hartung também não será tão simples. O presidenciável mineiro, que de bobo não tem nada, percebeu claramente o esfriamento de Hartung nos momentos mais difíceis da campanha, justamente quando Aécio precisa de mais apoio.
A discrição excessiva de Hartung pode fazer o tucano, caso eleito, desistir da promessa que fez aos capixabas durante a campanha de “incluir” o Espírito Santo no mapa do Brasil.
Independente de quem saia vitorioso neste domingo, o governador eleito tem um trunfo a seu favor. A sangrenta disputa entre tucanos e petistas dividiu o país e deixou cicatrizes profundos em ambos os lados.
O novo presidente, seja Aécio ou Dilma, terá a difícil missão de cuidar dessas feridas para garantir a governabilidade. O vencedor precisa ser o primeiro a hastear a bandeira da paz e convencer o povo de que quer ser o presidente de todos os brasileiros, independente da coloração partidária.
Neste clima de armistício que deverá ser criado após as eleições, seria pouco inteligente que o presidente eleito desperte confrontos que ficaram na disputa. Hartung pode se beneficiar desta trégua forçada, sem se esquecer, porém, que a paz não é sinônimo de privilégios. Os privilégios só serão concedidos aos que se mostraram fiéis.

