O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) admitiu, em sabatina realizada pela Rádio CBN Vitória nesta quarta-feira (13) com os candidatos a governador, a realização de viagens internacionais pela então primeira-dama, a psicóloga Cristina Gomes, como revelou a reportagem de Século Diário nesta terça-feira (12). O peemedebista classificou como “importante que a esposa do governador o acompanhe em uma missão ao exterior”. No entanto, Hartung não deu qualquer explicação sobre os gastos de verbas públicas nas viagens da mulher – que totalizaram R$ 83,7 mil em passagens aéreas e diárias em hotéis de luxo, entre os anos de 2007 e 2010.
O turismo da ex-primeira-dama foi o tema que provocou o maior desgaste ao peemedebista, que demonstrou contrariedade ao ser abordado sobre o assunto – publicado também na coluna do jornalista Cláudio Humberto nesta quarta-feira (12), que é reproduzida em dezenas de jornais em todo o País. “Se a Casa Militar está informando, é verdadeiro. Não tem viagem a Paris. Tem viagem a China e Singapura. O que nós fomos fazer lá? É importante que a esposa de um governador o acompanhe em uma missão de diplomacia comercial como essa. Fomos lá trazer o estaleiro Jurong. Foi um gol de placa”, afirmou o ex-governador.
Durante os poucos minutos destinados ao tema na sabatina, Hartung tentou minimizar o escândalo ao considerar a atração de novos investimentos como o ponto primordial: “O governador tendo uma atitude proativa na atração de investimentos, isso é que nós estamos precisando no Espírito Santo”, bradou. Ele associou a viagem aos Estados Unidos à “atração” de investidores do grupo Edson Chouest – que pretende instalar um projeto portuário em Itapemirim – e à Alemanha para a participação no encontro bilateral entre os dois países.
Sem conseguir dar respostas convincentes sobre o tema, o peemedebista decidiu partir para o ataque ao classificar a divulgação das informações como “baixaria política”. Ele chegou a insinuar que o governador teria “operado” na Assembleia Legislativa – que havia solicitado as informações sobre as viagens das últimas primeiras-damas, a pedido do deputado Sandro Locutor (PPS). Ao longo da entrevista, o ex-governador não tentou sequer explicar os gastos com passagens aéreas, também em trechos nacionais, e do pagamento de diárias em hotéis de luxo nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, os gastos com a ex-primeira-dama chegaram a R$ 83,7 mil somente no último mandato do peemedebista.
Segundo o relatório da Secretaria da Casa Militar, Cristina Gomes realizou 60 viagens para outros locais do País – sendo 33 trechos entre Vitória e os três aeroportos em solo paulista (Congonhas; Guarulhos; e Viracopos, em Campinas – este último, aproximadamente a uma hora de São Paulo) e 26 voos com destino ao Rio de Janeiro (com destino final nos aeroportos do Galeão e Santos Dumont). No período, a ex-primeira-dama realizou apenas uma viagem para Brasília. Somadas, todas as passagens nacionais totalizaram um gasto de R$ 26.337,50.
Além das passagens aéreas, o governo do Estado também arcou com gastos com hospedagem em hotéis de luxo nas duas cidades – todas as instalações com quatro estrelas, no mínimo. Entre 2007 e 2010, Cristina Gomes se hospedou nos endereços mais nobres da capital paulista, como o tradicional Hotel Transamérica e o Caesar Business São Paulo, localizado na famosa Avenida Brigadeiro Faria Lima. No Rio de Janeiro, a ex-primeira-dama optou por hotéis na zona sul, como o Renaissance (JW Marriott), na orla de Copacabana; no Promenade, na Barra da Tijuca; e no Marina All Suítes, na Avenida Delfim Moreira no Leblon. Ao todo, o Estado pagou R$ 9.639,30 em diárias que, em alguns casos, não têm relação direta com os registros de passagens aéreas.

