Talvez não tenha sido uma boa ideia Paulo Hartung (PMDB) ter se mudado para Vitória. Afinal, a agenda do governador tem sido intensa no município canela-verde.
Nos últimos dias, o governador tem mostrado que está disposto a pôr todos os recursos a serviço do projeto de reeleição do prefeito Rodney Miranda (DEM). No pacote de esforços estão os recursos financeiros — dinheiro mesmo, algo que se tornou raridade no governo Hartung, mas aparece do nada quando o assunto é a candidatura de Rodney; e de imagem, que inclui os direitos de uso da grife Hartung, agora na nova versão popular, que traz como principal atrativo o deputado estadual Amaro Neto (PMB), que é tratado por Hartung como “artista”.

De fato é preciso ser artista e também maratonista para salvar o projeto Rodney, que tem tido uma agenda alucinante. Na quinta-feira (25), Hartung assinou convênio com a prefeitura para ampliar a rede de esgoto no município. Proposta quer tratar em 10 anos 100% dos esgotos na cidade. O projeto chama a atenção não porque esgoto agora está na moda, mas porque prevê investimentos milionários do governo do Estado em tempos de dieta do sal.
Na sexta (26), o governador voltaria a Vila Velha para entregar 496 casas do Minha Casa, Minha Vida, no bairro Jabaeté, junto com o prefeito Rodney Miranda (DEM), é lógico. No mesmo bairro a dupla inauguraria ainda a 4ª Companhia do 4º Batalhão da PM. Os dois, com o reforço do deputado estadual Amaro Neto (PMB), apareceriam juntos ainda para a cerimônia de assinatura da ordem de serviço para construção de duas estações de bombeamento (Praia da Costa e Sítio Batalha) que prometem solucionar os problemas de alagamentos na região.

O site oficial da prefeitura registra a agenda dinâmica do (candidato) Rodney. Todas noticiadas com fartura de imagens do prefeito com o governador. Algumas trazem também o novo talismã de Hartung, o deputado Amaro Neto, que também é pré-candidato à prefeitura de Vitória.
Em uma das fotos em destaque no site (acima), Hartung e Rodney se espremem entre os populares contemplados pelo programa do governo federal. Com as chaves nas mãos, até parecem os legítimos provedores do programa Minha Casa, Minha Vida. Nessas horas também se esquecem das críticas que têm feito ao governo federal.
Embora no discurso Hartung goste de afirmar que evitará entrar nas eleições municipais, na prática ele já está de cabeça na campanha de Rodney. Hartung, que reivindica para si o título de liderança identificada com a chamada nova política, continua fazendo política à moda antiga, aquela escorada nos conceitos mais rançosos, com traços de coronelismo e outros coadjuvantes da velha política.

Ao fazer campanha para o seu candidato, Hartung antecipa o processo eleitoral e desequilibra o ambiente democrático em Vila Velha, tornando-o desigual. Tudo isso à custa do dinheiro público que está sendo despejado abertamente para tentar recuperar a gestão do seu principal apadrinhado político.
O esforço do governador, ninguém entende até hoje muito bem por que, é para reeleger um ex-delegado federal com passagem pífia pela Secretaria de Segurança nos seus dois governos; um ex-deputado que fez “meio-mandato” inexpressivo na Assembleia; e, até agora, uma administração desastrosa à frente de Vila Velha.
Paulo Hartung deveria se envergonhar de fazer o papel de cabo eleitoral de um candidato com um retrospecto de desserviço à população capixaba, sobretudo aos cidadãos canelas-verdes.

