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Helder defende Sudene em todo o Estado e ‘Conselhão’ econômico estadual

Deputado federal cumpre agendas da pré-campanha para governador em Cachoeiro

Helder Salomão e Carlos Casteglione. Foto: Lucas Schuina

Expandir a atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para todos os municípios do Espírito Santo e criação de um “Conselhão” estadual de desenvolvimento econômico sustentável, nos moldes do que existe em nível nacional com a Presidência da República. Essas são algumas das propostas que o deputado federal Helder Salomão (PT), pré-candidato a governador, está trabalhando para o Plano de Governo.

Helder falou do assunto em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado) nesta sexta-feira (10), durante um encontro com lideranças locais e imprensa no Café Mourad’s, no Centro da cidade – o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), outro pré-candidato a governador, passou pelo mesmo local tempos atrás. O evento também contou com a presença de mais dois petistas: Carlos Casteglione, ex-prefeito cachoeirense, e Iriny Lopes, deputada estadual. Neste sábado, será realizado em Cachoeiro um lançamento das pré-candidaturas da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV).

Um dos questionamentos feitos ao pré-candidato a governador foi a respeito de propostas para superar a estagnação do desenvolvimento em parte da região sul do Estado nas últimas décadas, sobretudo em Cachoeiro. Foi então que Helder Salomão apontou como uma das soluções colocar todos os 78 municípios capixabas sob a alçada da Sudene.

Atualmente, 31 municípios do norte e noroeste do Estado são contempladas com as políticas de incentivo da Sudene, como a redução de 75% no Imposto de Renda para empresas. Essa realidade é apontada como um fator de desequilíbrio regional, uma vez que o sul do Estado fica de fora dos benefícios.

Salomão ressaltou que a inclusão de municípios na Sudene não passa pela vontade do governador, dependendo de votação no Congresso Nacional. Além disso, a última reforma tributária esvaziou, em parte, os efeitos dos incentivos da Superintendência. De qualquer forma, o deputado pretende trabalhar pela medida, caso seja eleito governador. “Não tem jeito de desenvolver se não integrar todos os municípios”, resumiu.

Sobre a questão do Conselhão, puxada primeiramente por Carlos Casteglione, Helder Salomão indicou que a ideia é seguir o modelo do presidente Lula. O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, que é um órgão consultivo, foi criado em 2003 na primeira gestão petista, com a ideia de reunir segmentos do setor empresarial, da academia e de movimentos sociais. Chegou a ser extinto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas foi retomado em 2023. A ideia de Helder é criar esse espaço de “diálogo” para debater propostas econômicas com os diferentes estratos sociais.

Prioridade para pequenos e crítica a Ricardo

Século Diário questionou a opinião de Helder Salomão sobre o investimento em grandes projetos de desenvolvimento, como no caso da doação de um terreno para empresa chinesa GWM, em Aracruz, bem como os impactos disso em conflitos de terra e modos de vida tradicionais.

O deputado respondeu que investir em grandes e médias empresas têm relevância, mas que o foco do Governo dele serão os micro e pequenos empreendedores, que respondem pela esmagadora maioria dos empregos e deixam menos passivos ambientais. “Em Cariacica, eu apostei nos pequenos. E sabe o que aconteceu? Criar uma rede de pequenos atraiu os grandes”, argumentou, exemplificando com a própria experiência como prefeito no município da Grande Vitória.

Sobre questões envolvendo conflitos de terra, Helder Salomão criticou o governador Ricardo Ferraço (MDB) por reverter a decisão de seu antecessor de doar uma área ocupada em Linhares (norte do Estado) para assentamento de reforma agrária. “Eu acho que é ruim essa coisa que está acontecendo em Linhares, porque já tinha um acordo do Governo com as pessoas que estão lá no território. Romper com esse acordo é ruim, porque eu sou da tese de que o governo precisa de previsibilidade. E só tem uma forma de ter previsibilidade: com diálogo”, comentou.

Iriny Lopes também se manifestou sobre a questão envolvendo a doação para a GWM reiterando sua visão de que a tramitação passou por cima de resolução da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê consulta prévia e informada de comunidades impactadas antes da instalação dos empreendimentos. A deputada opinou também que a fábrica deverá provocar impactos ambientais no Rio Piraquê-Açu, um dos principais cursos d’água da região norte.

Cultura e escolas rurais

Outros dois temas foram abordados no encontro. Questionado sobre propostas de Governo para a área cultural, Helder indicou que houve avanços importantes nas últimas gestões estaduais, mas que as ações ficaram muito centradas no lançamento de editais, que não alcançam todo mundo. Por isso, pretende investir em mecanismos de fomento direto, sobretudo no que diz respeito à cultura popular. Iriny Lopes, que é presidente da Comissão de Cultura e Comunicação Social da Assembleia Legislativa do Estado (Ales), corroborou as opiniões do pré-candidato a governador e ainda apontou problemas com a Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), em que a maioria dos empreendedores culturais tem tido dificuldade de captação de recursos.

Helder também foi questionado em relação ao fechamento de escolas rurais, que se acentuou no Brasil e no Espírito Santo nos últimos anos. Ele lembrou da lei nacional de sua autoria que incluiu a Pedagogia da Alternância na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), e aproveitou para alfinetar o Governo estadual: “Se tem ‘Nota A’ no Tesouro Nacional, como que está fechando escolas?”.

Durante o encontro, Helder Salomão também fez questão de dizer que não está se candidatando apenas para dar “palanque a Lula” no Espírito Santo, e que tem propostas para apresentar. Ele também exaltou as próprias credenciais, dizendo que “não sou um poste”, e demonstrou confiança de que chegará ao segundo turno da disputa pelo Governo do Estado.

Lançamento de pré-candidaturas

O lançamento cachoeirense das pré-candidaturas do “Time do Lula no Espírito Santo” será neste sábado (11) no Espaço Davi D’Ativa, no bairro Independência, a partir das 9h. Nas últimas semanas, foram realizados eventos em São Mateus (norte), que foi onde Lula foi mais votado no Estado entre os municípios de maior expressão; e em Cariacica, reduto político de Helder Salomão.

Em Cachoeiro, o eleitorado tem sido hostil ao petismo nos últimos anos. Jair Bolsonaro ficou com quase 70% dos votos no segundo turno para presidente em 2022. Em 2024, Carlos Casteglione, que governou a cidade em dois mandatos, ficou em último lugar na disputa para prefeito. A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) também não elegeu vereadores na cidade no pleito passado. Apesar disso, o lançamento em Cachoeiro ajuda a marcar presença no principal polo regional do sul do Estado.

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