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Helder Salomão revela conversa com ‘liderança evangélica estadual’

Articulação acontece em meio ao crescimento da pauta religiosa nas pré-campanhas

Divulgação

O deputado federal Helder Salomão (PT), pré-candidato a governador do campo progressista, revelou que está em contato com uma “liderança evangélica estadual”. A informação foi revelada pelo petista no último sábado (11), durante o evento de lançamento das pré-candidaturas do “Time do Lula” em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado).

“Vou dar uma informação importante para a nossa pré-campanha, de uma pessoa muito ligada ao movimento evangélico no Espírito Santo, que me ligou essa semana – vou conversar com essa pessoa na próxima semana -, e ela diz que no meio evangélico, onde existe resistência ao PT, o meu nome está crescendo”, afirmou Helder. Naquele momento, ele discursava sobre a importância de o campo progressista “furar a bolha” e chegar a um eleitorado que não seja aquele diretamente identificado com a esquerda.

Questionado após o evento, Helder não quis revelar o nome da liderança, tendo em vista que as conversas “estão em andamento”. Mas ressaltou que “há interesse” no meio protestante em conhecer o projeto petista para o Governo do Estado.

“Quando eu fui prefeito de Cariacica, as pessoas sabem que respeitei profundamente todas as igrejas, todas as religiões. E isso, de certa forma, é lembrado pela comunidade evangélica que conheceu de perto o meu trabalho. Então, eu tenho certeza que nós também vamos avançar nesse diálogo com os evangélicos do Espírito Santo – e também com outras igrejas que nós ainda não conversamos, mas que têm interesse em conhecer o nosso projeto e apoiar a nossa candidatura. Eu estou muito animado. Vamos para o segundo turno”, conjecturou.

Perguntando sobre a relação entre fé e política nesse ambiente pré-eleitoral, Helder Salomão citou a relação pessoal que tem com a Igreja Católica, uma vez que a trajetória política dele se iniciou em grupos de jovens, na Pastoral da Juventude e nas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja. Entretanto, criticou a utilização da religião como palanque político-eleitoral.

“A igreja tem um papel fundamental, mas eu tenho sempre muito cuidado em não avançar a ponto de usar a igreja como alguns usam. Usar a fé para tentar ter resultados eleitorais. Eu acho que a gente precisa dialogar com as igrejas, mas sem usá-las como trampolim político. Isso é lamentável e, infelizmente, tem gente fazendo isso. Não é o meu caso. Eu sempre mantenho um cuidado muito grande para que a minha atuação, que sempre foi grande na igreja, não se transforme em trampolim político. O diálogo é para nós buscarmos soluções, propostas, projetos, parcerias, e não para usar as igrejas e religiões com fim eleitoreiro como alguns fazem”, ressaltou.

No Espírito Santo, 35,4% da população se declara evangélica, de acordo com pesquisa do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), baseado no Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é superior à do Brasil, que tem 26,85% de fiéis evangélicos. Ou seja, as denominações protestantes representam um grupo bastante organizado no Estado e com peso eleitoral expressivo, ainda que a religião católica seja a professada por 47,82% dos capixabas.

Não à toa, começou uma espécie de corrida eleitoral pelo voto evangélico entre os principais pré-candidatos do Estado. Em junho, políticos de diferentes grupos compartilharam um mesmo “momento de oração” na abertura da 104ª Assembleia Geral da Convenção Batista do Espírito Santo, realizada na Primeira Igreja Batista de Laranjeiras, na Serra.

As relações entre fé e política também renderam uma polêmica na semana passada. O deputado estadual Lucas Polese (PL) acusou o arcebispo de Vitória, Dom Ângelo Ademir Mezzari, de participar de uma atividade de pré-campanha do pré-candidato a senador Professor Fabian (Psol). Entretanto, o Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Vitória divulgou nota desmentindo Polese e dizendo que se tratou de um evento relacionado à reconstituição de Comissão Católica de Justiça e Paz na capital capixaba.

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