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‘Casagrande não é do Time do Lula e a pré-candidatura do Fabian está mantida’

Camila Valadão defende nome do Psol para o Senado em meio a pressão por retirada

Lucas S.Costa/Ales

“Nós defendemos que a gente tenha dois candidatos para o Senado do ‘Time do Lula’. [Renato] Casagrande [PSB] não é do time do Lula, não defende o voto no Lula. Então, nós defendemos as candidaturas do Fabiano Contarato [PT] e do [Professor] Fabian [Psol], até para fortalecer os desafios que a gente tem no Espírito Santo, tanto no sentido da candidatura do Helder [Salomão, do PT] para o governo, quanto a candidatura do presidente Lula”.

A declaração é da deputada estadual Camila Valadão (Psol), que conversou com Século Diário logo após o evento de lançamento das pré-candidaturas do campo progressista realizado em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado) no último sábado (10). Quando chegou o seu momento de discursar no evento, Camila fez questão de chamar Professor Fabian para ficar ao seu lado, reafirmando que a posição do partido “está mantida” – em meio aos ruídos em torno da pré-candidatura psolista para senador que surgiram na última semana. A vereadora de Vitória Ana Paula Rocha (Psol), pré-candidata a deputada federal, fez o mesmo movimento quando chegou a sua vez de falar.

Questionada, Camila afirmou que há, de fato, “pressões” e “posicionamentos” pela retirada da pré-candidatura do Professor Fabian – como já haviam relatado o presidente estadual do Psol,  Wellington Barros, e o próprio Fabian –, uma situação que ela diz “não entender”.

“Não existe nenhuma garantia de que o PSB vai fortalecer a candidatura do presidente Lula. Então a gente não entende, nem vê sentido. Porque se tivesse algum tipo de acúmulo no sentido de que Casagrande fortaleceria a candidatura do Lula, aí seria um [outro] cenário. Mas não é o que está colocado. Então não tem nem sentido ter pressão desse campo aqui da esquerda para a retirada da nossa candidatura se a gente entende que ela fortalece”, argumentou a deputada.

O PSB nacional está com o presidente Lula e indicou o vice da chapa, Geraldo Alckmin, repetindo a dobradinha de 2022. Entretanto, não está firmado que Renato Casagrande, principal nome da sigla no Estado, realizará campanha aberta para o candidato do PT. Na eleição passada, apesar do apoio oficial, Casagrande procurou manter certo distanciamento dos lulistas. No segundo turno, houve inclusive o movimento “Casanaro”, de bolsonaristas capixabas que declararam voto no socialista.

Século Diário também questionou Camila Valadão sobre a relação do Psol com o seu aliado de federação, a Rede Sustentabilidade, que defende apoio a Ricardo Ferraço (MDB) para governador. A deputada não descartou que a situação seja levada para as instâncias nacionais da federação, mas espera que os dois partidos cheguem a um acordo consensual.

Lançamento das pré-candidaturas do “Time do Lula” em Cachoeiro de Itapemirim. Foto: PT-ES/Redes Sociais

“Ricardo Ferraço é declaradamente de direita. Na verdade, não só de direita, como ele vem fazendo movimentos que o aproximam da extrema direita. Me parece que ele quer ser o candidato do bolsonarismo no Espírito Santo. Então, assim, não tem nenhum sentido, e nós esperamos resolver esse tema de maneira consensualizada, debatida e dialogada com a Rede. Caso não seja possível, nós queremos levar esse tema para a direção nacional, porque uma federação de esquerda não cabe em um palanque da extrema direita”, ressaltou.

Professor Fabian também discursou no evento e cutucou os integrantes da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), dizendo que uma unidade da esquerda no Estado não pode incluir quem apoia candidatos que vão ao “Café com Pólvora” – mencionando a passagem de Ricardo Ferraço, o pré-candidato a governador escolhido por Casagrande, em um encontro armamentista ocorrido na semana passada.

“Lula quer Casagrande”

As principais lideranças do PT, como o senador Fabiano Contarato, o deputado federal Helder Salomão, e o deputado estadual João Coser (presidente estadual da sigla) evitaram o tema da segunda candidatura de esquerda ao Senado durante o evento de sábado. O foco foi apenas no único nome colocado pela Federação Brasil da Esperança, que é Contarato, além do próprio Helder, que vai para a disputa de governador. Com relação a Fabian, fizeram saudações ao pré-candidato, mas sem assumi-lo na chapa.

Por outro lado, outro nome da federação falou sobre o tema de forma mais aberta: o presidente estadual do PCdoB, Neio Pereira, um dos cotados para ser vice na chapa de Helder Salomão. Em seu discurso, Neio afirmou que o apoio do Psol era importante, mas a questão sobre a candidatura ao Senado “fica para conversar depois”.

Procurado logo após a conclusão do evento, Neio afirmou para Século Diário que a Federação Brasil da Esperança já definiu que vai lançar apenas Contarato para o Senado e apoiar Renato Casagrande como segundo voto, e não há espaço para uma terceira candidatura. “Se o Psol decidir ter candidato a senador, não vai poder participar da coligação. Vai poder apoiar o nosso candidato a governador e ponto”, comentou.

Neio explicou melhor a posição da federação: “Nós achamos que não ajuda ter mais uma outra candidatura, que pode embaralhar e confundir o eleitor. E nós queremos trazer, com esse gesto, o ex-governador Renato Casagrande para a campanha do Lula, que é o que o Lula quer que a gente faça”.

O presidente estadual do Partido Verde (PV), Fabrício Machado, compareceu ao lançamento do “Time do Lula” em Cariacica, na semana anterior, mas não foi ao sul do Estado. Em Cachoeiro, a sigla foi representada pelo presidente municipal, Aldo Zeferino Bento, que afirmou que vai atuar como um “soldado” a favor dos candidatos petistas nas eleições majoritárias.

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