As urnas abertas no dia 7 de outubro último deixaram um recado: o eleitor está disposto a experimentar, quer o “novo”. Os marqueteiros mais perspicazes que perceberam essa tendência e construíram a imagem de seus candidatos no vácuo da onda do novo, acabaram elegendo seus candidatos ou levando-os para o segundo turno com boa vantagem.
Luciano Rezende (PPS) e Rodney Miranda (DEM), respectivamente candidatos a prefeito de Vitória e Vila Velha, parecem ter assimilado bem o discurso no novo, pelo menos as urnas e as primeiras pesquisas eleitorais têm mostrado isso.
A falta de experiência, que em outras eleições sempre significava uma barreira para estreantes e novatos, se transformou em trunfo de campanha e acabou sendo incorporada no “projeto do novo”. Ou seja, não ter tido passagem por cargo executivo passou a identificar o candidato com o apelo do novo. Mais ou menos na linha: “vamos experimentar quem nunca governou”.
Ao fechar o primeiro turno com o placar desfavorável, tanto Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) como Neucinar Fraga (PR), todos dois com a experiência no currículo, entenderam que para tentar reverter a vantagem imposta, respectivamente, por Luciano e Rodney, teriam que aderir ao discurso do novo.
Nos primeiros movimentos deste segundo turno, Luiz Paulo tem procurado mostrar ao eleitor que pretende unir experiência à inovação. Ele já se preocupa em dizer ao eleitor que tem “projetos inovadores para Vitória”. Sua equipe já gravou um novo jingle de campanha e reformulou o cenário onde são gravados os programas – um remake total.
Mas, no primeiro turno, o discurso era outro. O candidato tucano pautou sua estratégia em cima da experiência. Nos seus discursos, Luiz Paulo fez questão de martelar que acumulava dois mandatos (1997 – 2000; 2001 -2004) à frente da prefeitura da Capital, e os tratava como diferencial.
Além dos dois mandatos, Luiz Paulo ainda destacou a sua experiência na área econômica para enfrentar os desafios futuros reservados para Estado e para Vitória. Ele alertou sobre as perdas de receitas com o fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e da iminente mudança no sistema de partilha dos royalties entre os estados produtores e não produtores de petróleo, como ameaças que exigiriam um gestor com larga experiência na área.
Mas nada disso, no entanto, sensibilizou o eleitor, que preferiu apostar em Luciano, que nunca exerceu cargo executivo ou tampouco tem a experiência de Luiz Paulo na área econômica.
Neucimar, que entrou no segundo turno atrás de Rodney, também deixou um pouco de lado o discurso da experiência para convencer o eleitorado que também é capaz de inovar. O republicano também tenta associar suas realizações à frente da administração municipal como iniciativas modernas, inovadoras.
A pouco mais de 10 dias do segundo turno, talvez seja tarde para Luiz Paulo e Neucimar convencerem o eleitor de que também estão inspirados na onda do novo, que tanto empolgou os eleitores no pleito deste ano.
De outro lado, Luciano e Rodney seguem firmes com o discurso do novo na ponta da língua e, com a larga vantagem construída sobre seus adversários, pretendem ser mais conservadores do que nunca em matéria de estratégia de campanha. Nesse caso, ambos não pretendem inovar.

