Durante a festa de lançamento da candidatura, na noite desta terça-feira (29), o governador Renato Casagrande voltou a fazer críticas ao antecessor e principal adversário nas eleições deste ano, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Sem citar nomes, o socialista atacou a “postura arrogante” do adversário, cutucou os falsos aliados e reivindicou o direito de exercer o cargo por um novo mandato. “Me julgo no direito de pedir com toda humildade para concluir o projeto que comecei há quatro anos”, afirmou.

Mesmo com a participação do presidenciável socialista, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e de sua vice, a ex-senadora Marina Silva, o governador foi a principal estrela da festa que reuniu cerca de mil pessoas no Centro de Convenções de Vitória. Em discurso que chamou a militância para as ruas, Casagrande mostrou disposição para fazer a comparação entre os três anos e meio de gestão com os oito do peemedebista. “Quando tem a justiça, nada nos derruba. Não tem pesquisa, não tem postura arrogante que tenta desmerecer o que você fez, para derrotá-lo”, alfinetou.
Casagrande afirmou que assumiu o governo em uma situação difícil, de crise econômica internacional, que se refletiu no País e no Estado. “Se o governo não fosse bom, os municípios estariam quase em calamidade. Na hora da bonança, você pode gastar errado que ninguém vê”, disparou o socialista, que esteve acompanhado do candidato a vice, o vereador de Vitória, Fabrício Gandini (PPS), do candidato ao Senado, o ex-prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PV), e do prefeito da Capital, Luciano Rezende (PPS).
Casagrande voltou a afirmar que tomou posse disposto a não olhar para trás, em alusão à aliança com Hartung no pleito de 2010. Apesar de ter mantido quadros ligados ao ex-governador até a implosão da unanimidade política, em maio passado, o socialista afirmou que “venceu comparações, pessoas que se fingiam aliadas. Ele disse que teve que se livrar de “armadilhas e perseguições” ao longo deste primeiro mandato. Mesmo assim, o governador afirmou que está satisfeito em promover o “equilíbrio entre o econômico e social”.

Também falaram na solenidade o prefeito Luciano Rezende, que afirmou que o governador “fez o dever de casa”. Aliado de primeira hora do socialista, ele destacou os feitos da gestão estadual, como o Portal da Transparência e a gestão fiscal, apontados como melhores do país por órgão nacionais. Neste último, Luciano aproveitou para alfinetar os “artigos de jornal”, em clara alusão ao estudo feito por ex-integrantes do governo Hartung (Ana Paula Vescovi e Haroldo Rocha Correa), no qual criticava a política fiscal da gestão de Casagrande.
Os candidatos a vice, Fabrício Gandini, e ao Senado, Neucimar Fraga, também discursaram. O candidato do PV foi um dos mais aplaudidos e recebeu uma menção especial de Marina Silva, que comparou a sua trajetória de vida à de Neucimar. Ela disse que ambos conquistaram a vitória diante das adversidades. Ela pediu voto aos eleitores – que conferiram a melhor votação na última eleição presidencial no Espírito Santo – que votem nos candidatos da coligação. Mesmo pedido feito por Eduardo Campos, que destacou a proximidade entre ele e o governador, desde a época que a dupla estava no Senado.
No discurso voltado à disputa presidencial, Campos voltou a prometer atenção para o Estado. “O Espírito Santo e Casagrande terão um amigo na presidência”, prometeu. O socialista voltou a criticar a dicotomia entre o PT e o PSDB, que se revezam há 20 anos no poder. Para o presidenciável, a eleição vai revelar qual a mudança o Brasil deseja: conservadora, em alusão a candidatura do tucano Aécio Neves; ou progressista, mais próxima do seu mote de campanha. “Eles alimentam a divisão, a negação da verdade, nós vamos reconhecer as conquistas e avançar”, cravou.

