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Papo de RepórterCadê Hartung?

 

Renata Oliveira e Nerter Samora

Presença constante no primeiro turno das eleições, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) não está mais tão atuante na disputa de Vitória. Em Vila Velha, seu candidato, Rodney Miranda (DEM), aprendeu a andar sozinho. 

Nerter – Uma ausência bastante sentida na disputa pelo segundo turno em Vitória é a do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) no palanque de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). O ex-governador que gravou programa, fez uma entrada triunfal na festa de lançamento da candidatura, agora não está sendo mais requisitado pelo ninho tucano para pedir votos ao ex-prefeito. Já em Vila Velha, Rodney, que evidentemente mantém o slogan de “o candidato de Hartung”, também não está saturando a imagem do ex-governador, dizendo que vale muito mais “olho no olho” com o eleitor. 

Renata – Em Vitória, a ausência de Hartung no segundo turno se explica pela resistência de parte do eleitorado à sua imagem. Luiz Paulo ia bem na campanha, mas a partir do momento em que o ex-governador subiu em seu palanque, começou a perder votos. Ao mesmo tempo em que a campanha de Luciano Rezende (PPS) crescia. Hartung acabou se transformando em um peso extra no palanque de Luiz Paulo. Peso que foi descartado na nova fase. 

Nerter – Tanto Luiz Paulo quanto Rodney parecem ter entendido que grandes lideranças não representam mais transferência automática de votos, como se acreditava. Mais vale o desempenho do próprio candidato, sua forma de abordagem e a influência de lideranças locais, vereadores e apoiadores de bairro, que funcionam como indutores de votos para esses candidatos. Os líderes vindos de fora do contexto local já não influenciam tanto. Nesse sentido, Luciano Rezende conseguiu perceber o cenário primeiro, evitando a subida do senador Magno Malta (PR) em seu palanque e trabalhando com o vice, Waguinho Ito, presidente do diretório republicano na Capital, nas ruas. 

Renata – Além disso, a nova fase da disputa, que polariza as candidaturas, coloca os candidatos frente a frente e os disparos vão para todos os lados. Estando em um palanque, Hartung poderia ser atingido por uma farpa, uma coisa que não seria nada interessante para quem está em viés de baixa, como costuma repetir em seus discursos nas mais variadas situações. Um exemplo disso é o que acontece em Vila Velha com o ataque incisivo do prefeito Neucimar Fraga (PR) à gestão de Rodney na Secretaria de Segurança, pasta essa do governo Paulo Hartung. Uma coisa acaba levando à outra, e Hartung sairia desgastado. 

Nerter – Até porque o cenário é outro e nessa briga pela conquista do segundo turno, os candidatos – todos eles são ou foram aliados de Hartung em um determinado momento político – não vão ficar olhando para o passado e não vão escolher vitrine para atirar pedra. Se Hartung estiver na frente, pode sim sair alvejado. É verdade que a gente não sabe até onde vai o nível de coragem dos candidatos, mas com uma eleição em jogo, é bom não arriscar. Por isso, Hartung mantém uma distância segura. 

Renata – Agora, se por um lado, Hartung evita desgastes que possam vir das farpas trocadas entre os candidatos, também não melhora em nada sua situação política. Daqui a dois anos teremos eleições estaduais, e como estará o capital político de Hartung? Evidentemente que se ele conseguir vencer a eleição em Vila Velha e Vitória, conseguiria um bom equilíbrio na balança política, mas só vencer não garante uma manutenção de poder por dois anos. O desempenho de seus candidatos deve ser bom para não prejudicar a imagem dele daqui a dois anos. Em Vitória, Luiz Paulo tenta uma arrancada na final para virar o jogo contra Luciano Rezende (PPS). Se virar, Luiz Paulo tem condições de ajudar a lustrar a imagem de Hartung, pois é um bom gestor. Mas por enquanto está dando Luiz Paulo. Já em Vila Velha, Rodney é uma incógnita. 

Nerter – Mas é preciso fazer uma ponderação aqui. Estamos tratando a questão como se Hartung tivesse se afastado do processo. Na verdade, ao que parece, são os candidatos que estão se afastando de Hartung. Viram que ele não reverteu esse aparente prestígio eleitoral em votos no primeiro turno e acharam melhor deixar o ex-governador fora do palanque. Até porque quem vai governar as cidades não será Hartung, mas sim seus aliados. 

Renata – Chegamos a dizer aqui, logo depois do primeiro turno, que só seria possível fazer uma avaliação sobre quem ganhou e quem perdeu força política depois da eleição, mas a essa altura, já dá para perceber que Hartung hoje não encerra as expectativas de seus aliados. Luiz Paulo partiu para uma estratégia dura de vitimização e de contra-ataque a Luciano Rezende. Nesse contexto tem prestado um serviço a Paulo Hartung em atacar também o senador Magno Malta. Resta saber se esse ataque vai funcionar. Se Luiz Paulo der uma arrancada com esse discurso da reconstrução da imagem, que fora, segundo ele, destruída por Magno, Hartung sai em vantagem contra o senador. Se Luciano confirmar a vitória, Malta sai vencedor de carona no palanque de Luciano e Hartung com menos força. 

Nerter – Da mesma forma, se Rodney vencer em Vila Velha, há quem diga que haverá uma perseguição ao prefeito Neucimar Fraga e ao senador, para enfraquecer o grupo para 2014. Mas os movimentos de Rodney são muito imprecisos para se prever algo nesse sentido. Mas Neucimar também partiu para o ataque criticando a gestão de Rodney. O problema é que a imagem que ele criou não é associada diretamente à sua passagem pela Secretaria de Segurança. Dessa mesma forma, os disparos de Neucimar podem não surtir efeito no palanque do demista. 

Renata – Enquanto isso, o governador Renato Casagrande assiste a esse embate de forças travado por Paulo Hartung a Magno Malta. A disputa indireta pode trazer desgastes para ambos, o que para o governador é ótimo. Casagrande tem um perfil parlamentar, no governo do Estado há dois anos, ainda não imprimiu uma marca como grande liderança política do Estado e homem do Executivo. Com os desgastes das lideranças políticas que poderiam representar qualquer ameaça à sua reeleição, ele pode trabalhar o próximo mandato sem se preocupar de antemão como cenário eleitoral. 

Nerter – Mas é claro que existem outras coisas nesse percurso. O próximo ano será difícil para as prefeituras e o governo do Estado vai ter que mostrar jogo de cintura para lidar com os prefeitos e de competência no socorro aos municípios mais afetados pela crise que se avizinha. Se Casagrande se sair bem nesse socorro, pode consolidar sua reeleição. Também será preciso observar os rearranjos dentro dos partidos após o processo eleitoral. 

Renata – Pelo menos por enquanto, ele está tranquilo. Vamos ver se o clima permanece assim. 

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