domingo, abril 26, 2026
31.9 C
Vitória
domingo, abril 26, 2026
domingo, abril 26, 2026

Leia Também:

Papo de RepórterVencedores da eleição 2012: O jogo só termina quando acaba

Nerter Samora Renata Oliveira

Antes mesmo da disputa eleitoral deste ano ter começado, os possíveis campeões já estavam sendo cotados nos meios políticos. Mas como diz o ditado, o jogo só termina quando acaba. Papo de Repórter analisa as disputas deste ano.

Nerter – Terminada o primeiro turno das eleições 2012, ainda estamos na mesma. Uma boa parte do eleitorado ainda não definiu seus líderes, e além dessa questão dos prefeitos a serem definidos em Vitória, Cariacica e Vila Velha, também está em jogo a discussão sobre o cenário político de 2014. Muita gente tentou antecipar vencedores e vencidos nestas eleições, mas ainda é muito cedo para se tirar conclusões. É claro que o primeiro turno nos permite fazer algumas leituras, mas a estrada para o Palácio Anchieta só ficará um pouco mais iluminadas a partir do dia 28 de outubro.

Renata – O que se pode dizer desse primeiro momento é que o fim da geopolítica deixou a eleição 2012 com cara de eleição, uma coisa que não se via há uma década. Pode parecer brincadeira, mas o que se viu em 2004, 2006, 2008 e 2010, foram eleições de gabinete, em que a vontade do eleitor ficava em segundo plano. A diferença é nítida. Em 2008 só houve segundo turno no município de Vila Velha, isso porque o cenário do município não coube dentro do acordo que estava sendo traçado entre os partidos na Grande Vitória. Ainda assim, na metade do segundo turno, o esvaziamento do palanque de um dos candidatos foi fundamental para a vitória do outro.

Nerter – Olha o dedo da geopolítica aí. Agora a eleição mudou de figura. As urnas apontaram a preferência do eleitorado pelo discurso da mudança. Uma mudança que acabou impactando justamente os que tinham assento nesta mesa. Leia-se o prefeito de Vitória, João Coser (PT), que não deu condições de sua sucessora disputar em pé de igualdade o pleito na Capital; o prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), que sofreu uma derrota devastadora; o prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga, que representava o PR nessa mesa por conta das dificuldades do senador Magno Malta, e que terá uma disputa duríssima e até mesmo o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que viu sua entrada na campanha de Luiz Paulo fazer água no barco da candidatura de Luiz Paulo, em Vitória.

Renata – Veja que os processos eleitorais passados, tinham como principais artífices meia dúzia de partidos que loteavam as principais vitrines políticas do Estado, chegando ao cúmulo de se criar uma fila sucessória para voos mais altos, incluindo vagas no Senado, Câmara dos Deputados e, o mais cobiçado dos cargos, o de governo do Estado.  Deste seleto grupo faziam parte PT, PDT, PR, PMDB e PSB, sendo que no campo municipal, na Grande Vitória, os três primeiros eram os protagonistas e os dois últimos forças auxiliares. Comandados por Hartung, esse grupo decidia quem coligava com quem, quem disputava e quem seria rifado, evidentemente com prêmios de consolação no futuro.  Como isso não aconteceu, as disputas foram duríssimas, não só na Grande Vitória, como também no interior…

Nerter – Um sintoma disso foi que mais de 50% dos municípios capixabas tiveram disputas com apenas dois candidatos e não foram candidaturas cartoriais, não, houve embates de fato, como em Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e até Linhares, que me perdoe o deputado estadual José Carlos Elias (PTB). E estamos falando dos principais colégios do interior do Estado. Em municípios menores do interior, vimos essa repetição. Só que diferentemente das cidades-polo, pesou, naturalmente, a mão do governador Renato Casagrande.

Renata – Mas vale destacar que essa movimentação de Casagrande nada teve a ver com geopolítica, foi um movimento natural de quem está no poder, dadas algumas exceções em que o governador pesou a mão, como em Colatina, tirando Paulo Foletto (PSB) da disputa, para manter o PT harmônico na base, no restante não foram feitos acordos prévios. Houve disputa, o que é sadio para a democracia e que estava fazendo falta no Estado.

Nerter – Tanto que Casagrande ao avaliar o pleito reafirmou o compromisso de manter a base unida. É claro que sempre há quem esperneie, mas nada que coloque em risco a governabilidade de Casagrande. Mas para esse segundo turno, o que se observa agora é quem vai sair mais fortalecido, porque por trás dos candidatos temos partidos que podem ganhar musculatura para o jogo político futuro e outros que podem sofrer um desgaste muito forte.

Renata – O PSDB não ganhou nenhum município importante e vai para o tudo ou nada com Luiz Paulo Vellozo Lucas em Vitória. Eu não queria estar na pele dele, tem uma responsabilidade muito grande. Saiu na frente no pleito, esperava fechar a fatura no primeiro turno e agora chegou a uma nova eleição, em desvantagem em relação ao antigo aliado Luciano Rezende (PPS), que ao lado do DEM formava com o PSDB uma trinca na disputa contra o PT e seus aliados na Capital. Luiz Paulo tem um problema muito sério pela frente. Se preparou para enfrentar o PT e agora vai ter que lavar roupa suja com um sujeito limpinho, que foge da linha de tiro dos tucanos. E agora?

Nerter – Bom, já começou a partir para o ataque, mas não sei se essa estratégia é a mais adequada, pode não dar certo. Mas o que fica implícito nessa nova etapa é: Hartung subirá novamente no palanque de Luiz Paulo e compartilhará com ele a vitória ou a derrota? É uma cartada de risco. Você consegue ver Hartung fazendo uma aposta dessa monta?

Renata – Bom, não sei fará, mas deveria, porque até agora o que foi que Hartung na eleição deste ano? Cachoeiro? Não. Na verdade quem contribui para a vitória de Carlos Casteglione (PT) por lá foi Camilo Cola, com seu aporte financeiro e a Rádio Diocesana no embate religioso com o candidato evangélico do PR, Glauber Coelho. Para Hartung, vencer em Vitória com Luiz Paulo e em Vila Velha com Rodney Miranda, onde acho que ele realmente tem boas chances, seria fundamental para quem quer voltar ao jogo político.

Nerter – Bom, estamos na prorrogação dessa partida, mas uma coisa é certa, tem muita gente na marca do pênalti.

 

Mais Lidas