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PT passa por processo de rearrumação após a disputa eleitoral

Depois da eleição deste ano, em que o PT manteve o número de seis prefeituras, conquistando apenas duas de maior peso, com as reeleições de Leonardo Deptulski,em Colatina (noroeste do Estado), e Carlos Casteglione, em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), o partido passa por um processo de rearrumação diferente do passado.

Ao contrário dos anos anteriores, não se trata mais de um conflito das correntes ideológicas do PT, que vão disputar a hegemonia dentro do partido a partir das conquistas eleitorais de seus representantes. O PT capixaba segue a linha das movimentações nacionais da sigla e vive um novo momento político voltado para a conquista de poder pelos grupos.

Esses grupos não têm a mesma dinâmica que as correntes. Ficou demonstrado com o posicionamento dos dois prefeitos reeleitos, que declararam apoio no segundo turno ao candidato do DEM em Vila Velha, Rodney Miranda, que o processo de articulação política mudou.

Nacionalmente, o DEM é adversário político do PT, fazendo oposição à presidente petista Dilma Rousseff. Para conquistar suas reeleições, os prefeitos adotaram um arco de alianças que foge à ideologia do partido. Casteglione, que já foi de uma corrente radical, a Articulação de Esquerda, se uniu durante o processo eleitoral ao deputado federal e megaempresário Camilo Cola (PMDB).

Além de abrir espaço para o capitalismo que Camilo Cola representa, dentro de sua aliança, Casteglione também passou por cima de uma história de luta de figuras que participaram da fundação do partido, na luta pela redemocratização do País. Isso porque Camilo Cola foi um dos empresários que financiaram a tortura no Brasil.

Leonardo Deptulski foi integrante de uma das correntes mais radicais do PT, a Força Socialista,  mas chegou à prefeitura de Colatina graças à sua participação em um grupo político que não é um projeto do PT e sim do ex-prefeito Guerino Balestrassi. Para garantir a reeleição do prefeito, o PT pressionou o governador Renato Casagrande a ingerir no processo e retirar do pleito o favorito na disputa, o deputado federal socialista Paulo Foletto.

Essa mudança de perfil no PT atinge figuras consideradas ideológicas como o prefeito de Cariacica, Helder Salomão, oriundo do movimento popular e da Igreja Católica, e o prefeito de Vitória João Coser, vindo do movimento sindical, assim como o subsecretário de Trabalho do Estado, Tarciso Vargas, também oriundo do movimento sindical. Essas duas últimas figuras são as que mais agiram dentro do PT para mudar a postura política do partido.

Na contramão desse movimento há figuras dentro do PT que tentam assimilar o novo momento, buscando um equilíbrio para que não haja o abandono das causas que levaram à fundação do partido. A candidata a prefeitura de Vitória no primeiro turno, Iriny Lopes, é uma das lideranças que tenta manter um limite para as movimentações políticas, sem que isso a afaste da ideologia da Articulação de Esquerda, corrente à qual faz parte.

O subsecretário de Direitos Humanos do Estado, Perly Cipriano, que pertence à corrente lulista Construindo um Novo Brasil (CNB), também tenta defender os ideais originários do partido dentro da nova lógica política e econômica a qual está inserido.

Com todas essas diferenças de pensamento, o PT vai passar pelo Processo de Eleição Direta (PED 2013), em dezembro do próximo ano. Até lá, muitas discussões internas devem aquecer o processo de escolha dos novos dirigentes.

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