No mesmo dia em que circula farto noticiário nacional sobre a possibilidade de o PT abrir mão de ser cabeça de chapa presidencial, o partido promoveu em várias cidades, incluindo Vitória, atos de protesto contra a prisão do ex-presidente Lula, reafirma a candidatura, e diz que não existe plano B.
Em Vitória, o partido realizou na noite desta sexta-feira (13), na praça Costa Pereira, o ato político-cultural “Lula Livre”, com a participação de artistas e lideranças políticas.
Em São Paulo, o PT promove até este sábado (14), a “Conferência Nacional Lula Livre”, na qual participam delegações da Argentina,. Uruguai, Venezuela e Espanha. quando serão avaliados os movimentos em defesa do ex-presidente e as perspectivas para as eleições deste ano.
Petistas no Estado rechaçaram matéria publicada no jornal paulista Valor Econômico. De acordo com o jornal, o PT já admite abrir mão da cabeça de chapa presidencial e fazer alianças com Ciro Gomes, do PDT, e Joaquim Barbosa, do PSB, que foi relator do Mensalão.
“Uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes é hoje o cenário mais considerado entre aqueles que não veem chances de o partido encabeçar uma chapa”, afirma o Valor, para em seguida expor a dificuldade para a formação dessa chapa, em decorrência dos posicionamentos contrários a Lula e ao partido do presidenciável.
Com Joaquim Barbosa, o jornal cita a origem humilde dele, comparando-a com a de Lula, diz que até José Dirceu reconhece, com pragmatismo, uma aliança com ele, mas ressalta como ponto negativo que Barbosa foi o ministro relator do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Para petistas, no entanto, esse noticiário é parte de estratégias da direita para tumultuar os movimentos pró-Lula. Mesmo que a prisão de Lula seja longa e intermitente, ele poderá concorrer à Presidência e esse é o único plano, afirmam.
Como comprovação, cita a intensa movimentação de todas as lideranças não só do PT, mas de outros partidos de esquerda, que estão reunidos até este sábado, em São Paulo, e as ações que se desenvolvem em várias frentes, a fim de preservar a candidatura e a integridade física do ex-presidente Lula.
Além disso, existe um entrave para essas composições, que é o Fundo partidário. Como maior bancada na Câmara dos Deputados, o PT tem direito, segundo cálculos do Valor, a R$ 212 milhões e já definiu que gastará um terço dessa quantia na campanha presidencial.
Caso viesse a formar alianças com partidos, não teria como fugir de empregar esses recursos em candidatos de outras siglas. “Seria como jogar dinheiro fora e o Lula às traças”, avalia dirigentes petistas.

