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Ricardo Ferraço tenta construir imagem de ficha limpa e prega tolerância zero à corrupção

As ações de Ricardo Ferraço (PSDB) no Senado têm chamado a atenção da classe política local e nacional. Seja do ponto de vista partidário, seja do ponto de vista da produção legislativa. A impressão é que o senador tucano vem adotando um novo comportamento em busca de recuperação do prestígio político, de olho na eleição do próximo ano. O senador tenta construir a imagem de candidato ficha limpa, que não tolera corrupção, fiando que esse será o perfil de candidato capaz de conquistar o eleitor.
 
Dentro dessa estratégia, um dos movimentos que mais chamou atenção foi a postura de Ricardo Ferraço em relação à votação sobre o retorno ou não do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) ao mandato. O partido queria uma votação rápida, mas o senador do Espírito Santo, ao lado de Eduardo Amorim, do PSDB do Sergipe, votou com a oposição, que trabalhava pelo adiamento da votação. 
 
Ao Valor Econômico, uma das lideranças do PSDB questionou a posição de Ricardo Ferraço. Ele lembrou que Ricardo foi levado ao partido pelas mãos de Aécio. O voto de Amorim é entendido pelo fato de ser candidato ao governo do Sergipe e a votação pró-Aécio poderia constrangê-lo. 
 
“O Ferraço tem chamado a atenção pela agressividade, tem sido muito duro com Aécio e poderia ser mais discreto. Ninguém entende essa raiva que ele passou a ter de Aécio, que fez um esforço para trazê-lo e quando tinha poder sempre o distinguia no partido”, disse o dirigente ao Valor.
 
Na disputa pela reeleição no Estado em um campo incerto, Ricardo Ferraço tem tentado mostrar intolerância com denúncias de corrupção. Em seu caso, acusado por delatores da Odebrecht de receber caixa dois na eleição de 2010, o senador tem apelado para a celeridade do caso, para tentar se livrar da denúncia, no sentido de mostrar ao eleitorado que não teve relação com o esquema e que, por isso, não tem nada a temer.
 
Também na produção legislativa, Ricardo Ferraço tem buscado embarcar em bandeiras de apelo popular para resgatar a imagem, que teria ficado arranhada após a relatoria da reforma trabalhista. Um exemplo é a relatoria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do projeto que busca limitar o uso de automóveis oficiais (PLC 97/2017). Ferraço é favorável à matéria que “tem inegável mérito”. Ele ressalta que é preciso destacar o valor simbólico da proposta. “Neste momento quando toda a sociedade vem sendo chamada a fazer amplos sacrifícios em prol da estabilidade financeira do Estado e do equilíbrio da economia nacional”.
 
Em seu relatório, Ferraço cita que, de acordo com reportagem recente do portal Contas Abertas, o custo com serviços relacionados a carros oficiais foi de R$ 1,6 bilhão para a administração pública, somente no ano passado. O senador avalia que esse valor é muito relevante e chega a ser maior do que o orçamento atual de alguns ministérios.
 
O senador também busca envolvimento em debates que defendem uma nova política, como o controverso Movimento Brasil Livre (MBL). Nos próximos dias 11 e 12 de novembro o movimento realiza o 3º Congresso Nacional. O evento, que ocorrerá no Complexo World Trade Center, em São Paulo, possibilitará aos presentes assistir debates entre grandes personalidades do país e participar de diferentes grupos de trabalho. O senador é uma das lideranças convidadas para participar de uma das mesas de trabalho.
 
Já no cenário político do Estado, Ricardo Ferraço também tem atuado em várias frentes. Começou um movimento de parceria com o senador Magno Malta (PR), que também disputa à reeleição no próximo ano. Já conversou com a senadora Rose de Freitas (PMDB) e o vice-governador Renato Casagrande (PSB), que trabalham um palanque de oposição ao governador Paulo Hartung (PMDB). Hoje Ricardo se movimenta no PSDB para buscar uma manutenção do partido na base do peemedebista, podendo ser o candidato ao senado ao lado do governador e do vice César Colnago.

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