O nome do deputado federal Givaldo Vieira (PT) vem sendo apontado como um dos que podem entrar na disputa pela prefeitura da Serra na eleição do próximo ano. Mas o parlamentar, que está iniciando seu mandato na Câmara, prefere não bater martelo sobre candidatura, embora não descarte a possibilidade de entrar no pleito.
A preocupação de Givaldo, neste momento, é ajudar seu partido a apresentar uma proposta de mudança não só para a Serra, mas também para as articulações em outros municípios do Estado.
Nesta entrevista, o petista fala sobre sua reaproximação com sua primeira base política, como está sendo a conversa com os eleitores serranos, e a expectativas para o PT no Espírito Santo em 2016. Givaldo aponta, ainda, alguns problemas da cidade e das últimas gestões.
Século Diário – Como está este início de mandato? O que está achando da Câmara dos Deputados?
Givaldo Vieira – O início está sendo bastante agitado. Temos hoje uma dinâmica na Câmara de uma forte agenda legislativa, com muitas votações, projetos de grande repercussão, muitos complexos, polêmicos. Então, estamos com votações que se estendem até à madrugada, isso é muito comum. E tudo isso replica no trabalho das comissões, nas movimentações em torno dos projetos. A agenda legislativa está muito intensa. Politicamente, Brasília está em ebulição por causa da crise política. A oposição está muito fortalecida, e os partidos aliados do governo estão muito divididos. Dentro dos próprios aliados do governo, muita gente atuando contra. O governo está com uma clara dificuldade de manter uma base mínima mais coerente com suas posições. Isso tem exigido muito de parlamentares do PT.
– Como deputado do PT, como sente esta pressão dentro da Câmara?
– Aquele clima de acirramento contra o PT que vimos na eleição foi para dentro do Congresso. Isso é muito comum acontecer em eleições, até nas municipais. Há uma movimentação de membros da oposição, deputados insatisfeitos de um clima antipetista dentro da Câmara. Isso se expressou na eleição para a presidência e tem se demonstrado na movimentação interna da Casa. Eu diria que estamos já em um clima um pouco melhor. Esta equação que Dilma trouxe com [Michel] Temer e [Eliseu] Padilha colocou no PMDB uma responsabilidade com a governabilidade e isso tem ajudado na mediação, porque o governo precisa estar com o mínimo de sustentação na Casa. O PT vive constantes tentativas de isolamento. Tem uma parceria com o PCdoB, mas é um partido pequeno, e a gente tenta vencer isso com as relações com as outras legendas que têm o mínimo de afinidade com o governo.
– Em 2008, o PT tinha as prefeituras de Vitória, Cariacica, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, além de outras de menor peso. Agora, vai para uma eleição em que está terminando o segundo mandato em Colatina e Cachoeiro, e precisa disputar municípios fortes para se fortalecer no jogo político do Estado. Como vê esse cenário local, com essa pressão que vem do campo nacional?
– Coloca sobre a direção do PT do Espírito Santo a obrigação de desenhar e colocar em curso uma estratégia preparatória. Se o partido não se preparar, pode ter um resultado aquém de seu tamanho. Nesta preparação, eu tenho defendido que o PT coloque candidatos próprios onde for possível, o máximo possível de candidatos, observando, é claro, o leque de aliados. Mas onde houver filiado em condição de disputar a eleição, com uma aliança mínima, o PT deve disputar. Eu defendo que esses candidatos majoritários em maior número farão a defesa do legado do partido. Eles estarão nas ruas, falando à população, em um cenário local, mas terão oportunidade de defender o partido dos ataques, que são muito fortes. O PT hoje é centro de um arranjo que se reflete nos estados e municípios, em que o PT é foco e atacado o tempo inteiro. Essa é a estratégia que eu defendo, mas não sou eu que vou determinar isso no partido.
– O PT também está se preparando para esse enfrentamento?
– Eu percebo que há essa preocupação, as pessoas estão se movimentando nesse sentido. Acho que o PT pode ter boas surpresas em municípios menores, do interior, onde o partido pode se apresentar como uma boa alternativa. Nos municípios maiores, é preciso pensar uma estratégia diferenciada. As pesquisas indicam, de uma maneira geral, todos os gestores em dificuldades, mas olhando mais particularmente os nossos dois prefeitos das cidades grandes, Colatina e Cachoeiro, eles apresentam gestões com baixa avaliação e isso é preocupante, porque pode, sim, impactar bastante no desempenho. Mas eu acredito na capacidade dos companheiros de se recuperarem e conduzirem essa referência para um campo positivo, ajudando a posicionar candidatos nessas cidades.
– Então o partido pode sair bem da eleição…
– Nós temos candidatos em Vitória, como o ex-prefeito João Coser. Em Cariacica, não tem nada decidido, mas o nome de Helder Salomão é lembrado o tempo todo, e se for candidato, será bastante competitivo. Acho que o partido pode ter presença em grandes cidades, com bom desempenho eleitoral, como em Vitória e Cariacica, com candidatos de grande expressão, assim como em Cachoeiro e Colatina, porque tem a gestão e sempre tem uma boa margem de disputa quem já está comandando esses espaços. E acho que o PT pode surpreender em cidades menores, por causa de um fortalecimento local. Hoje nós temos mandatos parlamentares muito bem distribuídos no Estado. No sul do Estado, temos o deputado Rodrigo Coelho. No norte /noroeste o Padre Honório, que tem muita movimentação na base, inclusive despertando muitas pessoas que podem vir a ser novos candidatos. O Nunes, que tem uma base sindical muito ampla, nas cidades e nos meios rurais. Tem a mim que sou deputado federal, com votos no Estado todo, já fui presidente do partido, vice-governador, e o próprio Helder, que não está restrito a Cariacica, tem circulado todo o Estado. O partido tem uma força, mas precisa de uma estratégia que oriente todo esse conjunto, essa energia, para uma estratégia comum. Acho que é uma questão mais local do que nacional. Na eleição municipal a população vai se virar para o município e para a liderança local. As questões nacionais vão pesar menos.
– Há quem diga que na disputa municipal é importante evitar essa discussão que foge dos problemas do município. O embate político nacional pode até prejudicar a todos os candidatos. Acredita nisso?
– Sem sombra de dúvida. Pesquisas feitas até durante aquelas manifestações, que eram bastante contra o PT, mostraram um percentual contra o PT, mas também grande de rejeição aos demais partidos. Acho que os problemas de desgaste nacional em relação à política vão rebater em todos. Aqueles que estiverem mais estruturados no plano local, com boas lideranças, bons projetos, vão ter maior condição de superar esses desafios. E os prefeitos atuais devem ter dificuldades, de todos os partidos. Existem elementos que estão fora do roteiro, do ambiente político, que devem atingir a todo mundo.
– O deputado tem se movimentando na Serra e começa a se falar sobre uma disputa interna entre seu nome e o do deputado Roberto Carlos. Como está vendo essa movimentação no município?
– Minha movimentação é estadualizada, mas sem perder o foco no meu município. No último sábado eu percorri Guarapari, Jerônimo Monteiro e Iconha. Todo sábado eu tenho agenda no interior. Às sextas-feiras, geralmente, eu me dedico ao município da Serra, intercalando com agendas na Grande Vitória. No caso da Serra, por ter exercido mandatos com perfil estadual – me tornei deputado em 2007, em 2008 fui secretário de Estado, 2009 virei presidente do partido, e em 2010, em um projeto majoritário, me tornei vice-governador –, este tipo de atuação esfriou a minha relação com o meu eleitorado original, que me fez vereador e me deu a base para ser deputado. A estratégia que estou fazendo agora tem o objetivo de me manter próximo da base, para que as pessoas entendam que o deputado está ali.
– O mandato de deputado federal já tira a liderança da base, não é?
– Afasta naturalmente. Você fica três, quatro dias fora. Quando chega, tem uma demanda que sempre é ampla. Estou me forçando a ter uma presença física. Então, estou fazendo essa estratégia que é um gabinete itinerante, vou até à comunidade. Essa minha ida é preparada antes, identificam lideranças, onde devo ir, escolhendo regiões onde há obras com recursos do governo federal, é importante ter essa presença, e em alguns casos a obra está parada, temos que ver, saber qual o destino que a prefeitura está dando à execução. É uma estratégia de manter próximo, o que é bom para o exercício do mandato. Para o interior, a dinâmica é diferente. As minhas viagens me colocam em agendas que me dão visibilidade. Quando chego a uma cidade do interior, compareço a eventos, dou entrevista à rádio, ao jornal da região, falo com 50,60 lideranças, a minha presença ecoa. E quem está no interior compreende uma presença mais alongada. Passa agora, daqui a alguns meses, passa de novo. Mas na Grande Vitória, não. Há uma necessidade de estar mais próximo.
– E como vice-governador, viajava muito pelo interior do Estado, então…
– Essa presença fica mais marcada. No caso da Serra, o contrário. As pessoas sentiram que dei muita atenção à questão estadual e pouca ao município. Embora eu tenha dado, mas o vice-governador tem seus limites. Todo projeto do governo que ia para a Serra teve meu DNA, não teve a minha estampa.
– E como está sendo essa reaproximação?
– Muito interessante. Quando a gente vai à comunidade, bota o pé no chão. Você se desloca de um ponto ao outro, está passando pela rua e as pessoas querem saber, reconhecem, falam alguma coisa, reclamam do Congresso, sugerem projeto de lei, é o momento que a pessoa tem de ter esse contato. Eu sinto que a reação tem sido positiva. Eu fiquei um pouco receoso no início porque os políticos estão com a imagem tão desgastada, o PT está sendo bastante atacado, como vai ser isso? Outro dia estava caminhando em Eldorado, ouvi uma buzina, era uma pessoa que trabalha com transporte escolar, ele me viu, parou o ônibus, me deu um abraço. As pessoas gostam de me ver ali, porque se não me vê, acha que estou apenas em Brasília. Esta é a estratégia, mas não tem relação com a estratégia eleitoral do ano que vem.
– O deputado tem vontade de ser prefeito da Serra?
– Eu tenho a política como vocação. Eu gosto do que eu faço. É uma tarefa desafiadora, tenho minha profissão, sou advogado, mas gosto do que faço. A política é o que me estimula. Sempre me estimulou contribuir nos espaços que pude contribuir. Já passei por câmara municipal, secretarias municipais, secretaria de Estado, Assembleia, na Mesa Diretora, na vice-governadoria e agora estou no plano federal. Eu não fiquei repetindo muitas coisas. Fui vereador uma vez só, fui deputado estadual uma vez só, vice-governador. Não há problema em repetir, mas eu tive a oportunidade de estar em campos diferentes. Nesse sentido, algum dia, poder servir ao meu município, dirigindo o Executivo, é um sentimento que me atrai, mas não tenho nenhuma sede de ser por esse momento. Acho que se tiver que acontecer, vai acontecer em algum momento. Eu tenho que estar preparado para fazer e, como político, tenho a vontade de contribuir com o município nesta posição, que é estratégica.
– O que se observa na Serra é um certo cansaço da população com a alternância entre o prefeito Audifax Barcelos (PSB) e o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT). E como há esse sentimento em geral por mudanças na política, não seria o momento de surgir novas lideranças? O PT sempre atuou como coadjuvante nessa história. Hoje tem a vice do prefeito Audifax, mas não seria a hora de o PT ter candidatura no município?
– Isso eu tenho como convicção e acho que o partido também já tem. Fez um planejamento estratégico lá e tomou essa decisão. Há 20 anos o PT não tem candidato na Serra. Acho que a contribuição que o PT poderia dar, de ajudar a montar grupos, que não só tivessem viabilidade de ganhar a eleição, mas de sustentação de tocar um projeto, o partido já fez. Acho que agora deve contribuir nesse debate, apresentando uma proposta. É uma eleição de dois turnos, o PT governa o País, tem quadros no município experimentados, e acho que deve participar do processo. O que eu tenho feito é me colocar à disposição do partido para ajudar a preparar esse momento. Eu não acho que deva ser uma coisa em torno de nomes. A discussão em torno de nomes é o que está posto hoje. Acho que o PT deve inovar, apresentando sua proposta para a cidade, e nisso quero ajudar. Estou desenhando com a direção do partido, e isso já está bastante pensado. A partir de agosto, começa uma sequência mensal de seminários temáticos para discutir a cidade. Vai ser iniciativa do PT, mas pode agregar quem quiser participar do debate. Estamos dividindo em nove eixos até maio do ano que vem, que vão nos guiar para debater a cidade e a intenção é que, lá na frente, o partido possa apresentar uma visão sobre a cidade, e isso vai resultar em um programa de governo.
– O deputado acabou de dizer que isto está sendo construído, mas olhando para a cidade, o que o PT pode oferecer de proposta, como mudança?
– Eu tenho pensado nisso também. Eu acho que o projeto do PT deve ser diferente do que está aí. Um aspecto que eu vejo é que o partido apresente um projeto que seja verdadeiramente democrático, porque o que está acontecendo neste projeto atual e também no anterior é que não há uma democracia real na cidade. As lideranças estão cooptadas ou estão em cargos comissionados ou em outros subterfúgios não declarados de manutenção e de vínculo. Isso não é uma prática que vem de agora, mas vem se repetindo.
– E o que mais?
– O Orçamento Participativo foi todo deturpado e está totalmente desacreditado na cidade, os conselhos não funcionam com legitimidade, não são fóruns de discussão de política nem de controle social, e a sociedade não participa. Então, acho que proposta que o PT deve apresentar, e nós temos história, acúmulo para isso, deve ser um projeto com uma gestão democrática verdadeira, mais radical nesse sentido. Penso que o novo projeto da cidade deve apresentar uma concepção que mostre se é possível uma gestão na Serra que permita o crescimento da cidade, mas que seja sustentável, ambientalmente falando.
– A Serra é um município muito voltado para o desenvolvimento, mas não sustentável…
– A Serra hoje não tem um projeto sustentável. É um município que tem shoppings, muitos condomínios, obras de grande repercussão, mas nosso patrimônio ambiental está sendo deteriorado. Temos lagoas muito importantes, como a Lagoa Joara, a terceira maior do Estado, e que está bastante atingida. Os nosso rios estão quase todos mortos, o Mestre Álvaro, que é um patrimônio para além da Serra, e está abandonado. A área de alagados, que tem uma função vital, está sendo gradativamente ocupada. Então, não é uma cidade sustentável. Acho que o PT tem o desafio de apresentar uma proposta de uma cidade democrática e sustentável e, além disso, uma cidade que cuide das pessoas. A minha percepção é que tem projetos, tem obras, mas as pessoas não são cuidadas. O jeito de gerir a cidade não humaniza.
– E é a cidade mais populosa do Estado…
– É a mais populosa do Estado. O PT tem o desafio de gestão que humanize, que cuide das pessoas. Nesse sentido, as políticas sociais deveriam ter um realce na Serra, o que não ocorre. Não são para valer, são periféricas. Não tem, por exemplo, uma política para a juventude e a juventude é muito grande no município, sofre muito com a violência também, além de vítima, é envolvida e acaba sendo ator de atos criminais. Não tem uma política social sólida para cuidar das pessoas. Então, eu penso em uma cidade que seja democrática, que seja sustentável, e que cuide das pessoas em um aspecto amplo. A Serra não tem uma política de Esporte, Cultura e Lazer. É um departamento lá em uma secretaria de última prioridade. E Esporte, Lazer e Cultura são demandas da sociedade.
– Não se vê aparelhos culturais na Serra…
– Não se vê aparelhos culturais e nem vida cultural, e são demandas. Então, nesse aspecto, é pensar um projeto para a cidade, e aí, sim, estou me disponibilizando e provocando o partido a ajudar. Tem um grupo trabalhando nesses seminários porque queremos acumular para contribuir no debate. O papel de uma candidatura é ajudar a debater a cidade, porque se não vamos ficar nessa coisa de “eu sou fulano”, “eu sou sicrano”, “fulano foi traído”… não tem sentido. É mais pensar em um projeto consistente do que em nomes.
– A atual gestão fala em queda de receita, o que realmente aconteceu, como a grande culpada pela falta de entrega de respostas à população. O deputado acha que isso justifica a falta de uma atuação mais presente da administração ou falta planejamento e gestão?
– A questão não são os recursos, exclusivamente. É claro que se você tem um aporte maior de recursos, seus limites ficam alargados, mas se há uma restrição, não se explica a falta da política pública. É mais uma questão de visão, compromisso e priorização. Você tem um município muito grande, você tem problemas de recursos, talvez tenha, mas quais as prioridades que são dadas e que políticas têm? Muitas vezes gasta-se muito em políticas que não são eficientes, não atingem objetivos.
– Quando olha para o cenário eleitoral da Serra no ano que vem, o que espera da disputa?
– Ainda está muito cedo para se ter qualquer leitura em termos eleitorais. As pesquisas de agora não informam nada do ponto de vista eleitoral, mas olhando, inclusive, a pesquisa que saiu recentemente, nós temos os dois que estão na frente, um que governa e outro que já governou a cidade, eles já foram amplamente majoritários, com níveis de 85% a 90%, e hoje os dois somados ficam na casa dos 50%. Significa, em um primeiro pensamento, que a população não dá mais aos dois, somados, a hegemonia.
– Isso abre o campo…
– Claro! A partir daí, vamos dizer, a grosso modo, que tem pelo menos metade do eleitorado da Serra que está refletindo. Pode votar em um deles ou pode votar em uma alternativa. Depois, aquela pulverização de indicações de nomes, mostra que a população não quer o que está aí, mas ainda não encontrou, ou ainda não visualiza alguém ou um projeto que seja alternativo. Por isso, acho que o desafio do PT é se apresentar como um projeto novo e não ficar agora pensando em nomes, porque está fora do tempo, e isso pode prejudicar. A população não quer que os políticos estejam agora discutindo candidatura. Tem que estar pensando na cidade, no Estado, mas é bom ter um projeto.
– Nos bastidores se fala muita coisa, inclusive que o ex-governador Renato Casagrande (PSB) poderia disputar a eleição na Serra. Acredita nisso?
– Eu, pessoalmente, não acredito. O ex-governador Renato Casagrande ganhou na Serra, então significa que ele tem um grande peso eleitoral lá. Acho que quem busca um caminho alternativo acaba se perguntando se quem ganhou a eleição estadual lá não toparia governar o município. Acho que o ex-governador deve ficar lisonjeado com a lembrança, talvez até alimente essa expectativa, o que é próprio da estratégia política, mas eu não acredito que ele será candidato a prefeito em nenhum lugar. Minha impressão é que ele vai se colocar como cabo eleitoral em todo o Estado, se movimentando, na estratégia dele, aumentado seu capital político, talvez para um embate no futuro em nível de governo. Mas quem vai dizer se ele é candidato em Vitória ou na Serra é ele mesmo, a conjuntura, mas a princípio eu não acredito que ele tome essa decisão, embora veja lá essas lembranças do eleitorado.
– O PT está construindo um projeto, mas pensando em sua imagem e musculatura política, seria interessante disputar a eleição em 2016, não? Até pensando em 2018…
–Acho que meu caminho natural seria seguir fazendo o que vinha fazendo, que é esse movimento de ajudar nos municípios, esse exercício de montar palanques, ajudar nas conversas, alianças. Quem está no interior quer sempre ter alguém para conversar e as lideranças estaduais fazem esse papel de mediação. Eu fiz muito isso em 2012, e durante a eleição, aquele papel de cabo eleitoral, de quem tem exposição pública, fazendo atividade de campanha, isso acaba dando peso e as pessoas valorizam muito. Então, diria que meu caminho natural seria o de manter esse papel porque foi o que me trouxe até aqui. Mas eu não posso descartar definitivamente uma outra estratégia, que seria a de servir ao projeto que o partido deve liderar, se isso for preciso. Estou muito tranquilo em relação a 2016. Tendo a seguir em um movimento amplo, como tenho feito, com mais presença na cidade e as caravanas têm feito isso. E isso me desobriga a ser candidato, do ponto de vista da minha situação em 2018. Posso ajudar a organizar todo o processo, me manter presente na cidade, e ainda assim ajudar no restante do Estado. Meu primeiro caminho é não ser.
– Mas…
– É. Esse mas aí depende de muita coisa. Eu não estou pensando em candidatura agora e acho que é correto agir assim, porque acabei de assumir um mandato. Sequer estou repetindo o mandato, é meu primeiro. Preciso manter minha cabeça no mandato de deputado federal. Para este momento, acho que o máximo que eu posso fazer é na minha atuação partidária, com a experiência que eu acumulei, ajudar o partido a se posicionar. Não posso também fechar as portas para uma candidatura. Naturalmente, eu não posso. Eu sou deputado federal, estou com mandato, sou uma liderança do município. Temos outras, são três vereadores, a vice-prefeita, o ex-deputado Roberto Carlos, mas eu tenho um mandato de deputado federal, não posso dizer ao partido não, em hipótese alguma. Se eu digo que é bom o partido ir por esse caminho, eu tenho de estar, inclusive, aberto para a necessidade ou a possibilidade de representá-lo.