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Victor Coelho segue com Ricardo, mas contra Theodorico Ferraço

Ex-gestor de Cachoeiro se irrita com denúncias do atual prefeito, pai do governador

Redes Sociais / Leonardo Sá

O ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Victor Coelho, publicou um vídeo nas redes sociais nesta segunda-feira (11) para reafirmar o seu apoio à reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB), seguindo o direcionamento do grupo político do qual faz parte, liderado por Renato Casagrande (PSB). Entretanto, não pretende deixar os embates com o atual prefeito cachoeirense, Theodorico Ferraço (PP), pai do governador.

“Quero deixar bem claro para vocês que independente da situação que envolve a atual gestão aqui em Cachoeiro, eu sou um soldado e estou firme nesse projeto. Governador Ricardo, conte comigo! Agora, eu não vou apanhar calado. Enquanto eu estiver sendo perseguido pelo atual prefeito, que por acaso é pai do governador Ricardo Ferraço, eu vou me defender de cabeça erguida, e sempre mostrando a verdade”, comentou.

Victor Coelho, que deixou recentemente o cargo de secretário estadual de Turismo para assumir pré-candidatura a deputado estadual, tem se embrenhado em enfrentamentos com a atual gestão cachoeirense desde o início do mandato. Apesar disso, vinha poupando Theodorico. Essa postura mudou na última semana, após a divulgação de outro vídeo, direcionado ao atual prefeito.

Coelho demonstra irritação com o que classifica como “perseguição”. No último dia 27, a assessoria da Prefeitura de Cachoeiro divulgou para a imprensa que auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) estavam no município para fiscalizar possíveis irregularidades na obra do Parque de Exposições Carlos Caiado Barbosa, no bairro Aeroporto, executada durante a administração do ex-prefeito.

Foi a própria gestão de Theodorico Ferraço que fez a denúncia aos órgãos de controle. Século Diário chegou a solicitar documentos formais com indicações sobre as possíveis irregularidades, mas não recebeu nada de concreto. Aparentemente, a CGU ainda analisa o caso.

Outras denúncias, porém, já tiveram alguma repercussão. Em setembro passado, a Justiça determinou a suspensão dos efeitos do 14º termo aditivo ao contrato de concessão dos serviços de água e esgoto de Cachoeiro de Itapemirim, incluindo aumento da tarifa. O Ministério Público do Estado (MPES) apontou irregularidades no acerto com a BRK Ambiental durante a gestão de Victor Coelho, e classificou um adiantamento de R$ 15 milhões feito pela empresa como um “empréstimo” disfarçado para a administração municipal.

No vídeo desta segunda-feira, Victor Coelho disse que se coloca como “político diferente dos políticos tradicionais”, procura seguir em frente, “sem olhar no retrovisor”, e ressaltou que “nunca movi processo contra os meus antecessores”. “Entrei e saí com as mãos limpas, sem nenhuma acusação. O meu patrimônio e o meu imposto de renda continuam os mesmos desde antes da política”, comentou.

Em outros embates, Victor foi mais agressivo. Ele chegou a chamar o ex-secretário de Comunicação, Wanderson Amorim (atualmente responsável pela pasta de Cultura e Turismo), de “pseudo-jornalista”. Ao vice-prefeito, Júnior Corrêa (PP), apelidou de “Padre Kelmon da Shopee” – uma referência ao ex-candidato a presidente da República e ao episódio em que Corrêa anunciou a troca da política pela batina. A vereadora Renata Fiório (PP), ex-secretária de Saúde, reclamou de “intolerância religiosa”. Na semana passada, o alvo passou a ser o próprio Theodorico Ferraço, por quem manifestou “profundo respeito”, mas de quem não teria “medo”.

Segundo informações de fontes que acompanham as movimentações políticas em Cachoeiro, Victor e Theodorico costumavam manter certo diálogo nos bastidores, mesmo durante o período eleitoral de 2024, quando o então prefeito apoiou Lorena Vasques (PSB) como candidata a prefeita.

Agora, a disputa entre os dois se acirra, num momento em que ambos compõem o grupo governista a nível estadual. Para Theodorico Ferraço, passar a limpo a gestão de Victor Coelho é uma forma de transmitir a imagem de que herdou problemas do mandato anterior, o que atenuaria eventuais responsabilidades suas por problemas na cidade. Além disso, a esposa de Theodorico, Norma Ayub (PP), é pré-candidata a deputada estadual, em disputa direta de votos com Victor – em que pese o risco de Norma não conseguir se candidatar. Victor, por outro lado, sente a necessidade de defender seu legado e não demonstrar fraqueza diante de um adversário experiente.

É natural que, dentro de uma frente tão ampla de partidos e candidatos, surjam alguns ruídos dentro da base governista. De qualquer forma, Ricardo Ferraço e Renato Casagrande certamente prefeririam que a discórdia fosse encerrada – o que não parece ser o mais provável por enquanto.

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