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Falta de médicos no interior prejudica atendimento básico

A falta de inscrições para a atuação no interior do Estado no programa federal Mais Médicos pode ser classificada como desinteresse dos candidatos por municípios com menor número de habitantes. Na primeira fase do programa, só foram contemplados municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) e, ainda assim, três dos médicos aprovados para atuação não tiveram o registro provisório emitido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-ES) para iniciar os trabalhos, atrasando o atendimento à população. 
 
 
No entanto, no interior do Estado a baixa oferta de médicos acaba por obrigar prefeituras a contratarem médicos diretamente – que não têm dedicação exclusiva – para poder inseri-los no Programa Saúde da Família (PSF). 
 
De acordo com o presidente da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), Dalton Perim (foto), prefeito de Venda Nova do Imigrante, na região serrana, a população não pode ficar desassistida, por isso, as prefeituras precisam se desdobrar para suprir a carência de médicos para atendimento na atenção básica. “Temos de lançar mão do que se tem, se não tem disponibilidade de médicos brasileiros, aceitam-se médicos estrangeiros”, simplifica.
 
Dos 78 municípios capixabas, 55 aderiram ao programa federal Mais Médicos, solicitando 510 vagas, no total. Apesar disso, não houve aprovações para o interior, mas somente para Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Viana e Fundão, preenchendo apenas 71 vagas das 510 solicitadas. 
 
No interior do Estado, as prefeituras trabalham com a abertura de processos seletivos – que têm duração média de dois anos, podendo ser renovados por mais dois – ou contratação direta. 
 
O município de Vargem Alta, no sul do Estado, por exemplo, só conseguiu completar as oito equipes de PSF no meio de 2013, ainda assim, com a contratação de médicos. A procura de médicos nos processos seletivos do município – que até então eram de análise de títulos – era menor do que a demanda de vagas. 
 
No último processo, apenas um médico foi chamado e os demais tiveram de ser contratados diretamente, o que demanda uma negociação com o profissional a respeito de carga horária e remuneração. 
 
No caso de Vargem Alta, houve reclamação de o salário pago pelo município ser menor do que o do mercado, por isso foi feito um acordo de carga horária de 20 horas semanais e dispensada a dedicação exclusiva. O município tem apenas uma médica com dedicação exclusiva, integrante do Programa de Valorização dos Profissionais na Atenção Básica (Provab), do Ministério da Saúde, que tem carga horária de 40 horas e recebe uma bolsa federal. 
 
No município também há o problema de evasão de médicos, que saem para residência em outras instituições.       

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