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A primeira fotografia da campanha

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Agora é valendo

A primeira pesquisa eleitoral realizada depois do registro oficial das candidaturas colocou números concretos na disputa pelo Governo do Espírito Santo – e mostrou que, apesar da liderança de Ricardo Ferraço, ainda há espaço considerável para mudanças. Levantamento do Instituto Quaest divulgado nesta quinta-feira (27) mostra o governador Ricardo Ferraço (MDB) com 35% das intenções de voto no cenário estimulado, seguido por Lorenzo Pazolini (Republicanos), com 28%, e Helder Salomão (PT), com 10%. Breno Barcelos (Missão) aparece com 2% e Rafael Demuner (UP), com 1%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 9%, enquanto 15% permanecem indecisos. A pesquisa ouviu 804 eleitores entre os dias 23 e 26 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número ES-04444/2026.

Liderança não é conforto

Ferraço começa a campanha na frente, mas a distância para Pazolini não permite tratar a disputa como resolvida. Os sete pontos que separam os dois estão apenas um ponto acima do limite da margem de erro. É uma vantagem real, mas ainda insuficiente para produzir a sensação de eleição definida. O governador tem a exposição proporcionada pelo cargo e a estrutura política do campo governista. Pazolini, por sua vez, aparece como uma alternativa competitiva e concentra quase três em cada dez intenções de voto. Mais importante do que a fotografia atual será saber quem conseguirá transformar intenção em voto consolidado ao longo das próximas semanas.

Pazolini encontra espaço

Os 28% registrados por Pazolini dão dimensão à força da oposição. O candidato do Republicanos não aparece apenas como um nome capaz de disputar a liderança: ele já ocupa uma posição que o coloca no centro da estratégia dos demais concorrentes. A questão passa a ser como ampliar esse eleitorado. A campanha terá de buscar votos além da sua base mais conhecida na extrema direita e transformar presença política em capilaridade no interior do Estado. A diferença de sete pontos para Ferraço também cria uma referência objetiva para a campanha oposicionista: a disputa está aberta o suficiente para estimular uma ofensiva, mas não tão apertada a ponto de permitir erros de estratégia.

Helder enfrenta outro desafio

Com 10%, Helder Salomão aparece em terceiro lugar e precisa crescer para entrar efetivamente na disputa pelo segundo turno. O dado mais delicado para o candidato petista é a distância em relação aos dois primeiros colocados. Ao mesmo tempo, os 15% de indecisos mostram que ainda existe um contingente expressivo de eleitores sem posição definida. Para Helder, portanto, a tarefa não é apenas conquistar votos de outros candidatos. É evitar que o eleitorado ainda indeciso se concentre rapidamente nos dois nomes que hoje lideram a corrida.

O segundo turno já entra no debate

A Quaest também testou três cenários de segundo turno. Ferraço aparece com 45% contra 35% de Pazolini. Contra Helder, o governador marca 55%, diante de 17%. Já numa eventual disputa entre Pazolini e Helder, o republicano aparece com 53%, contra 19% do petista. Esses números não significam previsão de segundo turno. Servem, porém, para mostrar como cada candidatura chega ao início oficial da campanha e quais adversários apresentam maior capacidade de competição nos cenários simulados.

Senado ainda mais aberto

Se a disputa pelo Governo começa com uma liderança relativamente clara, o Senado apresenta quadro bem mais fragmentado. Renato Casagrande (PSB) aparece na frente, com 28%. Sérgio Meneguelli (PSD) tem 10%, enquanto Fabiano Contarato (PT) e Rose de Freitas (MDB) registram 9% cada. Na sequência aparecem Maguinha Malta, com 6%; Evair de Melo, 5%; Marcos do Val, 4%; Rodney Miranda e Professor Fabian, com 2% cada; e Leonardo Monjardim e Callegari, com 1% cada. Há ainda 15% de indecisos e 8% de brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar. Como cada eleitor pode escolher dois nomes para o Senado, a lógica da disputa é diferente da eleição para governador. O eleitor pode combinar candidaturas de campos políticos distintos, e uma liderança isolada não garante automaticamente uma segunda vaga. É justamente essa dispersão que torna a disputa pelas duas cadeiras uma das eleições mais imprevisíveis do Espírito Santo.

A largada, não a chegada

A pesquisa Quaest oferece a primeira fotografia do eleitorado capixaba depois da definição formal das candidaturas. Ela mostra Ferraço na dianteira, Pazolini em condição competitiva, Helder pressionado e uma disputa ao Senado ainda bastante pulverizada. Mas fotografia não é filme. A campanha apenas começou, e ainda haverá propaganda eleitoral, que começou nesta sexta (28), debates, alianças, exposição dos candidatos, ataques e respostas. Os 15% de indecisos para o Governo e a fragmentação do Senado são sinais suficientes de que o eleitorado ainda não fechou completamente as escolhas. A principal conclusão, portanto, não é que alguém já ganhou. É outra: a eleição capixaba entrou oficialmente na fase em que cada ponto percentual passa a ter peso político.

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