
Republicano ou Democrata?
As eleições nos meus dois países quase coincidem, mas mesmo ausente, tenho o privilégio do voto à distância: antes de embarcar em minha jornada anual ao reino dos capixabas, já votei no candidato que julguei mais capaz de reverter os estragos do atual rei no poder. Mas como? Perguntará o leitor, de vez que a eleição no norte ainda não…
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Explico: voto pelo correio. Recebo a longa cédula com a devida antecedência, preencho de acordo com minhas indecisões habituais, e mando de volta pelo correio. O voto não é obrigatório e podemos também votar pessoalmente antes do dia designado para a eleição. Tudo, enfim, feito para facilitar a vida dos votantes, cuja maioria se mantém fiel ao candidato de seus partidos: Republicano ou Democrata?
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Pergunto ao simpático atendente do meu voo azul em quem vai votar, ‘No Dr. Bolsonaro, claro. O Brasil era muito melhor com ele”. Repito a pergunta ao funcionário que tenta controlar a avalanche de malas desfilando na esteira rolante, enquanto a minha não aparece. Ele também não titubeia: ‘No Lula, que foi pobre que nem minha avó!’ Voto e receita de brigadeiro não se discute, cada um tem o seu.
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Votar é chato, mas a metade da população mundial ainda não ganhou esse direito. Escolher seus mandantes através do voto já era praticado entre os celtas e hindus desde o século 5 AC, mas apenas os druidas e sacerdotes votavam. No Século 2 AC, os romanos inventaram as urnas, tornando o voto sigiloso, portanto mais honesto. Mesmo assim, quantos ainda…
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Nas terras do Trump, somente homens ricos e fazendeiros votavam, e o dia de votar tinha que ser estipulado para depois da safra. As mulheres eram excluídas porque ‘seria apenas uma repetição do voto do marido’. Negros e analfabetos eram também excluidos. No Brasil, as mulheres ganharam esse privilégio em 1932, e os analfabetos somente em 1985. Infelizmente, ainda abundam.
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Votei pela primeira vez no Grupo Escolar Professor Lellis, em Alegre, onde anos antes aprendi a ler, escrever, e contar… números e histórias. Votei em muitas cidades no Brasil e atualmente em Miami, onde houve o caso da mesária que ficou um longo tempo olhando para mim e para a foto de minha identidade, datada de dez anos antes. Pergunto qual o problema e ela: ‘Nenhum, mas a blusa é a mesma’.

