Reflexões sobre cadeiras vazias na plateia; Cine.Ema no ar; vagas na Academia Orquestra Jovem; e mais

Cadeiras vazias
Em conversas com artistas e produtores que atuam em projetos culturais de pequeno porte no Espírito Santo, eventualmente surgem queixas sobre dificuldades de atrair público para as atividades. A impressão é de que, nos últimos anos, os espectadores sumiram de vez, algo que tem afetado até mesmo quem tem maior visibilidade. Em agosto, viralizou nas redes sociais um desabafo do ator Renato Scarpin, que atuou na telenovela Avenida Brasil, e que, recentemente, apresentou uma peça para apenas quatro pessoas no Rio de Janeiro. Mês passado, Michel Teló ganhou uma bolada de R$ 440 mil da Prefeitura de Vitória para fazer um show em comemoração aos 475 anos da capital, e acabou cantando para uma Praça do Papa esvaziada.
Obviamente, alguns fatores conjunturais específicos de cada atração cultural precisam ser considerados. No caso do show do Michel Teló, por exemplo, choveu no dia, desestimulando muita gente a sair de casa. Ainda assim, alguns desses episódios servem de alerta para a necessidade de avaliarmos fatores estruturais que podem estar minando a presença nos eventos, independentemente de eventuais juízos de valor sobre a qualidade das atrações.
Falta de tempo
Uma pesquisa lançada no fim do ano passado pelo Instituto Nexus, realizada a pedido do Ministério da Cultura (Minc), identificou que a falta de tempo é o principal obstáculo para o consumo de produtos culturais pelos brasileiros (33%). Falta de interesse (29%) e de dinheiro para o consumo (24%) são outros fatores relevantes. O estudo, segundo reportagem da Agência Brasil (infelizmente, não localizei o documento na íntegra), também identificou que 62% do público brasileiro consome cultura pelo celular, e 53%, pela televisão.
Ou seja, no pouco tempo livre que resta rotineiramente, os brasileiros preferem ficar no celular ou na televisão mesmo, porque é menos cansativo. Para tirar o povo de casa, só se for um espetáculo, em todos os sentidos – e quando tiver dinheiro sobrando…
Pós-pandemia
A pandemia de Covid-19 também deixou marcas profundas e que perduram. O setor cinematográfico, por exemplo, teve incentivos como a Lei Paulo Gustavo e, em 2025, chegamos a mais salas de cinema no Brasil do que havia em 2019. Por outro lado, a rede de exibição, para tentar retomar o lucro perdido em dois anos de fechamento, aposta cada vez mais em grandes lançamentos que atraiam um público numeroso. Com isso, filmes que não se enquadram na categoria de blockbusters acabam sendo empurrados para o streaming. Uma das possíveis consequências disso é que a falta de diversidade na programação presencial serve como combustível para a cultura do “prefiro a cama e o sofá”.
Políticas culturais ineficazes
Soma-se a isso o fato de que as políticas culturais no Brasil não consideram o público em primeiro lugar. Ou melhor, os espectadores são tratados apenas como receptáculos passivos de algumas poucas atividades de “difusão”, como acontece com o Cultura em Toda Parte aqui no Estado. A cada ano, milhares de filmes, peças de teatro, livros e projetos de todo tipo chegam à praça. Mas como encontrar público para tudo isso? Ou melhor, como fazer com que as políticas públicas de cultura, assim como as de saúde e educação, realmente beneficiem o povo brasileiro, e não o número reduzido de artistas que vence editais?
Não tenho a pretensão de apresentar respostas simplistas para questionamentos complexos. Por ora, me limito a jogar o assunto na roda e torcer para que o debate prossiga.
Lembrando que neste fim de semana nós temos “festa da democracia” (risos). Em uma coluna anterior, fiz um apanhado das propostas dos candidatos a governador para cultura.
Cine.Ema no ar
O 12º Festival Cine.Ema está no ar com 18 curtas-metragens brasileiros, disponíveis gratuitamente na plataforma oficial do festival (cineema.com.br) até o dia 19 de outubro. Os filmes se dividem em duas mostras: a 12ª Mostra Cine.Ema e a 9ª Mostra Cine.Eminha (voltada ao público infantojuvenil). Em cada uma, o público pode eleger seu favorito ao prêmio de júri popular. Este ano, 350 produções de 25 estados brasileiros disputaram uma vaga na seleção. Os 18 escolhidos variam em formato (ficção, animação, documentário, drama, entre outros) e vêm de 12 estados brasileiros: Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará, Bahia, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rondônia e Ceará.

Vagas na Academia Orquestra Jovem
Mais de 100 vagas gratuitas para aulas de instrumentos musicais estão disponíveis na Serra por meio do projeto Academia Orquestra Jovem. A iniciativa visa democratizar o acesso à formação musical de qualidade e fortalecer a prática artística comunitária entre crianças, adolescentes e jovens. As inscrições estão abertas até a próxima sexta-feira (9), e são destinadas, preferencialmente, a moradores de 10 a 27 anos de diversos bairros do município. Os alunos selecionados não precisam ter instrumento próprio — todos os instrumentos serão fornecidos gratuitamente pelo projeto, com os materiais pedagógicos necessários para o desenvolvimento das atividades formativas. As aulas acontecerão no Centro Municipal das Juventudes (CRJ), localizado na região dos bairros Jardim Carapina e Boa Vista. Para se inscrever, os interessados devem acessar o site www.academiaorquestrajovem.com.br.

Bilros da Barra
O projeto “Bilros da Barra: Saber, Ensino e Sustento” vai realizar, por cinco meses, formação gratuita em renda de bilro para 40 mulheres de todo o Estado. O início das oficinas está previsto para terça-feira (6). As aulas serão ministradas na sede do grupo Barra de Renda, na Rua Vasco Coutinho, 292, na Barra do Jucu, em Vila Velha. O objetivo é avançar na qualificação das atuais rendeiras e abrir espaço para novas aprendizes, incluindo principalmente jovens interessadas em conhecer essa tradição de suas avós e bisavós. A iniciativa é desenvolvida pela Associação das Rendeiras de Bilro do Estado do Espírito Santo – Grupo Barra de Renda, em parceria com o Museu Vivo da Barra do Jucu. Saiba mais nas redes sociais do grupo.

Festival Capixaba de Frutos do Mar
O Festival Capixaba de Frutos do Mar chegará à 28ª edição no próximo fim de semana, ocupando a Praça de Eventos de Iriri, em Anchieta, de 9 a 18 de outubro. Com entrada gratuita e área coberta, o evento reunirá mais de 30 expositores, cerca de 50 opções de pratos à base de frutos do mar, aulas-show com chefs e uma programação musical e cultural diária. O grande destaque será o show nacional do cantor Zé Geraldo, na noite de sábado (10), às 23h. A organização projeta a circulação de 100 mil pessoas ao longo dos dez dias de festival.


