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Impacto global

A derrota da extrema direita na Hungria ecoa pelo mundo

Por José Carlos Pigatti

A derrota de um projeto autoritário nunca é apenas um fato local, ecoa pelo mundo como um sinal de que a democracia, quando encontra o povo organizado e consciente, ainda é capaz de se reinventar.

Foi isso que aconteceu na Hungria. Após 16 anos de poder marcado pela erosão das instituições, Viktor Orbán deixou o governo depois de uma eleição histórica. Com participação recorde de 78% dos eleitores, o povo húngaro mostrou algo fundamental: a democracia não morre facilmente quando há mobilização popular.

A vitória de Péter Magyar não é apenas uma troca de liderança, representa a abertura de um novo ciclo político, com promessas de reconexão com a Europa e reconstrução institucional. Mesmo com contradições, como sua posição cautelosa sobre a guerra e a Ucrânia, o que está em jogo é maior: a retomada de um caminho democrático após anos de concentração de poder.

Essa virada tem impacto global.

Durante anos, o modelo de Orbán foi celebrado por setores da ultradireita internacional. Seu governo virou referência para lideranças como Donald Trump, Javier Milei e também para grupos alinhados à oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil. Era um laboratório político: concentração de poder, ataque à imprensa, restrição de direitos e uso da máquina do Estado para sustentar um projeto autoritário.

Nesse contexto, a derrota também do partido Fidesz, não é isolada, ela enfraquece uma rede internacional que se articula em espaços como o Conservative Political Action Conference, trazido ao Brasil por Eduardo Bolsonaro como parte de um esforço de integração da extrema direita global.

Mas o que a Hungria nos ensina, de forma pedagógica e profundamente política?

Primeiro: não existe democracia sem participação popular. O comparecimento massivo às urnas foi decisivo. Quando o povo se ausenta, o autoritarismo avança silenciosamente. Quando o povo participa, reequilibra o jogo.

Segundo: a erosão democrática não acontece de uma vez. Ela é lenta, cotidiana, muitas vezes disfarçada de “ordem”, “estabilidade” ou “tradição”. Defender a democracia exige vigilância permanente.

Terceiro: a luta por direitos, especialmente de mulheres, trabalhadores e minorias, está no centro do enfrentamento ao autoritarismo. Regimes autocráticos, como o que se consolidou na Hungria, tendem a restringir liberdades, enfraquecer políticas sociais e comprometer a soberania popular.

E, por fim, a lição mais importante: a democracia não se salva sozinha.

Ela depende de organização, consciência crítica e compromisso coletivo. Depende de quem acredita que política não é apenas disputa de poder, mas construção de futuro.

A Hungria nos lembra que mesmo onde a democracia parece enfraquecida, pode renascer. E que cada eleição, cada participação, cada voz ativa é parte de um movimento maior: o de impedir que o medo, a desigualdade e o autoritarismo se tornem regra.

Quando o povo se levanta, a história muda de direção.

Sigamos firmes, tendo à frente nosso projeto democrático e popular para construir uma sociedade com soberania, igualdade e justiça para todos.

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