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MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA NO CASO VORCARO

“as ações eram orquestradas”

O alvo principal da 10ª fase da Operação Compliance Zero foi o publicitário Thiago Miranda, envolvendo os desdobramentos da investigação da fraude bilionária do Banco Master, em que este atuava sob as ordens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Seu papel principal era o de atacar o Banco Central.
Miranda atuava coordenando e pagando influenciadores digitais e perfis de fofoca para deslegitimar a imagem e a atuação de autoridade monetária nacional. Além disso, havia a criação de dossiês e monitoramento de profissionais da imprensa para intimidar e chantagear jornalistas na tentativa de atingir a reputação dos mesmos, como no citado caso da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que citei na coluna anterior.
Thiago Miranda movimentou até R$ 2 milhões em contratos blindados por rígidas cláusulas de confidencialidade, através de sua agência de propaganda. Ele é suspeito de ter acessado dados sigilosos como na obtenção e vazamento de dados privados de autoridades e executivos, tal como o do CEO do banco Itaú.
Com a apreensão de seu passaporte e proibido de sair do Brasil, por determinação do ministro do STF André Mendonça, pelo risco iminente de sua fuga para Miami, na Flórida, e logo após as buscas em seus endereços, o publicitário anunciou o fim das atividades de sua agência, a MiThi, alegando que partirá para um “ano sabático”.
De acordo com os relatórios do inquérito da Polícia Federal, junto a decisão do ministro André Mendonça (STF), a agência de Miranda operava para espionar e coagir opositores de Daniel Vorcaro, em que o publicitário utilizava plataformas clandestinas para a venda não autorizada de dados pessoais e financeiros. Os advogados de Miranda, através de nota oficial emitida, negam a prática de crime contra o Banco Central por parte de seu cliente, ao passo que o encerramento da agência já era algo planejado.
A atuação descrita em trechos da PF e destacada pelo STF evidenciam a cooptação e corrupção de policiais, incluindo federais, na extração de dados sigilosos, além da citada criação de dossiês que eram feitos com a compilação de relatórios pela agência de Miranda, através de informações obtidas ilegalmente.
Os ataques eram voltados a pessoas que representavam obstáculos ou riscos reputacionais aos negócios do Banco Master, incluindo o CEO do Itaú, Milton Maluhy, uma vez que a PF localizou um arquivo compartilhado com dados de identificação civil, CPF, patrimônio e informações pessoais do executivo e de sua esposa. Como dito, outro destaque foi a investida contra a jornalista Malu Gaspar, descrita na coluna anterior e reiterada aqui.
Em vista do monitoramento ilícito operado pelo publicitário, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou e o STF autorizou a preservação de dados digitais vinculados a este, em que a PF obteve autorização forense para o acesso a contas em nuvem, históricos de sincronização, metadados e registros de IP para evitar o apagamento de provas. A defesa de Miranda afirma a legalidade de seus contratos de gestão de crise, no entanto, e que o publicitário nunca participou de ações de intimidação ou violação de dados pessoais de terceiros.
A agência MiThi usava contratos de assessoria com multas astronômicas e cláusulas rígidas de confidencialidade, em que os influenciadores eram impedidos de revelar quem era o verdadeiro contratante e a origem do dinheiro, que era distribuído através de notas fiscais fictícias de prestação de serviços de publicidade, ocultando o vínculo direto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
As publicações pagas tinham a missão de descredibilizar a atuação do Banco Central, com narrativas sobre a parcialidade de autoridade monetária e a perseguição a instituições financeiras. Estes influenciadores recebiam roteiros prontos, com orientações diretas da agência de Miranda para publicar estes conteúdos com datas e horários combinados. As ações eram orquestradas, pois eram acionados dezenas de perfis simultaneamente, num esquema que conseguia inflar o alcance das fake news no meio digital, levando os ataques aos “trending topics” (assuntos do momento).
A Polícia Federal mapeou essa rede por quebras de sigilo bancário e interceptações telemáticas na Operação Compliance Zero, com identificação de CPFs e CNPJs que receberam repasses da agência MiThi, e o STF, por determinação do relator do caso do Banco Master na Corte, o ministro André Mendonça, autorizou a PF a intimar e colher depoimentos de 50 influenciadores digitais e donos de perfis de fofoca mapeados no esquema.
As medidas incluem também o rastreamento financeiro completo das contas dos envolvidos, com o objetivo de cruzar dados para identificar o destino dos repasses que saíram da agência de Miranda, além do acesso a metadados de publicações antigas para comprovar a coordenação e a simultaneidade dos ataques ao Banco Central.
O STF realça o entendimento jurídico de que tais influenciadores contratados não estão protegidos pela liberdade de expressão, uma vez que aceitaram dinheiro oriundo de fraudes financeiras na orquestração de campanhas difamatórias, de modo inflacionado e simultâneo, em que estes respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e embaraço a investigações.
Por fim, a PF descobriu que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro assinou uma minuta de contrato com o publicitário Thiago Miranda de dentro da prisão que previa a produção de um documentário audiovisual sobre o “Caso Banco Master” e este documento acabou apreendido durante as buscas da 10ª fase da Operação Compliance Zero na residência de Miranda.
A obra conteria dados exclusivos, entrevistas gravadas e documentos internos cedidos por Vorcaro. Embora pessoas presas preservem a capacidade civil, legalmente falando, de assinar negócios e contratos, o ministro do STF André Mendonça afirmou os contornos penais do documento dentro de um contexto que torna a produção suspeita como meio de manipulação midiática contínua contra as autoridades do caso.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Blog : poesiaeconhecimento.blogspot.com

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