Postura dos vereadores foi comemorada pelo líder de Governo no Legislativo

Ao final das mais de sete horas da primeira prestação de contas de Cris Samorini como prefeita de Vitória, o líder do Governo na Câmara Municipal, Leonardo Monjardim (Novo), estava em paz. Considerou a sessão “tranquila”, e afirmou que os parlamentares tiveram “postura republicana” e se “deram ao respeito”. A tranquilidade de Monjardim, como ele mesmo notou, contrastava com a sessão ordinária, quando se enfureceu com a discussão sobre a data da eleição da Mesa Diretora.
A primeira mulher a chegar ao comando da Prefeitura de Vitória fez um gesto significativo na abertura da prestação de contas, saldando nominalmente as três únicas vereadoras da capital: Mara Maroca (PP), vice-líder do Governo, Ana Paula Rocha (Psol) e Karla Coser (PT). As duas últimas, que são de oposição, retribuíram a deferência, mas também fizeram questionamentos.
Um dos assuntos discutidos durante a prestação de contas foi o aumento da população em situação de rua em Vitória. Luiz Emanuel (Republicanos), da base governista de extrema direita, defendeu que a prefeita deve buscar instrumentos para “proibir” que as pessoas fiquem nas vias públicas. Dárcio Bracarense (PL), bolsonarista que mantinha postura crítica ao ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), também defendeu medidas mais duras, além da criação de um “comitê metropolitano” que trate do tema.
Cris Samorini apontou que “não podemos atuar de outra forma que não com abordagem”, distanciando-se dos discursos higienistas dos vereadores de extrema direita. Defendeu também que Vitória disponibiliza atendimentos muito acima da média regional para essa população. Entretanto, apontou que esse é um problema nacional, destacando notícia que indica que o número de pessoas em situação de rua dobrou no Brasil durante o Governo Lula. Além disso, as outras cidades do Estado não estariam fazendo a sua parte, segundo ela.
Outro ponto questionado foi a questão da terceirização dos Pronto Antedimentos (PAs), que já havia sido abordada na prestação de contas recente da secretária municipal de Saúde, Magda Cristina Lamborghini. Mesmo admitindo problemas pontuais, argumentou que já existem melhorias em infraestrutura e a empresa assumiu há apenas seis meses, sendo preciso mais tempo para fazer as cobranças e acertos. Além disso, argumentou que a entrega dos PAs para a iniciativa privada se baseou em levantamentos internos da secretaria.
Também a mancha de poluição na Praia da Guarderia foi motivo de debate, uma pauta mobilizada principalmente por Pedro Trés e Bruno Malias (ambos do PSB). A prefeita jogou a culpa no serviço da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), que “decaiu consideravelmente”, segundo ela, e na poluição da baía de Vitória, vinda dos outros municípios. Da parte da prefeitura, disse ela, as multas para os que têm ligações irregulares estão chegando.
A prefeita também foi questionada em relação à valorização de servidores, bem como diversas outras situações pontuais elencadas pelos parlamentares.
‘100% com Pazolini’
Cris Samorini também foi questionada por Armandinho Fontoura (PL) se daria apoio ao seu antecessor, Lorenzo Pazolini, na disputa pelo Governo do Estado, e reforçou que tem “100% de lealdade e fidelidade” com o ex-prefeito. Samorini tem boas relações com o governador Ricardo Ferraço (MDB) e seu partido está no grupo governista estadual, mas ela demarcou território junto de Pazolini.
Foi no final da gestão de Pazolini que o clima dos vereadores com a prefeitura azedou, muito por conta da disputa em torno da data da eleição da Mesa Diretora, na qual o ex-prefeito interferiu. Entretanto, na primeira prestação de contas de Cris Samorini, mesmo as figuras mais engajadas na “briga” com o ex-prefeito, Dalto Neves (SDD), decidiram deixar a “disputa interna” de lado.
As próprias sessões darão a resposta: se a Câmara está pacificada ou se isso foi apenas uma trégua.

