Em outubro passado, Século Diário apontava a difícil relação entre gestores municipais e seus vices no Espírito Santo. Em alguns municípios capixabas houve afastamento dos prefeitos por problemas na Justiça, o que fez com que os vices assumissem as prefeituras. Uma vez na cadeira do prefeito, o que era para ser cargo de expectativa se tornou uma realidade.
Quando a Justiça determinou o retorno dos prefeitos, a coisa ficou feia e aí o que se viu foi um festival de rompimentos entre titulares e vices e uma guerra judicial para tentar reconquistar definitivamente o que era para ser provisório.
Sempre quieto e sem muita expressão, Michel Temer (PMDB) se manteve mergulhado até o pedido de impeachment da presidente Dilma ser deflagrado na Câmara. Daí em diante o peemedebista não parou de se movimentar. Veio até ao Espírito Santo para um encontro secreto com Paulo Hartung (PMDB) para articular o apoio dos governadores do partido à sua manobra de conquistar a vaga de Dilma.
O suposto vazamento da carta em que promove o rompimento com a presidente, foi entendido como mais uma manobra para fortalecer Temer como a alternativa segura para a substituição da presidente em caso de afastamento. Mais uma vez, o cargo de expectativa se torna uma realidade possível e faz com que o vice articule para tomar o lugar do titular, sem ter recebido um voto sequer.
A lição da carta de Temer se une ao exemplo dos vices-prefeitos do interior do Estado para o processo eleitoral de 2016. Não basta mais se preocupar apenas com os nomes que estarão em campo para o enfrentamento pelas prefeituras. É preciso tomar cuidado também com quem está ao lado no palanque.
Essa é uma composição que não chama muito a atenção de quem está construindo uma candidatura. O nome para a vice geralmente é uma indicação de um partido que o grupo quer atrair para dar peso ao palanque ou tirar do caminho.
Pode ser um suposto candidato ou um “soldado” do partido, mas depois de passada a eleição, o vice pode criar expectativas de crescimento político, o que, às vezes, põe em risco a harmonia do grupo e, em alguns casos, atrapalha a governabilidade.
Fragmentos:
1 – A carta do vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff, mesmo tendo sido supostamente vazada tarde da noite, serviu de material para uma série de memes nas redes sociais.
2 – O vice de Dilma vem sendo comparado ao personagem Frank Underwood, interpretado pelo ator Kevin Spacey na serie norte-americana House of Cards, que usa a posição de corregedor da Câmara para tentar derrubar o presidente dos Estados Unidos, com manobras políticas e usando a imprensa para deflagrar ações contra o governo.
3 – Os deputados Sérgio Majeski (PSDB) e Enivaldo dos Anjos (PSD) promovem nesta quarta-feira (9) uma sessão especial na Assembleia para discutir a situação da educação no Estado. O evento tem início às 15 horas.

