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O processo eleitoral se aproxima e a democracia nos chama

Por José Carlos Pigatti

Agosto marca o início de mais um processo eleitoral. Mais do que uma disputa entre nomes, partidos ou projetos, as eleições representam um dos momentos mais importantes da vida democrática de um povo. É quando a sociedade é chamada a decidir os rumos do país, dos Estados e das instituições que irão governar e legislar em seu nome pelos próximos anos.

Em 2026, os brasileiros escolherão o Presidente da República, responsável pela condução do Governo nacional, e os 27 governadores que administrarão os Estados e o Distrito Federal. Também serão eleitos dois senadores por Estado, além dos representantes da Câmara Federal e das Assembleias Legislativas. No Espírito Santo, serão escolhidos 10 deputados federais e 30 deputados estaduais.

Essas escolhas não são detalhes da vida pública. Elas definem quem fará as leis, quem fiscalizará os governantes e quem conduzirá as políticas que afetam diretamente o cotidiano das famílias trabalhadoras. Por isso, é fundamental compreender que as vagas existentes serão ocupadas por aqueles que receberem os votos de quem participar do processo eleitoral. Em uma democracia, a ausência também produz resultados. Quando alguém deixa de participar do debate político, outros decidem por ele.

O filósofo grego Aristóteles afirmava que o ser humano é um “animal político”, porque sua realização depende da vida em comunidade. Séculos depois, Jean-Jacques Rousseau defenderia que a soberania pertence ao povo e que nenhuma autoridade pode ser legítima sem a participação popular. Essas reflexões continuam atuais: a democracia não é apenas um direito; é uma responsabilidade coletiva.

A política, em si, não é boa nem ruim. Ela é o resultado da disputa de interesses existentes na sociedade. Como ensinava Antonio Gramsci, toda sociedade é um campo de disputa entre diferentes projetos de mundo. Por isso, é fundamental que cada cidadão conheça sua realidade, sua identidade e o lugar que ocupa na estrutura social para fazer escolhas conscientes.

Toda participação política é legítima, porque cada pessoa precisa defender seus interesses, suas necessidades e seus sonhos. E a história demonstra que os trabalhadores e trabalhadoras sempre pagam um preço elevado quando deixam de observar quem realmente os representa. Não basta escolher alguém simpático ou popular; é preciso identificar quem defende, na prática, as causas que impactam a vida da maioria.

O povo trabalhador precisa de emprego, renda, moradia digna, segurança pública, educação de qualidade, saúde acessível, transporte eficiente e oportunidades de acesso à cultura, ao esporte e ao lazer. Essas não são reivindicações individuais. São necessidades coletivas de milhões de brasileiros. Somos a maioria da sociedade. Portanto, precisamos observar com atenção quem esteve ao lado dessas lutas e quem historicamente se posicionou contra elas.

Paulo Freire nos ensinou que a participação consciente exige reflexão crítica. Não basta ouvir promessas; é necessário analisar trajetórias, práticas e compromissos. O período eleitoral deve ser um tempo de escuta, de diálogo e de aprendizado. É o momento de avaliar propostas, confrontar discursos com ações e identificar quem trabalha para ampliar direitos e quem atua para restringi-los.

Até outubro haverá debates, programas, discursos e campanhas. Cabe a cada cidadão e cidadã acompanhar esse processo com atenção. A democracia exige vigilância permanente. O voto é um instrumento poderoso, mas seu valor depende da consciência com que é exercido.

Defender nossos interesses e necessidades é uma tarefa cotidiana. Porém, o momento de escolher nossos representantes possui um significado especial. Uma decisão tomada na urna produz consequências durante todo um mandato de quatro anos. Por isso, não pode ser tratada com descuido ou indiferença.

Que venha mais um processo eleitoral. Que ele seja marcado pelo debate de ideias, pela participação popular e pelo fortalecimento da democracia. Que cada trabalhador e cada trabalhadora reconheçam a força de sua voz e a importância de seu voto.

Como dizia Gramsci, é preciso unir o pessimismo da razão ao otimismo da vontade. E é com essa vontade coletiva de construir um país mais justo, democrático e solidário que seguimos atentos, conscientes e fortes.

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