Organização realizou projeto “A Loucura Habita o Cineclube” com o Caps do município

O Cineclube Jece Valadão acaba de lançar uma revista inédita que documenta o projeto “A Loucura Habita o Cineclube”, realizado ao longo de 2025 em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. A iniciativa promoveu exibições gratuitas de filmes em equipamentos públicos de cultura e no Centro de Atenção Psicossocial II (Caps II) do município, articulando o acesso ao audiovisual à pauta da saúde mental como política pública.
A publicação, distribuída em formato impresso e também disponibilizada na internet (neste link), reúne relatos de participantes, usuários e integrantes da equipe, evidenciando o impacto das ações no território. Os depoimentos revelam experiências marcadas por emoção, escuta e construção coletiva, reforçando o cinema como ferramenta de cuidado e expressão.
O projeto buscou democratizar o acesso ao cinema para usuários dos serviços de saúde mental e estimular o debate com a sociedade sobre cuidado em liberdade, sofrimento psíquico e luta antimanicomial.
A iniciativa se insere em um contexto de exclusão cultural ainda presente no país. Dados da pesquisa Cultura nas Capitais apontam que 52% da população brasileira afirma não ter ido ao cinema em 2024, evidenciando barreiras econômicas, sociais e simbólicas de acesso à cultura. Nesse cenário, o Cineclube Jece Valadão se consolida como uma ação que rompe essas barreiras, ao levar o cinema para além das salas comerciais.
Além de ampliar o acesso ao audiovisual, o projeto também contribui para a desconstrução de estigmas relacionados à loucura e às pessoas em sofrimento psíquico, promovendo informação qualificada sobre a luta antimanicomial e o papel dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) na Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

As atividades envolveram tanto os usuários do Caps II quanto a população em geral, criando espaços de escuta, troca e reflexão. “A experiência vivida nesse projeto me fez observar que os filmes tiveram a função de abrir um espaço de diálogo, de escuta coletiva e de cuidado, dando oportunidade para que pessoas frequentemente silenciadas pela sociedade se expressassem livremente”, afirma a psicóloga e idealizadora do projeto, Marina Balarini, integrante do Cineclube Jece Valadão.
Nesse sentido, a revista funciona como um registro histórico e político do projeto, reafirmando o compromisso do Cineclube Jece Valadão com a cultura como direito e com a defesa de políticas públicas que integrem arte, saúde e cidadania.
O projeto “A Loucura Habita o Cineclube” foi contemplado com recursos do Funcultura, por meio de edital de Difusão Audiovisual da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES).

