Com muita delicadeza, cada sutil movimento do boneco é manipulado pelo elenco, “a dificuldade está em recriar e tornar crível a movimentação que nós comumente realizamos, mas que ganha uma graça toda especial quando feita por um boneco”, explica Miguel Velinho, diretor da Cia PeQuod (RJ). No Festival Nacional de Teatro de Vitória haverá dois espetáculos que utilizam essa difícil técnica para contar uma história.

A Cia PeQuod trabalha com teatro de bonecos desde 1999 e para o festival de Vitória preparou o espetáculo O Velho da Horta (fotos acima e capa), uma livre adaptação da obra de Gil Vicente “Foi um grande exercício de derrubar as paredes de uma casa mas ainda assim preservar a casa”, conta Miguel sobre a transformação do texto, que ficou mais próximo do público de hoje.
O texto de Gil Vicente conta a história de um amor senil, um velho dono de uma horta se apaixona perdidamente por uma jovem freguesa. Para conta a história, a companhia explora a manipulação direta, uma derivação do bunraku japonês, técnica que permite uma movimentação bastante humana. Cada boneco pode ser manipulado por uma, duas ou três pessoas.
O Velho da Horta fala das armadilhas que o amor pode causar e é um espetáculo para todas as idades, “faz muito sucesso com os pequenos graças à movimentação dos bonecos e do incrível cenário. Por outro lado, o público adulto capta a picardia característica do autor português”. A peça será apresentada na quarta-feira (17) no Teatro Carlos Gomes.
Utilizando a técnica das marionetes, o espetáculo Musiscircus (foto abaixo), da Cia Navegante (MG), é também representante do gênero de teatro de bonecos no festival. Nele, o palco se transforma em picadeiro e as marionetes, construídas pela própria companhia, são personagens de circo que apresentam diversos números. A peça será apresentada no domingo (14) e na segunda-feira (15) no Teatro do Sesi.

O diretor e fundador da companhia independente, Catin Nardi, conta que a música é fundamental para o espetáculo, “a trilha é a base do roteiro dramático, porque quase não há dialogo, cada núcleo é ligado por uma música”. Catin, que já morou no Espírito Santo, espera reencontrar os amigos com o retorno ao estado para a apresentar sua peça.
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