
Leonardo Merçon quase foi reprovado na 1ª série porque costumava fugir das aulas para observar os animais. Suas redações eram sempre sobre os bichos que gostava de olhar, mas a professora, mais preocupada com erros de português, não percebeu sua verdadeira aptidão. Hoje, fotógrafo e diretor do instituto de preservação ambiental Últimos Refúgios, Leonardo conta que a história com a professora o desanimou um pouco na época.
Depois que teve certeza sobre a profissão, o fotógrafo seguiu fazendo registros dos recursos naturais do Espírito Santo e publicou pelo instituto dois livros com suas fotos. Recentemente seu primeiro livro Últimos Refúgios: Parque Estadual Paulo César Vinha foi parar nas mãos do fotógrafo Sebastião Salgado. Além de elogiar a obra do capixaba, ele o convidou para trabalhar em um terceiro livro.
Por meio da fotografia, ele irá retratar a biodiversidade de diferentes regiões, a fim de sensibilizar a sociedade e também possíveis apoiadores da iniciativa. O projeto faz parte do Instituto Terra, fundado pelo próprio Salgado e sua esposa Lélia Salgado (os dois estão na foto acima, ao lado de Leonardo). O instituto fica em Minas Gerais e visa recuperar e preservar a área originariamente coberta por florestas do bioma da Mata Atlântica.
“Para mim é uma grande honra trabalhar para alguém que admiro tanto e fazendo o que eu mais gosto”, fala Leonardo. O fotógrafo conta que tem Salgado como referência desde os tempos da graduação, inclusive o artista fez parte da sua pesquisa para o projeto de conclusão de curso.
Formado em Design Gráfico pela Ufes, a afinidade com a fotografia começou na faculdade por meio de trabalhos acadêmicos. “A fotografia foi a ferramenta que eu escolhi para apreender a atenção das pessoas. Procuro fazer mais do que retratos e sim projetos que resultem em ações”.
Essa é uma das características que Leonardo mais admira na obra de Salgado, “ele soube o que fazer com suas fotos, soube as pessoas certas que ele deveria mostrá-las para promover ações”.

As fotos de Leonardo se caracterizam pela proximidade com os animais, técnica que ele desenvolveu porque no começo não tinha equipamentos específicos para fotografar de longe. Dessa maneira acaba se expondo a situações arriscadas como subir em árvore, ficar perto de precipícios e animais selvagens. “Uma vez imitei um cachorro do mato e rapidamente me vi cercado por eles. Mas sabia que não iriam atacar, estavam apenas curiosos”, conta.
As expedições fotográficas feitas por Leonardo Merçon no Instituto Terra tiveram início em novembro de 2011 e devem durar até o final deste ano. Já foram registrados animais como gaviões, pica-paus, papagaios, seriemas, quatis, cachorros-do-mato, jaguatiricas, entre outros.
Como diretor do Últimos Refúgios, Leonardo explica que o foco da instituição é muito parecido com o do Instituto Terra: sensibilizar por meio do registro documental de recursos naturais. O objetivo do fotógrafo é mostrar suas obras para diversas pessoas, principalmente para crianças, que devem aprender desde cedo a importância da preservação.
O projeto existe desde 2006, mas somente este ano conseguiu se consolidar como instituto e pode contratar as pessoas que estavam envolvidas na obra desde o início. “Perdemos muito profissionais porque não tínhamos condição de bancar, agora vamos conseguir manter uma equipe dedicada e entrosada”, afirma.

