Governo do Estado recebeu categoria após passeata e prometeu debater regulamentação
Após alcançar sete capitais, dezenas de municípios em todas as regiões do Brasil e 26 cidades capixabas, a greve nacional dos garis e trabalhadores da limpeza urbana foi suspensa nacionalmente nesta terça-feira (23), mas a categoria segue em estado de greve e mantém a pressão pela aprovação do Projeto de Lei nº 4.146/2020, que cria um piso salarial nacional de R$ 3.036, regulamenta a profissão e garante direitos históricos aos trabalhadores do setor. A paralisação teve como principal bandeira a votação urgente do projeto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025, e ainda aguarda análise do Senado.
Os trabalhadores capixabas realizaram uma passeata pelas ruas de Vitória nesta terça e foram recebidos por representantes do governo do Estado no Palácio Anchieta. Após a reunião e diante da orientação da coordenação nacional do movimento, a categoria decidiu suspender temporariamente a greve, para abrir espaço ao diálogo institucional. “A suspensão segue a orientação nacional e também considera o compromisso assumido pelo Governo do Estado na reunião. A Casa Civil nos recebeu, a pedido do governador [Ricardo Ferraço, MDB], e ficou de discutir, em 15 dias, como implementar a regulamentação a nível de Estado”, explicou Evani Reis, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares (Sindilimpe-ES).

A categoria reivindica o reconhecimento legal de uma profissão considerada essencial para a saúde pública. Além do piso nacional, o PL 4.146/2020 oficializa as funções de gari e coletor de resíduos urbanos; cria regras para a padronização da jornada de trabalho; e garante aposentadoria especial após 25 anos de atividade, adicional de insalubridade de 40% (grau máximo), jornada de trabalho de 40 horas semanais, além de benefícios como vale-alimentação, cesta básica e plano de saúde.
A regulamentação é defendida pelos trabalhadores como uma forma de combater a precarização do setor. Segundo o sindicato, profissionais terceirizados ainda recebem remunerações inferiores ao salário mínimo em diversos municípios brasileiros, mesmo desempenhando atividades consideradas indispensáveis para o funcionamento das cidades.
A categoria também argumenta que a atividade envolve exposição permanente a agentes biológicos, resíduos contaminados, produtos químicos, acidentes de trânsito e intenso desgaste físico e emocional. Muitos trabalhadores adoecem ao longo da carreira e enfrentam dificuldades para obter afastamentos adequados ou reconhecimento previdenciário das doenças relacionadas ao trabalho. “O nosso sonho é chegar pelo menos a dois salários mínimos. Nenhum trabalhador da limpeza urbana ganha mais de R$ 4 mil”, destacou Evani.
Para a dirigente sindical, a aprovação do projeto representa uma oportunidade de garantir proteção social e valorização profissional para uma categoria que historicamente permaneceu invisibilizada. “Somos os primeiros agentes de saúde”, define, resumindo uma reivindicação antiga dos trabalhadores da limpeza urbana. Responsáveis pela coleta de resíduos e pela manutenção da limpeza das cidades, os profissionais argumentam que sua atuação contribui diretamente para a prevenção de doenças, proteção ambiental e qualidade de vida da população.
A suspensão da greve também levou em consideração a proximidade do recesso das atividades legislativas em Brasília. Informações repassadas à coordenação nacional do movimento indicam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deverá receber representantes da categoria após o retorno dos trabalhos parlamentares, no final de julho.
No Espírito Santo, o Sindilimpe informou que permanecerá mobilizado nas bases da Grande Vitória e do interior para dialogar com os trabalhadores sobre os próximos passos do movimento. A expectativa é que, nas próximas semanas, ocorra uma reunião com o governador Ricardo Ferraço e representantes dos municípios capixabas para discutir apoio institucional à aprovação da proposta. Embora a coleta de lixo e os demais serviços tenham sido retomados, a liderança reforça que a mobilização da categoria continua. “Reivindicamos que o presidente do Senado coloque o projeto em votação e precisamos de apoio nessa luta. Com a suspensão do movimento, o trabalho será retomado, entraremos em estado de greve, e vamos aguardar essa reunião”, reforçou.

