quinta-feira, agosto 6, 2026
27.9 C
Vitória
quinta-feira, agosto 6, 2026
quinta-feira, agosto 6, 2026

Leia Também:

Dois resistentes – e os espaços em aberto no cenário eleitoral

A confirmação de Meneguelli e Rose para o Senado; o tabuleiro pós-convenções; o julgamento do Caso Luísa Lopes; e mais

Ellen Campanharo – Ales / Leonardo Sá

Meneguelli e Rose garantidos

Se observarmos o tabuleiro eleitoral do Espírito Santo como um todo, ainda restam alguns poucos espaços em aberto. De qualquer forma, o período de convenções partidárias se encerrou nesta quarta-feira (5) com duas confirmações importantes. Rose de Freitas (MDB) será, de fato, o segundo nome na chapa governista para o Senado Federal, ao lado de Renato Casagrande (PSB); e Sergio Meneguelli (PSD), após muitas reviravoltas, também foi lançado como candidato a senador em um palanque independente. Ambos podem se considerar vitoriosos, pois resistiram em cenários bastante adversos. Se isso vai dar em vitória nas urnas, aí é outra história. 

O discurso de Serginho se cumpriu

Mesmo diante de muitas articulações em contrário, Serginho Meneguelli bateu o pé de que o Partido Social Democrático (PSD), presidido no Estado pelo prefeito de Colatina (noroeste) Renzo Vasconcelos, não faria o mesmo que o Republicanos, de Erick Musso, fez na eleição passada. Na época, estava tudo combinado para Meneguelli ser candidato a senador, mas, na última hora, quem se candidatou foi o próprio Erick, e Serginho teve que se contentar com a disputa para deputado estadual, da qual saiu como campeão de votos. Dessa vez, foi diferente. Renzo tinha até a possibilidade de indicar a própria esposa, Livia Vasconcelos, para ser vice do pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini (Republicanos), mas sustentou Meneguelli. O preço disso foi a declaração de neutralidade na disputa para o Governo do Estado e o anúncio de desfiliação de Guerino Zanon, ex-prefeito de Linhares (norte do Estado), defensor do apoio a Pazolini.

Pazolini soltou a mão do PSD?

No início das articulações eleitorais, o PSD era uma das siglas mais cobiçadas pelos grupos políticos. Em 2024, se tornou o partido a governar o maior contingente populacional do Brasil (37,3 milhões de pessoas), ainda que no Espírito Santo tenha conseguido eleger apenas três prefeitos. Mas, no fim das contas, parecia que ninguém os queria – ou melhor, só seriam bem aceitos sob determinadas condições. A agremiação comandada por Renzo foi a primeira a declarar apoio a Lorenzo Pazolini. Entretanto, com a confirmação da aliança entre Republicanos e Partido Liberal (PL), a relação mudou, e o grupo de Pazolini praticamente rifou o PSD. Em primeiro lugar, os bolsonaristas descartaram quase que de imediato a possibilidade de subir no mesmo palanque que Sergio Meneguelli. Foi oferecido ao Partido Social Democrático a vaga de vice na chapa junto com o ex-prefeito de Vitória, mas a indicação prioritária de Renzo, a própria esposa, não era bem vista – o deputado federal Gilvan da Federal (PL) chegou a comentar nas redes sociais que Livia seria “uma péssima escolha” e declarou preferência por Guerino Zanon.

Tarde demais para entrar no grupo governista

Com o ambiente hostil da aliança de oposição, o PSD reiniciou as articulações com o grupo governista. O partido tinha embarcado no discurso do ex-governador Paulo Hartung de “renovação” no Governo do Estado, mas o perfil pragmático da sigla até combina mais com a frente ampla capitaneada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB) e pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB). Só que esse movimento chegou tarde, e os espaços governistas, tendo que acomodar tantas vontades, já estavam ocupados.

Palanque próprio como solução

Com isso, o palanque próprio tornou-se a melhor solução para o PSD. Como Paulo Hartung abdicou da candidatura a governador novamente – e ficou, de certa forma, sem tanta influência no processo eleitoral capixaba -, restou a neutralidade como caminho lógico. Vale destacar que Sergio Meneguelli é ex-prefeito de Colatina e figura de grande destaque na política municipal, tendo apoiado Renzo Vasconcelos em uma difícil disputa de segundo turno em 2024 contra Guerino Balestrassi. Se rifasse o aliado agora, Renzo correria o risco de fazer um inimigo no próprio reduto eleitoral, comprometendo muito uma tentativa de reeleição em 2028.

Candidatura caiu no colo de Rose

Quanto a Rose de Freitas, ela não era a primeira opção do grupo governista para compor a chapa ao Senado Federal. Rose vem de uma derrota na tentativa de reeleição para senadora, em 2022, e de um conflito interno no Movimento Democrátido Brasileiro (MDB), ocorrido em 2023, que acabou lhe tirando espaço. Mesmo assim, articulou-se com a direção nacional da sigla e entrou para a disputa, apesar do momento desfavorável. Por fim, os pré-candidatos que teriam a preferência no grupo governista, como o prefeito de Cariacica Euclério Sampaio (MDB) e o deputado federal Da Vitória, abdicaram de pretensões à disputa majoritária em 2026, e a candidatura caiu no colo de Rose.

Aqui não, Serginho! 

Nas últimas semanas, surgiu a possibilidade de Sergio Meneguelli entrar como candidato a senador na chapa governista, algo que já havia sido colocado anteriormente, antes do deputado estadual se filiar a um partido que resolveu se articular com Pazolini. Entretanto, Rose foi logo marcando posição em discursos nas convenções partidárias. De fato, seria estranho dar o “lugar na janelinha” para quem acabou de “subir no ônibus”.

O cenário para o Senado

Com o fim das convenções, se confirmam dez candidaturas para senador. A chapa da frente ampla governista será formada por Renato Casagrande e Rose de Freitas. A de oposição de direita, por Maguinha Malta (PL) e Evair de Melo (Republicanos). Sergio Meneguelli (PSD), Leonardo Monjardim (Novo), Marcos do Val (Avante) e Callegari (DC) sustentarão palanques independentes, sendo os três primeiros mais próximos da oposição e o último, dos governistas. À esquerda, os candidatos são Fabiano Contarato (PT) e Professor Fabian (Psol), mas a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) tende a apoiar informalmente Casagrande como segundo nome – ainda não anunciou uma definição.

O cenário para o Governo do Estado

Já na principal disputa eleitoral majoritária, estarão o governador Ricardo Ferraço, com Camillo Neves (PP) de vice; Lorenzo Pazolini; Helder Salomão, com Professora Valdirene de vice (ambos do PT); Rafael Demuner, com Dionary Sarmento de vice (ambos da UP); e Breno Barcelos, com Victor Oliveira como vice (Missão). Resta saber quem será o companheiro(a) de chapa de Pazolini. O prazo de registro das candidaturas se encerrará no próximo dia 15 e, até lá, muita coisa ainda pode acontecer.

Primeiro dia de julgamento do caso Luisa Lopes

Foi realizado nesta quarta-feira (5) o primeiro dia de julgamento de Adriana Felisberto Pereira, responsável pelo atropelamento que matou a modelo Luisa da Silva Lopes, em 15 de abril de 2022. Quase foi aplicada uma medida pouco usual e inédita no Estado: o juiz determinou diligência com os jurados no local da ocorrência. Isso serviria para verificar a tese da defesa de que havia baixa luminosidade e Luisa estava com roupa preta, o que teria contribuído para o atropelamento. Entretanto, a ação foi cancelada: alguns fatores, como a presença do monumento bike ghost em homenagem à modelo, poderiam influenciar os jurados, segundo o juiz que preside o júri. Além disso, havia o risco de manifestações, além do fato de que não é possível saber se houve mudanças na iluminação do dia do acidente para cá, argumento levantado pela defesa.

Adriana não compareceu

Adriana Felisberto não compareceu ao julgamento no primeiro dia, alegando abalo psicológico. A tendência é de que o Tribunal do Júri seja concluído apenas na sexta-feira (7). Relembrando: no dia do atropelamento, Luísa tentava atravessar a avenida Dante Michelini, na capital, quando foi atingida pelo carro de Adriana, que estava embriagada – de acordo com a denúncia do Ministério Público. O caso ganhou muita repercussão e foi abraçado pelo movimento cicloativista

FALE COM A COLUNA: [email protected]

Mais Lidas