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Moradores acionam Defensoria para garantir água no Território do Bem

Ligação pendente trava reservatório e abastecimento segue irregular na região de Vitória

Moradores e lideranças comunitárias da região do Território do Bem, em Vitória, voltaram a acionar a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) para cobrar a conclusão da ligação de uma adutora para garantir o funcionamento do novo sistema de abastecimento na região, marcada há décadas por um problema crônico de desabastecimento.

Leonardo Sá

Mesmo com a finalização de um reservatório no fim de 2025 e da estrutura de bombeamento, o sistema ainda não entrou em operação porque essa tubulação, que atende à função de transportar água tratada até os reservatórios, não foi conectada à rede existente. Sem a ligação, a água não pode ser distribuída por gravidade às residências, o que mantém o fornecimento irregular para os moradores.

A situação foi debatida em reunião realizada nessa quarta-feira (29), com a participação de moradores, lideranças comunitárias e representantes da Defensoria. Segundo o coordenador do Fórum de Moradores do Território do Bem, Valmir Dantas, falta a execução de um trecho de cerca de 800 a 900 metros para que o sistema funcione plenamente.

“A situação aqui em São Benedito é recorrente. Já temos esse problema histórico de falta d’água. O reservatório ficou pronto, o booster [estrutura de bombeamento] também, mas falta essa ligação final, que depende de uma intervenção na Avenida Leitão da Silva. Já tem quatro ou cinco meses que isso está parado”, afirma.

De acordo com ele, a obra depende da interdição parcial da via para a instalação da tubulação, o que exige articulação entre a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e a Prefeitura de Vitória, sob gestão de Cris Samorini (PP). Moradores, no entanto, relatam falta de informações sobre o andamento do processo. “A Cesan alega dificuldade de diálogo com a prefeitura, mas a gente não sabe se isso é oficial”, aponta.

Diante da continuidade do problema, a comunidade voltou a acionar a Defensoria, para que notifique a empresa e a administração municipal, cobrando a adoção de novas medidas para garantir a conclusão da obra. Durante a reunião, moradores relataram suas dificuldades, preencheram formulários e organizaram um abaixo-assinado. Segundo as lideranças, a demora mantém uma rotina já conhecida pelos moradores. “Todo verão falta água. Passamos um, dois, até três meses sem água, e dependendo de caminhão-pipa. Nós não queremos mais isso”, relata Valmir.

Leonardo Sá

A construção de um reservatório no alto do morro de São Benedito é reivindicada há mais de 15 anos pela comunidade que vive no no Território do Bem e enfrenta há décadas a precariedade no acesso à água. Na década de 1960, em São Benedito, foi criada uma lavanderia comunitária, que durou pouco tempo. Na década de 1970, foi inaugurado o Chafariz do Beco, que também durou pouco. Foi nessa mesma época que o abastecimento chegou às residências, mas ainda hoje não atende plenamente a necessidade dos moradores.

Em 2020, moradores chegaram a ficar até quatro meses sem abastecimento. A própria Defensoria Pública já havia notificado a Cesan e a Prefeitura de Vitória sobre falhas no serviço, com água chegando apenas em determinados períodos do dia, muitas vezes durante a madrugada, ou ficando indisponível por vários dias consecutivos.

Em 2023, o Governo do Estado anunciou investimentos de cerca de R$ 10 milhões para ampliar o abastecimento de água na chamada Poligonal 1 de Vitória, com previsão de beneficiar mais de 30 mil pessoas em bairros da região. O pacote incluiu a construção do reservatório no Alto São Benedito, melhorias no sistema do Jaburu e implantação de adutoras e estações de bombeamento. Apesar disso, entraves operacionais e administrativos seguem impedindo que a infraestrutura construída entre em funcionamento.

O histórico recente também inclui a recusa da Cesan, naquele mesmo ano, em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pela Defensoria para garantir o abastecimento durante as obras. Para os moradores, a situação reforça a sensação de descaso diante de um direito básico. “A água é essencial. É a primeira necessidade. Não pode demorar tanto assim”, defende Valmir.

O Território do Bem é formado por nove comunidades situadas na área central de Vitória. Além de São Benedito, Consolação, Itararé, Bonfim, Bairro da Penha, Gurigica, Jaburu, Floresta e Engenharia, compreendendo aproximadamente 10% da população de Vitória, com 31 mil habitantes e mais de oito mil unidades habitacionais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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