Movimento critica novas catracas, aumento de filas e “acordos descumpridos”

Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) realizaram um ato público na manhã desta quarta-feira (22) em frente ao Restaurante Universitário (RU) do campus de Goiabeiras, em Vitória, em denúncia à instalação de novas catracas de acesso ao espaço, à ausência de diálogo e ao que apontam como “descumprimento de acordo assumido pela Administração Central da instituição”.
Segundo o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Pedro Lucas Fontoura, a gestão havia garantido anteriormente que não haveria novas instalações, mas a organização foi surpreendida com a implementação do novo sistema, sem comunicação prévia com a representação estudantil.
A mobilização, convocada pelo DCE, ocorre em meio a uma escalada de tensões envolvendo o funcionamento do RU, especialmente após a instalação de novas catracas com sistema de biometria facial e alterações no fluxo de entrada, medidas que, segundo estudantes, têm provocado aumento significativo das filas e dificuldades de acesso. Durante o ato, estudantes exibiram cartazes com críticas à privatização do serviço, que foi terceirizado recentemente, e a situações de precariedade estrutural denunciadas ao longo dos anos.
O presidente do Diretório questionou o modelo de controle de acesso por biometria facial, apontando que a transição tecnológica não foi acompanhada de estrutura adequada para o volume de usuários. Ele ressaltou que muitos estudantes ainda não conseguiram realizar o cadastro facial no sistema, o que estaria ampliando os gargalos no atendimento. “A maioria das pessoas ainda não tem cadastro facial completo porque o sistema demora cerca de um mês para validar. Muitos estudantes estão esperando esse período para conseguir acessar o RU”, explicou.
Além das críticas ao funcionamento do restaurante, Pedro Lucas denunciou a falta de diálogo com a Administração da universidade. Segundo ele, o movimento estudantil tentou contato com a gestão responsável pelo RU, mas não obteve retorno. “Desde a última semana, quando começaram a circular rumores sobre a instalação das novas catracas, tentamos ligar para a administração para confirmar algumas informações, mas não nos retornaram, nem abriram diálogo com a gente”.
O protesto também resgatou pautas já levantadas pelo DCE em mobilizações anteriores. Em novembro do ano passado, plenárias realizadas em frente ao RU discutiram conflitos relacionados ao uso do restaurante, aumento da fiscalização e aplicação de regras da Resolução 19/2019 do Conselho Universitário, que regulamenta o acesso e prevê sanções para irregularidades como entrada indevida.
Na avaliação do movimento estudantil, o conjunto de medidas adotadas pela universidade tem priorizado o controle de acesso em detrimento da ampliação da política de permanência estudantil. O DCE argumenta que a solução para os problemas estruturais do RU deveria passar por investimentos em alimentação acessível, e não por mecanismos de restrição.

Pedro Lucas reforçou que o movimento defende mudanças estruturais na política de alimentação da universidade e criticou o que considera ser uma lógica de exclusão. As medidas recentes, considera, acabam dificultando ainda mais o acesso dos estudantes ao Restaurante Universitário. “O que para nós resolveria essa questão seria justamente um acesso facilitado para estudantes, com um valor mais acessível, para que todo mundo conseguisse acessar o RU”, reiterou.
O DCE também aponta que parte dos problemas atuais está relacionada ao aumento da demanda e às limitações do modelo de financiamento da alimentação estudantil. De acordo com informações debatidas em reuniões com a Pró-Reitoria de Políticas de Assistência Estudantil (Propaes), o custo real da refeição – R$ 12,00 – é significativamente maior do que o valor pago pelos estudantes – R$ 5,00 -, sendo parcialmente subsidiado pela universidade.
O DCE já convocou uma nova manifestação para esta quinta-feira (23), às 14h, em frente à Reitoria da Ufes, durante a reunião do Conselho Universitário. A expectativa do movimento é pressionar para que o tema do Restaurante Universitário seja incluído na pauta do conselho e sejam abertas negociações com a representação estudantil.
A gestão da Ufes, por sua vez, já reconheceu em comunicados anteriores a existência de conflitos no RU, incluindo relatos de aumento de tensões entre usuários e trabalhadores, além de problemas relacionados à entrada irregular de pessoas não vinculadas à instituição. Também informou que vem elaborando um plano de ação para reorganizar o fluxo de atendimento e melhorar as condições do restaurante. Apesar disso, o movimento estudantil avalia que as respostas institucionais ainda são insuficientes e defende maior participação nas decisões que afetam a política de assistência estudantil.

