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Aparecida Denadai: sentimento não é de alegria, mas de alívio

 “Sentimento não é de alegria, mas de alívio”. Esta foi a declaração da deputada estadual Aparecida Denadai, depois da condenação do empresário Sebastião Pagotto a 17 anos e 10 meses de prisão, proferida pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Vila Velha, na madrugada desta quinta-feira (11), pelo mando no assassinato de seu irmão, o advogado Marcelo Denadai, em abril de 2002. 

 

Aparecida Denadai contou que a mãe dela está tranquila com a decisão, que já estava sendo aguardada há mais de dez anos, e que as provas contra o réu eram inequívocas. Comentou, ainda, a tentativa de desqualificar o inquérito da Polícia Federal sobre o caso. Segundo Aparecida, o delegado chefe da Missão Especial Federal que investigou o caso, José Pinto Luna, também presidiu inquéritos emblemáticos em todo o País, como o caso do assassinato do então prefeito de Santo André, em São Paulo, Celso Daniel, ocorrido em janeiro de 2002, e dos desvios milionários de recursos do juiz Nicolau dos Santos Neto. 

 
Já a advogada Elisângela  Leite Melo, assistente de acusação, salientou que a decisão tranquila dos jurados refletiu o bom conjunto probatório. Ela conta que a acusação estava tão tranquila com o andamento do julgamento que não foi à réplica. Os jurados também não demoraram a dar o veredicto que condenou Sebastião Pagotto e absolveu Leandro Mageski, encerrando o julgamento por volta das 2 horas desta quinta-feira. A advogada também frisou que o julgamento marca uma mudança de pensamento do capixaba. “Não se aceita mais o crime de mando nem matar para garantir fraude em licitação”. 
 
Leandro Mageski
 
O outro réu do caso, Leandro Mageski, que acabou absolvido, era acusado de receptação. Ele prestou depoimento na tarde dessa quarta-feira (10). Leandro negou que trabalhava no ferro-velho onde foi clonado o veículo usado no crime. O acusado disse ainda que não ajudou no fornecimento do carro que iria ser clonado. 
 
Leandro também disse que não conhece Pagotto ou o soldado da Polícia Militar Dalberto Antunes da Cunha, acusado de ser o executor de Marcelo Denadai, e que não sabe o motivo de estar sendo acusado de receptação.
 
Motivação
 
O motivo do crime seria a apresentação de uma denúncia pelo advogado que seria protocolizada no dia seguinte à execução. Marcelo Denadai denunciava a existência de irregularidades na contratação da empresa Hidrobrasil (hoje Líder) para o serviço de limpeza de bueiros e galerias de esgoto no município de Vitória. O caso chegou a motivar a abertura da CPI da Lama na Câmara dos Vereadores, trancada a pedido do então prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), pelo desembargador Álvaro Bourguignon.  O irmão de Marcelo Denadai, Antônio Denadai, na época vereador e presidente da CPI, investigava os contratos da empresa Hidrobrasil, pertencente a Pagotto, com a prefeitura de Vitória. Em Brasília, os vereadores conseguiram reverter a decisão, mas a CPI jamais foi reaberta.

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